Aumentam críticas a Peña Nieto após polêmica nomeação e duvidosa investigação
Internacional|Do R7
Paula Escalada Medrano. México, 5 fev (EFE).- Longe de limpar sua imagem, o presidente do México, Enrique Peña Nieto, só acumulou mais críticas ao nomear Virgilio Andrade como titular da Função Pública e encarregado de investigá-lo por suposto conflito de interesse, o que, segundo os especialistas, já tem resultado antes mesmo de começar. "Legalmente (Peña Nieto) não é responsável (de um conflito de interesses) e a investigação, já posso adiantar, vai dizer que não há responsabilidade", disse à Agência Efe o advogado e catedrático do Tecnológico de Monterrey, Gerardo Palomar. O líder anunciou na última terça-feira um pacote de medidas para combater a corrupção e garantir a transparência, que inclui uma investigação para determinar se ele, sua esposa e o secretário de Fazenda se envolveram em um conflito de interesse ao comparar imóveis de empresas que tinham contrato com o governo. Peña Nieto enfrentou no final do ano passado um escândalo pela revelação de que sua mulher, Angélica Rivera, tinha encarregado um funcionário terceirizado do governo da construção de uma luxuosa mansão na capital mexicana. A polêmica cresceu ao ser divulgado que o secretário da Fazenda, Luis Videgaray, também tinha adquirido uma casa através mesmo funcionário do Grupo Higa, que teve participação na primeira licitação para a construção do trem de alta velocidade México-Querétaro. No mês passado, um meio de comunicação americano publicou que Peña Nieto comprou em 2005, semanas após ter assumido o cargo, uma casa por US$ 372 mil ao empresário Roberto San Román, que depois obteve milionários contratos para realizar obras públicas. Assim, o presidente incumbiu Virgilio Andrade, político do governante Partido Revolucionário Institucional (PRI) e vinculado a Peña Nieto e a Videgaray há décadas, de investigar e resolver se houve conflito de interesse nos três casos. "Legalmente nunca será possível atestar porque não há relação contratual ilegal ou que pressuponha lucro por outorgar concessões por parte do presidente e também não por parte do secretário Videgaray e muito menos de parte da esposa, a quem é impossível investigar porque não é funcionária", explicou Palomar. Embora seja certo que o presidente não ganha "diretamente" as concessões, existe sim a possibilidade de ele influenciar "secretários de Estado ou funcionário seus para recomendar que certas empresas sejam preferidas em relação a outras", apontou. Assim, embora não seja viável demostrar legalmente o conflito de interesses, a percepção de muitos mexicanos é de que "eticamente há vários fios completamente soltos que dão a entender que houve algo ilegal". "Foi puramente um anúncio político para o governo dizer: 'olhem, estamos fazendo algo para ser mais claros e averiguar que é que acontece'", opinou Irving Rosales, doutor em Economia pela Universidade Ibero-Americana. Para ele, esta nomeação perdeu sentido porque um ministro da Função Pública teria que ser alguém independe do governo ou que pelo menos não tenha tido participação nem com a equipe de governo nem com o partido. "Na prática duvido que realmente funcione e que as investigações irão a fundo. O anúncio acontece pela pressão da imprensa, sobretudo a imprensa internacional", apontou. Para o catedrático da Universidade Nacional Autônoma do México (UNAM), Gerson Hernández, esta operação de maquiagem não funcionou. "É um erro político, um erro estratégico, um dos muitos que teve esta Administração", sentenciou. Na opinião de Hernandez, a solução é criar uma Comissão Nacional Anticorrupção com membros independentes e "dentes" para poder morder e punir os funcionários corruptos. EFE pem/cdr













