Logo R7.com
RecordPlus

Brasileira candidata a vereadora na Flórida quer ajudar imigrantes

Renata Castro disputa eleições americanas pela segunda vez. Em entrevista ao R7, ela revela que latinos estão cada vez mais engajados na política

Internacional|Ana Luísa Vieira, do R7

  • Google News
Renata Castro é candidata nos EUA
Renata Castro é candidata nos EUA

Para Renata Castro, brasileira naturalizada americana que disputa uma vaga de vereadora na Câmara de Margate, na Flórida, a atuação no legislativo municipal "é um trabalho de formiguinha, mas que precisa ser feito por alguém".

"Aqui nos Estados Unidos, os representantes locais não têm poder de influenciar o governo federal, mas têm influência sobre deputados e senadores que podem levar temas ao Congresso", diz.


Renata, que vive no país há 16 anos e é advogada de imigração desde 2014, conta em entrevista ao R7 que, se eleita em 6 de novembro — quando ocorre o pleito americano —, tem intenção de ajudar a comunidade de imigrantes, que já compõem 99% dos clientes de seu escritório.

"Os brasileiros na Flórida têm dificuldades para retirar documentos simples que fazem parte das nossas necessidades. Além disso, falta integração da comunidade comercial e precisamos de uma atuação mais próxima das autoridades para proteger os imigrantes que são vítimas de golpes de advogados. São demandas que precisam ser abordadas para que tanto os brasileiros que aqui vivem como aqueles que estão em trânsito possam exercer suas funções de cidadania da melhor forma possível", explica.


Segunda tentativa

Esta é a segunda vez que Renata, natural de São Gonçalo (RJ), se candidata ao cargo na Câmara Municipal de Margate.


A cidade da Flórida tem pouco mais de 53 mil habitantes e aproximadamente 34 mil eleitores.

"Tentei a candidatura também em 2016, disputando a uma cadeira com outras quatro pessoas. Fui a segunda mais votada, com 4.782 votos, mesmo sem nunca ter concorrido a nada — é um número muito expressivo. A vencedora teve 6.605, mas já havia sido prefeita", relata.


A advogada explica que, nos Estados Unidos, os vereadores não disputam as eleições por nenhum partido e o apoio da população é quase que completamente angariado no tête-à-tête.

"O voto não é obrigatório aqui, então nenhum candidato consegue votos se não bater de porta em porta. Da última vez que concorri, emagreci 15 quilos apenas visitando as casas — foram umas 7 mil no total. Houve um dia em que meu pedômetro marcou 19 mil passos só enquanto eu conversava com as pessoas na porta de uma biblioteca."

Na opinião de Renata, sua persistência na política está relacionada à trajetória desafiadora que teve como imigrante.

"Me mudei para os Estados Unidos aos 18 anos porque havia conhecido meu ex-marido. O que se seguiu foi um relacionamento conturbado, ele ameaçava constantemente me tirar a guarda do meu filho. Eu trabalhava no mercado imobiliário e esse mercado implodiu na mesma época em que meu casamento. Não tinha onde morar, era o inferno em vida", lembra.

Foi um tempo difícil que acabou por fazer com que a brasileira decidisse estudar Direito.

"Escolhi fazer algo que me desse alguma satisfação pessoal, de saber que meu conhecimento poderia melhorar a qualidade de vida de pessoas que viessem me procurar. Por mais que eu não queira experimentar novamente o que eu passei, tenho convicção de que foram as dificuldades anteriores que me fizeram a profissional que sou hoje, com mais compaixão e compreensão pelo que o cliente passa."

Latinos na política

A brasileira acredita que a atual situação da política nos Estados Unidos tem encorajado a participação dos imigrantes — especialmente latinos — nas questões da administração pública.

"O latino não acredita em política porque cresceu em um ambiente de descrença da integridade do processo eleitoral. Isso acontece desde o Paraguai até o México", pondera a brasileira naturalizada norte-americana.

"Quando esse latino vem para os Estados Unidos, a tendência é não se envolver com temas do governo. Mas por conta da realidade de divisão e xenofobia que vivemos hoje, muitas pessoas em polos opostos da conversa têm se engajado politicamente. Eu vejo que a comunidade latina principalmente na Flórida está mudando sua abordagem."

A candidata conclui que, no que depender dela, os brasileiros e outros imigrantes em Margate devem começar a se sentir melhor representados.

"A cidade de Margate tem uma reputação de corrupção muito grande. Já tivemos vereadores detidos, recentemente um candidato foi preso por envolvimento com pornografia infantil. A política aqui é conturbada e conhecida pelo conchavo. A minha proposta principal para a comunidade é servir à população, e não àqueles que estão legislando e focados neles próprios."

Últimas


Utilizamos cookies e tecnologia para aprimorar sua experiência de navegação de acordo com oAviso de Privacidade.