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Celac e UE iniciam nova era, conscientes de que precisam de cooperação mútua

Internacional|Do R7

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Rosa Jiménez. Santiago do Chile, 27 jan (EFE).- A União Europeia (UE) e a Comunidade de Estados Latino-Americanos e Caribenhos (Celac) iniciaram neste fim de semana em Santiago uma nova era em sua relação estratégica, conscientes de que um precisa do outro para complementar suas economias e consolidar o multilateralismo. "Essa convicção compartilhada de que dependemos um do outro é o que forma a base de nossa relação", indicou em entrevista coletiva o presidente do Conselho Europeu, Herman van Rompuy, ao fim de dois dias de cúpula da qual participaram 60 delegações europeias e latino-americanas. A grande novidade da sétima cúpula realizada pelas duas regiões foi que os países da América Latina e o Caribe estiveram presentes agrupados em um só bloco, a Celac, um organismo de integração regional impulsionado pelo presidente da Venezuela, Hugo Chávez, o "grande ausente" da reunião, devido a seu câncer. A recente organização abriu a porta para uma nova era nas relações com a União Europeia, determinada também pelo fato de que a América Latina exibe um sólido crescimento econômico, enquanto o "Velho Continente" vive em recessão. O presidente chileno, Sebastián Piñera, anfitrião de uma cúpula elogiada por seus colegas, fez uma convocação desde o início para criar uma nova aliança estratégica, com uma relação "menos vertical e mais horizontal, evoluindo da assistência para a verdadeira cooperação". A Declaração de Santiago, que resultou do encontro, faz um repasse aos extensos âmbitos de cooperação das duas regiões, que iniciaram sua relação estratégica em 1999. O tema central da reunião era propiciar investimentos de qualidade que favoreçam os cidadãos e sejam respeitosos com o meio ambiente. Mas foi a segurança jurídica dos investimentos o assunto mais polêmico da cúpula, especialmente após as recentes nacionalizações que afetaram capitais espanhóis na Argentina e na Bolívia e, na Venezuela, americanos, espanhóis e franceses. Apesar da divergência quanto a esse tema entre os países europeus e alguns latino-americanos, a declaração final reafirmou a importância de contar com marcos reguladores "estáveis e transparentes" que proporcionem "segurança jurídica para os operadores econômicos". No entanto, o documento também reconhece "o direito dos países a legislar para cumprir os objetivos de suas políticas nacionais, de acordo com seus compromissos e obrigações internacionais". A Aliança Bolivariana para as Américas (formada por Bolívia, Cuba, Equador e Venezuela, entre outros) e a Argentina se opuseram a que a declaração incluísse o compromisso dos países latino-americanos a garantir essa certeza legal. A UE é o principal investidor estrangeiro direto nos países da Celac, e em 2010 acumulava um investimento na região de 385 milhões de euros, superior aos da Rússia, Índia e China somados. Enquanto os membros da Celac puseram sobre a mesa um crescimento econômico de 3,1% em 2012, os 27 membros da UE reiteraram os esforços iniciados para materializar sua recuperação econômica, complementando sua união econômica e monetária, e enfatizaram que sua economia continua sendo a mais importante do mundo. Piñera cumprimentou com otimismo os progressos europeus e se mostrou "absolutamente convencido de que foram dados os passos (certos)" para superar a crise. A reunião de Santiago também serviu para estabelecer que Chile e México revisem seus respectivos acordos com a UE, que têm mais de dez anos, e definir a próxima entrada em vigor dos tratados de livre-comércio da Colômbia e Peru com a União Europeia, assim como o acordo de associação da América Central com os 27. Além disso, o bloco europeu e o Mercosul acordaram avançar em suas negociações estagnadas para um acordo de associação com uma reunião marcada para o último trimestre do ano. Os líderes também deram sinal verde a um plano de ação para o período 2013-2015, que servirá para tentar modelar com ações concretas os objetivos pactuados na cúpula, e que inclui pela primeira vez capítulos específicos sobre investimentos e voltados a refrear a violência contra mulheres. Tanto a UE como a Celac acordaram seguir defendendo o multilateralismo, assim como potencializar sua colaboração em assuntos de interesse mútuo e em nível mundial como a estabilidade internacional, o desenvolvimento sustentável, a mudança climática, a justiça social, os direitos humanos, a luta contra as drogas e o crime organizado e a segurança. Em relação a isso, os latino-americanos deram especial ênfase a fazer ouvir sua voz na reforma dos organismos multilaterais, como as Nações Unidas, o Fundo Monetário Internacional e o Banco Mundial. A reunião de Santiago também evidenciou diferentes visões sobre a saída da crise no seio da UE, como a expressada pelo presidente do governo espanhol, Mariano Rajoy. Rajoy falou no Chile sobre a necessidade de que alguns países apliquem políticas expansivas, mas a chanceler Angela Merkel respondeu que a Alemanha já está fazendo sua parte para conseguir uma zona do euro "robusta", e sugeriu que a Espanha aproveite suas vantagens competitivas para exportar mais à América Latina. EFE rja/tr (foto)(vídeo)

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