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Centro-direita é favorita na Islândia após colapso de 2008

Internacional|Do R7

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Anxo Lamela. Copenhague, 26 abr (EFE).- A centro-direita é a grande favorita para vencer as eleições legislativas islandesas deste sábado, o que significaria o retorno ao poder dos partidos que impulsionaram as políticas neoliberais que levaram o país ao colapso econômico de 2008. Todas as pesquisas apontam para uma maioria cômoda da centro-direita, enquanto a coalizão de esquerda que governou a Islândia nos últimos quatro anos perde apoio. A única dúvida que parece restar é se vencerá o conservador Partido da Independência ou o centrista Partido do Progresso, virtualmente empatados. Centristas e conservadores governaram juntos entre 1995 e 2007, período no qual começou a onda privatizadora, iniciada pelos principais bancos da ilha, que chegaram a ter um tamanho equivalente a dez vezes o PIB da Islândia e cuja quebra deixou o país em uma crise sem precedentes. Os protestos pela situação econômica tiraram do poder o governo do conservador Geir H. Haarde e levaram ao governo a Aliança Social-Democrata e o Movimento de Esquerda Verde. Mas o primeiro governo de esquerda em 69 anos de independência da Islândia não cumpriu as expectativas geradas, e apesar de ambos partidos terem mudados de líderes, as pesquisas indicam uma perda de pelo menos metade dos votos obtidos em 2009. Embora tenha conseguido estabilizar as finanças obtendo um ligeiro crescimento econômico e reduzido o desemprego e a inflação, o programa de ajuste imposto pelo Fundo Monetário Internacional (FMI) que o governo seguiu à risca teve um custo social elevado. A coalizão da primeira-ministra social-democrata, Johanna Sigurdardottir, não resolveu o alto endividamento hipotecário das famílias, não levou adiante uma reforma do sistema de cotas pesqueiras e não reformou a Constituição. Além disso, ocorreram disputas no seio da coalizão por questões relativas à União Europeia (UE) e sobre indenizações a poupadores estrangeiros pela quebra do banco Icesave. Por todos estes motivos, entende-se porquê o governo ficou em minoria na metade da legislatura e com cotas de impopularidade muito elevadas. Esse descontentamento foi aproveitado pelo Partido do Progresso, tradicionalmente um partido conservador menor e que pela primeira vez poderia ganhar uma eleição graças a sua oposição aos acordos assinados pelo governo no caso Icesave e a sua proposta para reduzir em 20% a dívida hipotecária dos islandeses. O triunfo da legenda causaria problemas para o Partido da Independência, que até 2009 foi a força dominante na Islândia, e poderia provocar a saída de se líder, Bjarni Benediktsson, criticado por falta de carisma. Enquanto isso, sociais-democratas e verdes se agarram a uma leve alta apresentada nas últimas enquetes, embora ainda estejam longe da centro-direita. Os dois partidos chegaram a recorrer ao centrista Futuro Brilhante, uma nova formação que assim como o Partido Pirata deverá ganhar muitas cadeiras no Parlamento. A campanha eleitoral girou em torno do problema das hipotecas, vinculadas à inflação, que disparou com a crise, e a outros temas como emprego, saúde e a entrada na UE, o que hoje parece distante. Forçada por seus aliados verdes, Johanna Sigurdardottir suspendeu temporariamente as negociações com Bruxelas em janeiro, apelando para a impossibilidade de concluí-las antes das eleições. Há quatro anos, no entanto, os sociais-democratas falavam em entrar no bloco europeu antes da Croácia. O conflito com vários países da UE pelo caso Icesave, pelas cotas de captura pesqueira e a crise do euro fizeram renascer o tradicional euroceticismo dos islandeses. Segundo uma pesquisa publicada há dois dias pela televisão pública "RUV", 52,2% dos cidadãos se opõe ao ingresso na Islândia na UE, contra 27,6% que defendem sua entrada. EFE alc/dk

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