Bachelet triunfa mas terá de enfrentar 2º turno no Chile
Internacional|Do R7
Por Alexandra Ulmer
SANTIAGO, 18 Nov (Reuters) - Michelle Bachelet não conseguiu liquidar a eleição presidencial do Chile no primeiro turno, no domingo, e seu bloco de centro-esquerda ficou aquém de formar uma bancada expressiva no Congresso, o que poderá complicar os ambiciosos planos da candidata socialista para redução das desigualdades econômicas.
Mas o fato é que Bachelet se sobrepôs a outros oito candidatos e deve derrotar com facilidade a rival Evelyn Matthei, da coalizão governista, no segundo turno, em dezembro.
Bachelet, que busca retornar à Presidência que ocupou de 2006 a 2010, ficou pouco abaixo dos 50 por cento necessários para vencer a eleição ainda no primeiro round, tendo recebido pouco menos de 47 por cento dos votos. Matthei ficou em segundo, com 25 por cento.
Por causa do incomum sistema eleitoral chileno, que foi criado pela ditadura de Augusto Pinochet e garante uma inflada presença parlamentar para o segundo partido mais votado, a coalizão Nova Maioria, de Bachelet, nunca teve muita esperança de formar uma ampla maioria parlamentar.
Mesmo assim, a ex-presidente esperava um resultado mais expressivo.
Bachelet precisará conquistar políticos independentes para bloquear o poder de veto da direita. Ela também espera que os influentes movimentos sociais chilenos pressionem o Congresso a aprovar as reformas que ela propõe.
O bloco de centro-esquerda conseguiu apenas a maioria simples para aprovar um aumento tributário destinado a financiar a reforma educacional. Segundo projeções, o Nova Maioria terá 67 dos 120 deputados e 21 dos 38 senadores. Na atual legislatura, como parte da oposição, tem 57 e 20, respectivamente.
A reforma educacional, por exemplo, exigiria uma maioria qualificada de quatro sétimos. Para a reforma eleitoral, seriam três quintos, e para revogar a Constituição deixada pela era Pinochet é preciso reunir dois terços dos votos no Congresso.
Mas, pelo sistema eleitoral instituído ao final da ditadura de Pinochet, a direita tem praticamente assegurada a continuidade do seu poder no Congresso.
"O resultado irá certamente ser frustrante para Bachelet", disse Peter Siavelis, professor de ciência política da Universidade Wake Forest e autor de um livro sobre a política chilena.
"Os movimentos sociais que foram para as ruas estão exigindo reformas, e no entanto os limites da estrutura institucional do Chile irão limitar a capacidade dela de se envolver em reformas. Embora Bachelet possa ser a vencedora desta noite, ela não está em posição invejável."
No primeiro mandato de Bachelet, vários planos acabaram barrados no Congresso.
POSSÍVEL POLARIZAÇÃO
Especialistas e aliados dizem que Bachelet se tornou depois disso uma negociadora mais dura, mas ela precisará de toda a sua destreza política para reunir apoio para seus planos, os quais também incluem a legalização do aborto sob certas circunstâncias e o fim de lacunas tributárias.
O crescimento da bancada independente, incluindo a presença de alguns emblemáticos ex-líderes estudantis, pode ajudar a desequilibrar a balança em favor da presidente.
"Ela terá de optar por um ministério mais abrangente, um ministério mais centrista", disse o analista político Guillermo Holzmann. "Se for demasiadamente para a esquerda, haverá polarização. Se houver polarização, aí as negociações com o Congresso serão mais complicadas. Acho que as reformas dela ainda são viáveis, mas a um ritmo diferente. Elas podem ser mais lentas."
Desde o fim da ditadura, em 1990, o Chile vive uma fase de estabilidade e crescimento econômico, ao contrário de muitos outros países da região. Mas os gigantescos protestos estudantis, reivindicando ensino gratuito e de melhor qualidade, abalaram a reputação chilena como "criança prodígio" da América Latina e ilustraram a forte desconfiança da população em relação à elite política e à concentração de renda no maior país produtor de cobre do mundo.
O país que Bachelet deverá assumir novamente está muito diferente daquele que ela deixou para assumir o comando da organização ONU Mulheres.
Num sinal do que a aguarda, um pequeno grupo de estudantes tentou "ocupar" seu comitê de campanha na tarde de domingo.
"Entendemos que nenhum governo, independentemente da sua força de vontade, irá gerar mudanças a partir de dentro institucionalmente, porque está concebido para evitar a mudança", disse um líder estudantil à rádio Cooperativa.
(Reportagem adicional de Rosalba O'Brien e Anthony Esposito)











