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Batalha às portas de Damasco, oferta de diálogo com regime comprometida

Internacional|Do R7

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Os combates se intensificavam na região de Damasco entre os rebeldes e as forças do regime de Bashar al-Assad, enquanto o chefe da oposição lançou um ultimato para que sua oferta de diálogo seja aceita.

Esses confrontos começaram na quarta-feira nas imediações da capital, onde os insurgentes estão postados, deixando mais de 60 mortos. Nesta quinta, combates eclodiram em Qaboun (leste) e tropas foram enviadas como reforço para a província, segundo o Observatório Sírio dos Direitos Humanos (OSDH).


O Exército se disse "determinado a esmagar o terrorismo em torno da capital e nas grandes cidades", afirmando ter "matado dezenas de terroristas que tentavam atacar Damasco e invadi-la", segundo o jornal ligado ao poder Al-Watan.

No bairro de Qaboun, em Damasco, dois morteiros caíram em uma estação de ônibus, matando seis pessoas, incluindo três crianças, de acordo com o OSDH e a televisão oficial síria.


Segundo um militante que pediu para não ser identificado, o Exército bombardeou zonas rebeldes perto de Zabadani: "Muitos feridos são pessoas que tinham fugido da violência fora da província de Damasco. Achamos que o Exército esteja bombardeando essas áreas que recebem deslocados para obrigar os rebeldes a desistir de seu avanço".

No centro do país, as forças do regime retomaram nesta quinta o controle de Karnaz, uma localidade da província de Hama, que era mantida desde dezembro pelos rebeldes, após 16 dias de intensos combates, indicou o OSDH, que se baseia em uma ampla rede de militantes e de fontes médicas civis e militares.


As forças regulares queimaram casas depois da retirada dos rebeldes, indicou o OSDH, enquanto a televisão oficial anunciava a destruição de "esconderijos de terroristas" em Karnaz.

O OSDH também indicou nesta quinta a morte de 20 trabalhadores, incluindo dez mulheres, em uma explosão de origem não determinada na quarta-feira em uma fábrica pertencente ao Exército na província de Hama.


Segundo um registro provisório do OSDH, a violência deixou pelo menos 92 mortos -- 37 civis, 31 soldados e 24 rebeldes -- nesta quinta-feira em todo o país.

Enquanto isso, a oferta de diálogo feita ao regime pelo chefe da oposição síria, Ahmed Moaz al-Khatib, parecia estar por um fio. Khatib exigiu a libertação até domingo de todas as prisioneiras detidas pelo regime, sem a qual retiraria a sua oferta.

No dia 30 de janeiro, Khatib se disse "preparado para negociações diretas com representantes do regime sírio, estabelecendo como principal condição, a libertação de 160.000 pessoas detidas em meio à repressão da revolta contra o regime.

No Cairo, os países islâmicos manifestaram nesta quinta o seu apoio a uma "solução pacífica" da crise síria com "um diálogo sério" entre a oposição e representantes do regime, ao término da 12ª cúpula da Organização da Cooperação Islâmica (OCI).

Os membros da OCI pediram "um diálogo sério entre a coalizão opositora e representantes do governo que acreditam na mudança política e que não estiveram diretamente envolvidos na repressão", declarou à AFP o porta-voz da OCI, Tarek Ali Bakhit.

O ultimato de Khatib foi dado após as violentas críticas de dentro da coalizão opositora, cujo principal grupo recusou qualquer diálogo. O Conselho Nacional Sírio (CNS) manifestou a sua convicção de que o regime cairá pelas armas e não por meio de negociação.

O CNS também criticou os contatos inéditos realizados por Khatib e o Irã, principal aliado regional de Damasco, classificando-os de "facada no coração da revolução síria".

A oferta de Khatib recebeu o aval de Washington, da Liga Árabe e dos principais aliados de Damasco, Rússia e Irã.

Em Washington, o chefe do Pentágono, Leon Panetta, reconheceu nesta quinta no Senado americano que havia apoiado a proposta da secretária de Estado da época, Hillary Clinton, de armar os rebeldes.

De acordo com o New York Times, a ideia, apresentada no verão passado (hemisfério norte), foi recusada pela Casa Branca, com o presidente Barack Obama temendo, entre outros aspectos, um agravamento do conflito sírio e o envolvimento de toda a região.

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