Brasil acumula menor superávit primário em 14 anos no primeiro semestre
Internacional|Do R7
Rio de Janeiro, 31 jul (EFE).- O Brasil acumulou no primeiro semestre deste ano um superávit primário de R$ 16,224 bilhões, o pior resultado para o período nos últimos 14 anos, informou o Banco Central nesta sexta-feira. O saldo positivo nas contas públicas brasileiras nos seis primeiros meses de 2015 foi 44,78% inferior ao superávit de R$ 29,38 bilhões que o país acumulou no primeiro semestre do ano passado. O resultado, atribuído à atual contração da economia brasileira, não era tão baixo desde 2001, quando o órgão emissor começou a medir o indicador com os atuais critérios. O superávit primário é resultado positivo de todas as receitas e despesas do governo, sem levar em conta os recursos destinados ao pagamento de juros. O país utiliza esse indicador como referência da saúde de suas contas públicas e de sua capacidade para pagar as incumbências da dívida. O mau desempenho das contas públicas obrigou o governo na semana passada a anunciar a redução da meta de superávit que tinha estipulado para este ano, do equivalente a 1,1% do PIB inicialmente previsto até 0,15% do PIB esperado agora. O governo, que no início do ano tinha proposto terminar 2015 com um saldo positivo nas contas públicas de R$ 66,300 bilhões, admite agora que a economia chegará a apenas R$ 8,747 bilhões. O ministro da Fazenda, Joaquim Levy, explicou que o governo teve que revisar a meta de superávit devido ao novo cenário econômico brasileiro neste ano, para quando se prevê uma forte contração econômica e uma queda na arrecadação tributária. O país cresceu apenas 0,1% em 2014 e para este ano, segundo as últimas projeções do próprio governo, é prevista uma contração de 1,49%. A difícil conjuntura obrigou a presidente Dilma Rousseff a anunciar o ajuste fiscal em janeiro para fazer frente ao déficit primário de R$ 32,536 bilhões de 2014, quando o Brasil registrou o primeiro saldo negativo em suas contas públicas em 13 anos. Segundo o Banco Central, o mau desempenho do primeiro semestre também foi causado pelo resultado de junho, quando o país registrou um déficit de R$ 9,323 bilhões, o pior resultado para este mês também em 14 anos. O órgão informou que no primeiro semestre do ano pagou R$ 225,87 bilhões em juros, por isso o déficit nominal nas contas públicas no período se elevou a R$ 209,646 bilhões. O déficit nominal acumulado nos últimos 12 meses, que é o levado em conta pelas agências de classificação de risco na hora de analisar o estado das contas públicas brasileiras, subiu para o equivalente a 8,12% do PIB, seu pior resultado histórico. As agências deram indicações que, diante do novo cenário fiscal, podem reduzir a nota do Brasil, que perderia sua condição de país com grau de investimento, ou seja, considerado seguro para os investidores. Na terça-feira passada, a Standard & Poor's modificou a perspectiva da classificação da dívida brasileira a longo prazo de "estável" para "negativa", o que permite prever uma futura redução. EFE cm/vnm













