Berlusconi pedirá revisão do processo do caso Mediaset
Internacional|Do R7
Roma, 25 nov (EFE).- O ex-primeiro-ministro da Itália Silvio Berlusconi anunciou nesta segunda-feira que pedirá uma revisão perante a Corte de Apelação de Brescia do processo Mediaset, pelo qual a Suprema Corte italiana o condenou a 4 anos de prisão por fraude fiscal no último dia 1º de agosto. Em uma entrevista coletiva, realizada na sede do partido Força Itália em Roma, o político e empresário anunciou a existência de 12 testemunhos em seu poder, entre eles sete "completamente novos", os quais o permitirão pedir essa revisão do caso, cuja condenação no plenário do Senado pode resultar na retirada de sua cadeira na próxima quarta-feira. "Temos documentos que permitirão apresentar um processo de revisão ao Tribunal de Apelação de Brescia, o que está garantido pela Constituição", disse Berlusconi antes de começar a dar detalhes do conteúdo dos textos. O ex-primeiro-ministro da Itália explicou que entre os testemunhos que estarão perante a Corte de Apelação de Brescia se encontram alguns que não foram aceitos a seus advogados em primeira e nem em segunda instância, assegurando que, no processo Mediaset, os juízes rejeitaram 171 declarações de pessoas em sua defesa. O caso em questão julgava a compra e venda dos direitos de emissão de filmes americanos no valor de 470 milhões de euros por parte do Mediaset - o grupo audiovisual de Berlusconi - entre 1994 e 1999, ou seja, um suposto aumento artificial do preço dos direitos para evadir dinheiro ao fisco e desviá-lo para contas no exterior. A solicitação de revisão do processo defendida por Berlusconi se centra na pessoa do produtor americano de origem egípcia Frank Agrama, considerado sócio do ex-primeiro-ministro neste caso e quem foi condenado a 3 anos de prisão. Os testemunhos que Berlusconi pretende colocar agora para revisar o caso Mediaset, dos quais alguns são provenientes dos Estados Unidos, se centram em negar que houvesse um tipo de ligação entre Agrama e ele, um fato que o tiraria desse esquema de fraude fiscal. Berlusconi também disse que, após a sentença do Supremo, chegaram 15 mil documentos desde Hong Kong que vão em direção das teses que defende e que está à espera de outros que chegarão da Suíça e Irlanda nos próximos dias. Por estes novos documentos e pelo fato de ter recorrido às instâncias europeias, Berlusconi pede um adiamento da votação no plenário do Senado sobre a possível retirada de sua cadeira em aplicação da chamada "lei Severino" do Governo de Mario Monti, que impõe a expulsão de um parlamentar se o mesmo for condenado a mais de dois anos de prisão. Neste caso, o empresário se dirigiu, em particular, aos senadores do Partido Democrata (PD) do atual primeiro-ministro, Enrico Letta, dispostos a votar a favor da retirada de sua cadeira, mas também pediu responsabilidade em resposta à coalizão governamental formada para tirar o país do bloqueio político após as eleições de fevereiro. "Peço para adiar o voto do Senado sobre minha expulsão. Se fosse realizada, seria uma mancha no expediente do Senado. Que se expresse a magistratura na Itália e na Europa antes de tomar uma decisão", afirmou Berlusconi. "Caso contrário, assumirão uma autêntica responsabilidade: fazer cair um líder político que foi várias vezes primeiro-ministro. Isto pisotearia os princípios essenciais da vida política. Devem refletir antes de tomar uma decisão tão grave", finalizou Berlusconi. EFE mcs/fk











