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Boca de urna indica guinada à direita na Áustria

Candidato conservador lidera à frente de ultranacionalistas

Internacional|Da Ansa

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Kurz é líder na primeira pesquisa de boca de urna com 30,2% dos votos
Kurz é líder na primeira pesquisa de boca de urna com 30,2% dos votos

A primeira pesquisa de boca de urna das eleições legislativas na Áustria, realizadas neste domingo (15), aponta para uma vitória do candidato Sebastian Kurz, do Partido Popular (ÖVP), de direita, com 30,2% dos votos.

Em segundo lugar está o postulante do ultranacionalista Partido da Liberdade (FPÖ), Heinz-Christian Strache, com 26,8%, tecnicamente empatado com o atual chanceler do país, Christian Kern, do Partido Social Democrata (SPÖ), com 26,3%.


Os Verdes, legenda do presidente Alexander Van der Bellen, aparecem com apenas 4,2%, pouco acima da cláusula de barreira de 4% para entrar no Conselho Nacional, a câmara baixa do Parlamento da Áustria.

As eleições deste domingo define os 183 membros da casa legislativa, e o governo ficará com a legenda que conquistar a maioria dos assentos. Se os números da boca de urna se confirmarem, Kurz, de 31 anos, terá de formar uma coalizão para se tornar o mais jovem chanceler da história do país e o mais novo chefe de governo na Europa.


A Áustria é governada atualmente por Kern, que é apoiado pela aliança entre ÖVP e SPÖ. Contudo, as tensões entre os dois partidos forçaram a antecipação das eleições, que estavam prevista apenas para 2018, e o rompimento parece ter beneficiado a centro-direita.

Nascido em agosto de 1986, na capital Viena, Kurz começou a fazer política ainda na juventude e entrou para o ÖVP em 2003. Em 2011, aos 25 anos, foi nomeado subsecretário do Ministério do Interior e se ocupou das políticas de integração de imigrantes no país.


Em 2013, aos 27, assumiu o Ministério das Relações Exteriores, tornando-se o mais jovem ministro na história da Áustria. No comando da pasta, ganhou notoriedade por sua política de pulso firme em relação à crise migratória, que incluiu o fechamento das fronteiras para solicitantes de refúgio que chegavam ao país por meio da "rota balcânica", no leste da Europa.

Em julho passado, Kurz chegou a sugerir que refugiados e migrantes forçados que desembarcassem na ilha de Lampedusa, no sul da Itália, fossem impedidos de viajar para o continente, fazendo o prefeito local chamá-lo de "nazista".


Após assumir a liderança do ÖVP, o ministro iniciou uma campanha marcada pelo personalismo e pelo discurso de rompimento com a "velha política", embora represente uma das legendas mais tradicionais da União Europeia. Se vencer as eleições, é provável que Kurz faça uma coalizão com o eurocético FPÖ, hipótese que assusta Bruxelas.

Seu principal oponente, Christian Kern, também era considerado uma esperança de renovação pela social-democracia austríaca, mas uma campanha excessivamente na defensiva não permitiu que ele decolasse nas pesquisas. Além disso, a revelação de que um assessor pago por sua equipe usara páginas no Facebook para difamar Kurz piorou ainda mais sua situação.

No cenário europeu, o líder do ÖVP é tido como um possível aliado do grupo Viségrad, que reúne Eslováquia, Hungria, Polônia e República Tcheca e representa o principal entrave às políticas migratórias e de integração na UE, o que prenuncia um relacionamento difícil com suas vizinhas Itália e Alemanha.

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