Boicote da oposição semeia o caos no parlamento da África do Sul
Internacional|Do R7
Johanesburgo, 12 fev (EFE).- O boicote da oposição ao discurso sobre o Estado da Nação do presidente da África do Sul, Jacob Zuma, semeou o caos nesta quinta-feira na sessão do parlamento e obrigou às forças de segurança a retirar os deputados rebeldes. O discurso de Zuma foi interrompido logo em seu início pelos deputados do partido populista Lutadores pela Liberdade Econômica (LLE), que exigiam o direito de realizar perguntas sobre a situação do país e os casos de corrupção que salpicam no presidente. A presidente da câmara, Baleka Mbete, lhes lembrou que não há turno de perguntas na ordem do dia desta sessão anual e, perante a recusa dos opositores em aceitar o regulamento, chamou os serviços de segurança para retirá-los. Os responsáveis do sinal televisivo do parlamento - que tem sua sede na Cidade do Cabo - interromperam a transmissão de dentro da sala durante a evacuação do líder do LLE, Julius Malema, e seus companheiros de partido. Após a saída do segundo maior partido da oposição, os parlamentares da principal força opositora, a Aliança Democrática (AD), também deixaram a sala depois que Mbete não esclareceu se os agentes eram dos serviços da câmara ou da polícia. O representante da AD, John Steenhuisen, argumentou que a presença de agentes armados no parlamento viola a Constituição e intimida os membros da oposição. Após a saída dos dois principais partidos da oposição, Zuma continuou com seu discurso perante os deputados de seu partido, o governante e majoritário Congresso Nacional Africano (CNA), e outras formações minoritárias. Os membros do LLE tinham ameaçado boicotar o discurso de Zuma perante o parlamento com o grito de "Devolva o dinheiro", em referência aos mais de 15 milhões de euros de fundos públicos utilizados pelo presidente na reforma de sua residência privada. A defensora pública, Thuli Madonsela, pediu a Zuma, em um relatório oficial do final de 2013, que devolva aos cofres do Estado o dinheiro gasto que não corresponda com a pretensa melhoria das medidas de segurança de sua casa. Antes do começo da sessão, o porta-voz da AD, Marius Redelinghuys, foi detido pela polícia por recriminar os agentes por sua atitude supostamente agressiva contra manifestantes do partido concentrados nas portas do parlamento. A oposição e vários setores da sociedade civil acusam o CNA de utilizar sua maioria de mais de 62% para cercear a liberdade de expressão e proteger Zuma, envolvido em vários escândalos de abuso de poder e acusado de má gestão. EFE mg/rsd (foto)













