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Cameron, da espionagem aos desacordos sobre a Europa

Internacional|Do R7

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Patricia Souza. Londres, 24 dez (EFE).- Os diversos fatos que vieram à tona neste ano fizeram com que o primeiro-ministro do Reino Unido, David Cameron, ficasse na defensiva em relação às revelações de espionagem em massa na internet, rejeitasse a intervenção militar na Síria e tivesse que lidar com o assédio dos "tories" eurocéticos. A incessante pressão dentro de seu próprio partido, o Conservador, levou Cameron a começar o ano, no dia 23 de janeiro, com a promessa de um referendo sobre a permanência do Reino Unido na União Europeia (UE). Mas o líder "tory" tentou afastar o problema que pode culminar em uma eventual saída do bloco europeu, que as grandes empresas britânicas não desejam, situando a data de realização da consulta para 2017, o que só ocorrerá, além disso, se os conservadores ganharem as eleições gerais de 2015. As pesquisas não são favoráveis para o Partido Conservador e nem para seus parceiros da coalizão de Governo, os liberal-democratas de Nick Clegg, pois são lideradas pelo Partido Trabalhista de Ed Miliband, na oposição desde a vitória de Cameron em 2010. Miliband, cuja liderança está sendo minada pela falta de popularidade, pode presumir no entanto ter mudado neste ano o curso de uma intervenção internacional contra a Síria que parecia inevitável. Foi a votação na Câmara dos Comuns de 29 de agosto que rejeitou a guerra contra a Síria, por apenas 13 votos de diferença, e que levou o presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, a solicitar o apoio de seu Congresso e que acabou paralisando a intervenção militar contra o regime de Bashar al Assad por seu suposto uso de armas químicas contra a população civil. O "não" dos Comuns, defendido por Militand, evidenciou que o fantasma da Guerra do Iraque continua vivo no Reino Unido dez anos depois, além de representar um grave erro de cálculo do primeiro-ministro, que interrompeu o recesso de verão dos deputados para que aprovassem, em caráter de urgência, sua decisão de atacar a Síria, sem sucesso. David Cameron recebeu menos críticas internas com relação ao vazamento de revelações denunciadas durante meses pelo ex-analista da CIA Edward Snowden ao jornal britânico "The Guardian" sobre a espionagem na internet de Washington com apoio de Londres. O primeiro-ministro do Reino Unido censurou duramente as revelações de Snowden sobre a vigilância na internet da Agência Nacional de Inteligência (NSA), com participação do centro de escutas britânico "GCHQ", e defendeu a legalidade do trabalho dos serviços de inteligência do Reino Unido. "O que Snowden fez efetivamente, e o que alguns jornais nos ajudam a fazer, é transformar em muito mais difícil a proteção de nossos países e de nossa população", foi a posição mantida por Cameron, que chegou a ameaçar o "The Guardian" por suas informações. No entanto, embora as organizações civis e de jornalistas tenham censurado o que consideram um ataque à liberdade de imprensa e o "The Guardian" ter continuado publicando mais dados sobre a espionagem, o Governo conservador saiu vivo do escândalo. Assim foi demonstrado na histórica ida ao Parlamento dos chefes dos serviços britânicos de espionagem, em 7 de novembro, quando a oposição trabalhista foi morna e evitou perguntas comprometedoras, em uma sessão na qual de novo Snowden foi acusado de "pôr em risco" a segurança do Reino Unido. Agora David Cameron enfrenta em 2014 seu último ano completo antes das eleições gerais, que será marcado pelo resultado do referendo que será realizado na Escócia em 18 de setembro para decidir se se tornará independente do Reino Unido, o que pode marcar o futuro político do líder conservador. EFE psh/ff/ma

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