Bersani vence 1ª batalha na Itália ao conseguir presidentes parlamentares
Internacional|Do R7
Roma, 16 mar (EFE).- A coalizão de centro-esquerda de Pier Luigi Bersani conseguiu neste sábado colocar seus candidatos na presidência da Câmara dos Deputados e do Senado da Itália após várias votações, que refletem os problemas que terá na hora de formar um novo Executivo. Foram necessárias quatro votações na Câmara para escolher como presidente a ex-porta-voz do Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados na Itália, Laura Boldrini. E outras quatro para nomear como presidente do Senado o ex-promotor nacional antimáfia, Pietro Grasso. As votações começaram ontem, mas, devido ao fato de nas primeiras ser necessário o quórum de dois terços, não se conseguiu chegar a nenhum acordo. Apenas hoje, quando na Câmara dos Deputados bastava a maioria absoluta, conseguiram eleger Laura Boldrini, que se apresentou às eleições na lista do partido Esquerda, Ecologia e Liberdade (SEL, na sigla em italiano). A ex-porta-voz da ONU conseguiu 327 votos, enquanto o candidato do Movimento 5 Estrelas, Roberto Fico, obteve 108, e o resto dos deputados votou nulo ou em branco. Laura Boldrini, de 51 anos, com 20 anos de trabalho nas Nações Unidas, é a terceira mulher na história da Itália que é escolhida presidente da Câmara, após Irene Pivetti e Nilde Iotti. A batalha se transferiu depois ao Senado, onde a centro-esquerda de Bersani não conta com a maioria absoluta e, por isso, teve que forçar a quarta votação, quando se escolhe entre os dois candidatos mais votados nos escrutínios anteriores sem levar em conta o número de votos. Surpreendentemente o ex-promotor nacional antimáfia conseguiu 137 votos, 12 votos a mais dos de seu partido, contra os 117 do candidato da centro-direita, Renato Schiffani. Isto foi possível porque os senadores do Movimento 5 Estrelas, do comediante Beppe Grillo, não tinham chegado a um acordo sobre se votariam em branco ou apoiariam Grasso e tinham deixado seus representantes livres para fazer sua escolha. A imprensa italiana destaca hoje como, após tantas negativas do movimento de Grillo a apoiar aos partidos políticos, na votação no Senado acabaram escolhendo um lado. Os senadores do Escolha Cívica, o movimento do presidente do governo em fim de mandato, Mario Monti, asseguraram que votariam em branco. No Senado se apresentou hoje, pela primeira vez como senador, o ex-primeiro-ministro Silvio Berlusconi, que definiu a situação como "muito grave" e garantiu que a votação de hoje "não era influente" no futuro do país. Berlusconi apareceu hoje de novo em público depois que recebeu alta do hospital São Raffaele de Milão, onde estava internado por problemas oculares durante uma semana Por sua parte, Bersani afirmou que a eleição de Boldrini e Grasso, duas pessoas até agora afastadas da política, são um sinal da mudança que quer dar a seu governo. No entanto, as votações de ontem e hoje demonstraram mais uma vez a ingovernabilidade do país, saída das eleições dos dias 24 e 25 de fevereiro e que tirará o sono de Bersani para conseguir formar um Executivo. Nestes dias se comprovou que o Movimento 5 Estrelas do comediante Beppe Grillo não tem alguma intenção de apoiar o governo de Bersani e tampouco a formação de Monti. Além disso, com a eleição de hoje dos dois candidatos da centro-esquerda, Bersani acirrou ainda mais sua disputa pessoal com Berlusconi, que teria agradecido muito se o rival lhe cedesse, pelo menos, a presidência de uma das casas do Parlamento. EFE ccg/rsd













