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Brasil não pode continuar "em cima do muro" em caso de guerra nas Coreias, dizem especialistas 

País precisa voltar a ter atuação forte nas relações internacionais se quiser cadeira no Conselho de Segurança da ONU

Internacional|Marina Marquez, do R7, em Brasília

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O governo da presidente Dilma Rousseff é considerado fraco nas relações externas se comparado com a gestão de Lula, dizem especialistas
O governo da presidente Dilma Rousseff é considerado fraco nas relações externas se comparado com a gestão de Lula, dizem especialistas

Se o Brasil quiser mesmo se tornar um País relevante no mundo e nas relações internacionais e conquistar um assento permanente no Conselho de Segurança da ONU (Organização das Nações Unidas), não pode continuar "em cima do muro" e precisa se posicionar. O caso de uma guerra entre Coreia do Sul e Coreia do Norte, segundo especialistas ouvidos pelo R7, será uma boa oportunidade.

Nos últimos anos, o Brasil mudou um pouco a forma de atuar no cenário internacional. O governo do ex-presidente Lula teve uma incidência muito forte na política externa, diferentemente de Dilma Rousseff, que tem mostrado uma tendência maior de "neutralidade" para não se expor entre os países.


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De acordo com o cientista político e mestre em resolução de conflitos internacionais da ESPM, Heni Ozi Cukier, que já trabalhou no Conselho de Segurança da ONU, essa postura atrapalha o País com intenção de ganhar mais importância entre os demais.


Cukier explica que "falta envolvimento com assuntos relacionados à guerra, paz ou segurança internacional". Para ele, já que o Brasil é isolado geograficamente, deveria "participar dessas questões de forma ativa".

— Adotar uma posição de neutralidade é um grande erro para quem quer estar no Conselho de Segurança. O conselho não é um órgão que tem característica neutra. O objetivo dele é resolver conflitos, e ninguém resolve nada se estiver sempre em cima do muro.


Para o especialista da ESPM, essa posição "neutra" não mostra credibilidade e interesse em resolver o conflito.

— Se isentar de um posicionamento evita que o Brasil se exponha politicamente, com isso você cria menos desafetos na política internacional, é visto com bons olhos por todo mundo. No entanto, não é o tipo de atitude que se espera de alguém que quer ser um grande nome no órgão e no mundo.

Erros brasileiros

Cukier diz que o Brasil ter ficado "em cima do muro" nos últimos anos acabou se desdobrando em vários erros na política externa. Ele cita o caso da polêmica com o Irã, quando Brasil e Turquia se posicionaram contra os outros países do Conselho de Segurança sobre o programa nuclear iraniano.

Em 2010, o então presidente do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva, viajou ao Irã com o objetivo de conseguir um acordo sobre o desenvolvimento do programa nuclear do país. Ao lado de Rússia e Turquia, Lula tentou impedir a aplicação de sanções da ONU (Organização das Nações Unidas) ao país.

Após as negociações, o Irã aceitou um acordo, que previa a troca de urânio de baixo enriquecimento por combustível enriquecido a 20%, que seria usado em um reator de pesquisas médicas em Teerã. O acordo também estipulava que houvesse supervisão de inspetores turcos e iranianos, nas operações.

Apesar disso, as potências ocidentais, lideradas pelos Estados Unidos, acreditavam que o acordo seria apenas uma fachada para a tentativa de produção de armas atômicas.

Na opinião do especialista, o Brasil adotou "uma postura irresponsável" na época e "se mostrou como alguém que não tem crédito para ter um assento no conselho".

— Existe um processo em andamento de tratados internacionais que os países cumprem, inclusive o Brasil. Quando o Irã violou obrigações e o Brasil foi a público para anunciar um suposto acordo com o Irã, mostra uma ingenuidade e falta de responsabilidade do País. A prioridade deveria ser os tratados mais consolidados que existem nas relações internacionais e o Brasil se comportou de forma amadora.

Guerra nas Coreias

No caso de uma guerra entre Coreia do Sul e do Norte, Cukier espera que o Brasil mude a postura e seja firme com o que diz o direito internacional e com o que é a preocupação dos países hoje.

— Eu acho que o Brasil não vai apoiar ninguém, vai adotar uma posição de neutralidade. Mas se for se envolver, não pode entrar na contra mão questionando um processo claro por parte dos que são agressores e provocadores. Se o Brasil for tomar posição, precisa ser responsável entendendo o que está acontecendo e se posicionando com maturidade de dizer "eu seu o que é o problema, sei como funciona".

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O professor de relações internacionais da FAAP, Bernardo Wahl Gonçalves de Araújo Jorge, concorda de que o Brasil precisa tomar posição e tentar ter um papel relevante no conflito.

— Embora a política externa de Dilma Rousseff seja mais discreta, o Brasil teria um papel sim. Não seria principal e imediato, mas é importante que participe. Isso faz parte da política externa brasileira, que visa a ter uma atuação em nível mundial.

Araújo Jorge espera que o país se posicione e também possa contribuir de forma diplomática, como tem sido em outros conflitos.

— Além do posicionamento diplomático do Brasil em relação a uma possível guerra (o de condenação), o Brasil também poderia se manifestar em termos de contribuição diplomática para a solução do conflito (isso, inclusive, mesmo sem uma guerra concreta). 

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