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Cameron e Miliband buscam últimos votos em véspera de eleição no Reino Unido

Internacional|Do R7

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Guillermo Ximenis. Londres, 6 mai (EFE).- A campanha eleitoral no Reino Unido termina nesta quarta-feira com os trabalhistas e os conservadores empatados nas pesquisas, um complexo cenário político que só começará a ser resolvido amanhã depois das eleições gerais mais incertas das últimas décadas no país. O primeiro-ministro, o conservador David Cameron, e o líder trabalhista, Ed Miliband, aproveitaram as últimas horas antes da abertura dos colégios, quinta-feira às 7h (3h em Brasília) para percorrer diversas circunscrições em que ainda há cadeiras em jogo. As pesquisas de intenções de voto indicam que os dois principais partidos terão votações semelhantes, próximas dos 34%, apesar de as projeções mostrarem os conservadores com mais de assentos na Câmara dos Comuns devido ao peculiar sistema eleitoral britânico, no qual cada um dos 650 distritos do país elege um só deputado e descarta os outros candidatos. Apesar dessa mínima vantagem em cadeiras, Cameron não teria prioridade para tentar formar o governo, o que deixaria a porta aberta para Miliband se aproximar do Partido Nacionalista Escocesa (SNP), que, segundo as pesquisas, conquistará um peso inédito em Westminster e com isso ser a chave da governabilidade. O primeiro-ministro, que concorre ao segundo mandato, acusou hoje seu principal rival nestas eleições de "roubar" seus eleitores por ter descartado uma coalizão formal com o SNP, apesar de acreditar que os trabalhistas buscarão o apoio dos independentistas escoceses para que Miliband chegue a Downing Street. A situação inquieta Cameron, como ele mesmo admitiu: "Estive nervoso durante toda esta campanha eleitoral", em uma entrevista ao "Channel 5". "Claramente, está muito apertada e por isso estou fazendo campanha até o último momento", afirmou o primeiro-ministro do Reino Unido. Cameron insistiu que seu objetivo é conseguir maioria suficiente para governar sozinho, apesar de ter lembrado que caso precise abrir uma negociação para continuar governando, colocará "os interesses do país" à frente. Miliband, por sua vez, não quis hoje especular sobre possíveis pactos pós-eleitorais se para dedicar "até o último minuto" da campanha para passar sua mensagem aos eleitores. "Muita gente ainda tem que tomar uma decisão para estas eleições. Minha mensagem para esses indecisos é que podem optar por outros cinco anos com um primeiro-ministro que dá prioridade aos ricos e poderosos ou, se eu for primeiro-ministro, pôr os trabalhadores à frente", disse Miliband. À campanha trabalhista uniu-se também hoje o ex-chefe do governo britânico Tony Blair, que exatamente no dia de seu 62º aniversário publicou no Twitter uma mensagem em que se lê: "Precisamos de um governo trabalhista e Ed no número 10 (de Downing Street) para que nosso país tenha um futuro melhor". Quem abordou as possibilidades da aritmética parlamentar após as eleições foi a líder nacionalista escocesa Nicola Sturgeon, que afirmou que o SNP "usará sua influência para garantir que os 'tories' sejam substituídos por algo melhor, mais valente e mais progressista". Poucos meses depois do referendo sobre a independência da Escócia, em setembro, em que 55% dos eleitores escolheram permanecer no Reino Unido, o SNP pretende ganhar dos trabalhistas a maioria dos 59 assentos reservados em Westminster para a região. O liberal-democrata Nick Clegg, que nesta legislatura compôs governo com Cameron e cujo partido, segundo as pesquisas, perderá mais da metade de suas cadeiras (27 das atuais 57), está convencido, apesar de tudo, de que seu partido voltará a ter um papel relevante nas negociações de composição do governo. Os analistas políticos no Reino Unido são unânimes em assinalar que o resultado apertado das pesquisas complicará a governabilidade do país para este mandato. "Seria possível chegarem a repetir as eleições se não houver um resultado claro, embora seja preciso levar em conta que os partidos podem não desejar essa situação, que representa mais gastos. Inclusive algumas formações poderiam perder cadeiras", explicou à Agência Efe Benjamin Lauderdale, analista político da London School of Economics (LSE). EFE gx/cd (foto) (vídeo)

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