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Chefe da oposição síria se reúne com russos e americanos

Internacional|Do R7

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Discussões foram realizadas neste sábado em Munique entre o chefe da oposição síria e autoridades de alto nível de Rússia e Estados Unidos para tentar retomar os esforços por uma solução política para o conflito na Síria.

Ahmed Moaz al-Khatib, que surpreendeu esta semana anunciando que estava preparado para negociar sob condições um diálogo com o regime sírio, se reuniu pela primeira vez com o chefe da diplomacia russa, Serguei Lavrov.


Segundo agências noticiosas russas, Moscou anunciou estar aberta a manter "contatos regulares" com a oposição síria e saudou o desejo de seu líder de estabelecer um diálogo com condições com o regime de Bashar al Assad, seu aliado.

A Rússia decidiu fazer este gesto de abertura depois de Al Khatib anunciar a disposição de dialogar com o regime de Damasco, excetuando os líderes "com sangue nas mãos".


"Saudamos este gesto", afirmou Lavrov. "É um passo muito importante, se levarmos em conta que a coalizão tinha como fundamento o repúdio" deste diálogo e insistia em que antes de negociar qualquer coisa o presidente Assad devia renunciar.

O ministro russo valorizou que "o realismo tenha se imposto".


Já Biden insistiu com Khatib a "manter a unidade dentro da liderança da coalizão opositora síria, a isolar os elementos extremistas dentro do conjunto da oposição, e incluir um amplo espectro de comunidades sírias, como os alauítas, os cristãos e os curdos", destacou a Casa Branca.

Durante a conferência de segurança, que continua neste domingo, Lavrov também se reuniu com o vice-presidente americano, Joe Biden.


Os dois reconheceram publicamente que profundas divergências continuam a colocá-los em lados opostos em relação às condições para pôr fim à guerra civil na Síria, que deixou mais de 60.000 mortos em cerca de dois anos.

Apesar destas desavenças, a Casa Branca insistiu na importância de que "os dois países trabalhem juntos pelo interesse da paz internacional e da segurança, inclusive na Síria".

"Trabalhamos juntos, com nossos aliados, para que (a oposição síria) esteja mais unida, seja mais solidária", disse Biden perante autoridades de vários países.

Os países ocidentais, a começar pelos Estados Unidos, e também algumas nações árabes, têm pedido a renúncia do presidente Bashar al-Assad.

O vice-presidente Biden pediu à comunidade internacional que reforce seu apoio à oposição síria contra o regime de Assad, a quem se referiu como um "tirano decidido a se manter no poder", mas que no entanto "não consegue mais comandar a nação".

Mas, mantendo a posição oficial russa, Lavrov considerou esta exigência um obstáculo "de primeira ordem" para uma solução negociada.

O chanceler russo avaliou que podem se conseguir avanços se se reunir novamente o Grupo de Ação sobre a Síria, conduzido pelo mediador internacional Lakhdar Brahimi, para explorar medidas transitórias.

Também presente em Munique, Brahimi não escondeu o fato de que não há solução em vista atualmente, que a situação na Síria é crítica e que o país "estava explodindo a cada dia um pouco mais".

Seguindo a mesma constatação, Biden manifestou o seu desejo de que a comunidade internacional reforce o seu apoio aos adversários do regime de Bashar al-Assad, que ele classificou de "tirano determinado a se manter no poder".

Um jornal turco indicou neste sábado que Ancara havia proposto recentemente à Rússia uma nova fórmula prevendo a saída de Assad no primeiro trimestre de 2013 e a transferência do poder, por um período de transição, para a Coalizão Nacional. Moscou teria considerado essas propostas "criativas", segundo o jornal Radikal.

Paralelamente, os temores de uma regionalização do conflito são cada vez mais fortes. Um alto funcionário americano confirmou que Israel bombardeou esta semana com mísseis terra-ar um complexo militar suspeito de abrigar armas químicas perto de Damasco, devido a temores do Estado hebreu de que caíssem nas mãos do Hezbollah libanês.

"O caos na Síria gerou um ambiente no qual a possibilidade de que essas armas atravessem a fronteira e caiam nas mãos do Hezbollah se tornou mais preocupante", disse à AFP o secretário americano de Defesa Leon Panetta.

Damasco havia acusado na quarta-feira Israel de ter bombardeado um centro de pesquisas militares, ameaçando com represálias, mas o Estado hebreu não confirmou a ação.

Panetta afirmou que Washington também está preocupado com o fato de Israel "fazer de tudo para garantir que armas como os mísseis SA-17, ou armas químicas, caiam nas mãos de terroristas".

Em sua chegada a Damasco, uma das principais lideranças iranianas reafirmou o apoio de seu país à Síria, da qual é o principal aliado regional.

"Daremos todo o nosso apoio para que a Síria se mantenha firme e capaz de enfrentar todos os complôs arrogantes", declarou Said Jalili, secretário do Conselho Supremo de Segurança Nacional, citado pela rede de televisão estatal. O termo "arrogantes" é geralmente utilizado por Teerã para designar as potências ocidentais.

No terreno, pelo menos 20 soldados sírios morreram neste sábado em dois atentados suicidas com carros-bomba contra um clube de oficiais em Deraa, no sul, indicou uma ONG.

No total, a violência deixou neste sábado 49 mortos, sendo 29 soldados, 13 civis e sete rebeldes, segundo um registro provisório do Observatório Sírio dos Direitos Humanos (OSDH) que se baseia em uma rede de militantes e de médicos de hospitais civis e militares.

Os rebeldes avançaram mais ao tomar Sheikh Said, um bairro do sul de Aleppo (norte), segundo moradores e o OSDH.

bur-ram-jri/dm

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