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Biógrafo define Chávez como "um homem de desafios"

Internacional|Do R7

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Natalia Kidd. Buenos Aires, 9 mar (EFE).- O presidente venezuelano, Hugo Chávez, falecido na terça-feira, foi um "homem de desafios", com uma liderança "intransferível" tanto no seu país como na América Latina, afirmou Modesto Guerrero, um de seus biógrafos, em entrevista à Agência Efe. "Chávez foi um líder original para seu momento histórico - teve a capacidade política individual de carregar um continente inteiro nas costas", declarou Guerrero, autor da biografia " Chávez, el Hombre que Desafió a la Historia". Segundo este jornalista venezuelano, o que torna "mais paradoxal" a figura do falecido governante é que ele não veio da política, mas sim das Forças Armadas, nas quais ingressou em 1971. "É, portanto, um homem paradoxal, um homem de desafios, um sonhador que buscou explorar no mundo social o que não encontrou no mundo militar", explicou Guerrero, que conheceu Chávez em 1995 e sobre quem escreveu uma "biografia independente, extra-oficial". Controverso, versátil e histriônico são os adjetivos que, segundo sua opinião, melhor definem a personalidade de Chávez, características que inevitavelmente produzem reações de amor e de ódio, mas nunca de neutralidade. Segundo Guerrero, o bolivariano sempre teve necessidade de se destacar e de ser reconhecido socialmente e teve, antes da vocação do poder, a de artista plástico, a de poeta e até a de jogador de beisebol. "Sempre foi um grande líder. Aos 20 anos já era líder em seu bairro dirigindo o concurso da rainha de beleza do mesmo e quando fez teatro na universidade se tornou o líder do grupo. Tinha condições naturais para ser líder", continuou o jornalista, que editou sua primeira biografia do falecido presidente em 2007, chamada "Quién inventó a Chávez?". Foi no Exército onde o falecido presidente descobriu a sua vocação para a política, caminho que o levou a liderar, em 1992, uma revolta militar fracassada contra o então presidente Carlos Andrés Pérez. O golpe terminou com a prisão de Chávez, propiciando a ele um período de reflexão não só sobre o futuro da Venezuela, mas também do cenário latino-americano. "Em 1992, quando foi preso, dedicou dois anos a estudar os fenômenos latino-americanos. Se tornou um estudioso de fenômenos que ainda não tinha tido tempo de estudar porque era militar. Agora tinha 24 horas livres por dia para estudar", relatou Guerrero. Segundo o escritor, com a morte de Chávez, o chavismo se desmoronará como um castelo de cartas, embora o legado do governante tenha assegurado outros dois componentes do sistema político idealizado pelo militar. "Para a oposição será difícil quebrar este sistema sem o líder porque não está baseado somente nele e sua personalidade, mas também no partido militar, que é de esquerda, e nos movimentos sociais, que preservam o legado de Chávez", sustentou. Mesmo assim, lembrou que o espaço de liderança que Chávez deixou não poderá ser ocupado pelo vice-presidente, Nicolás Maduro. "É uma liderança intransferível porque Chávez era único e insubstituível. Este tipo de personalidade, quando adquire essa relevância histórica, não tem repetição. Tem que haver outro acontecimento histórico que produza outra personalidade histórica", opinou. É um vazio que "não pode ser preenchido por ninguém em particular, nem por Cristina Kirchner, nem por Lula, nem por Dilma Rousseff, nem por Rafael Correa, não porque não têm qualidades individuais, mas porque não estão em uma onda histórica", acrescentou. Segundo Guerrero, que vive na Argentina, a comoção que a Venezuela presenciou pela morte de Chávez aconteceu porque o "povo não estava preparado para a notícia", porque "o governo manejou a informação apostando em uma recuperação clínica do presidente, alimentando a esperança do povo". EFE nk/jt/rsd

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