Chefe da oposição síria se reúne com russos e americanos
Internacional|Do R7
Discussões foram realizadas neste sábado em Munique entre o chefe da oposição síria e autoridades de alto nível de Rússia e Estados Unidos para tentar retomar os esforços por uma solução política para o conflito na Síria.
Ahmed Moaz al-Khatib, que surpreendeu esta semana anunciando que estava preparado para negociar sob condições um diálogo com o regime sírio, se reuniu pela primeira vez com o chefe da diplomacia russa, Serguei Lavrov. Ele também se reuniu com o vice-presidente americano, Joe Biden.
Nenhuma informação foi fornecida sobre o teor desses encontros, realizados nos salões do hotel de luxo que abriga até domingo a 49ª Conferência sobre segurança, em Munique.
Segundo a imprensa, Biden e Lavrov também se encontraram, pouco depois de terem reconhecido publicamente que profundas divergências continuam a colocá-los em lados opostos em relação às condições para pôr fim à guerra civil na Síria, que deixou mais de 60.000 mortos em cerca de dois anos.
Também presente em Munique, o mediador internacional, Lakhdar Brahimi, não escondeu o fato de que não há solução em vista atualmente e que a situação na Síria é crítica.
Seguindo a mesma constatação, Biden manifestou o seu desejo de que a comunidade internacional reforce o seu apoio aos adversários do regime de Bashar al-Assad, que ele classificou de "tirano determinado a se manter no poder".
"Trabalhamos juntos com nossos parceiros para que ela (a oposição) seja mais unida, mais solidária", declarou o vice-presidente americano, sem dar maiores detalhes.
Os países ocidentais, com os Estados Unidos à frente, e alguns países árabes querem que o presidente Assad deixe o poder.
Mas Lavrov considerou que essa exigência representa um grande obstáculo para a busca de uma solução negociada.
Ele considerou, por outro lado, que é possível "fazer progressos" se o grupo de ação sobre a Síria, conduzido por Lakhdar Brahimi, se reunir novamente para tentar obter medidas de transição.
Um jornal turco indicou neste sábado que Ancara havia proposto recentemente à Rússia uma nova fórmula prevendo a saída de Assad no primeiro trimestre de 2013 e a transferência do poder, por um período de transição, para a Coalizão Nacional. Moscou teria considerado essas propostas "criativas", segundo o jornal Radikal.
Ataque israelense confirmado
Paralelamente, os temores de uma regionalização do conflito são cada vez mais fortes. Um alto funcionário americano confirmou que Israel bombardeou esta semana com mísseis terra-ar um complexo militar suspeito de abrigar armas químicas perto de Damasco, devido a temores do Estado hebreu de que caíssem nas mãos do Hezbollah libanês.
"O caos na Síria gerou um ambiente no qual a possibilidade de que essas armas atravessem a fronteira e caiam nas mãos do Hezbollah se tornou mais preocupante", disse à AFP o secretário americano de Defesa Leon Panetta.
Damasco havia acusado na quarta-feira Israel de ter bombardeado um centro de pesquisas militares, ameaçando com represálias, mas o Estado hebreu não confirmou a ação.
Panetta afirmou que Washington também está preocupado com o fato de Israel "fazer de tudo para garantir que armas como os mísseis SA-17, ou armas químicas, caiam nas mãos de terroristas".
Em sua chegada a Damasco, uma das principais lideranças iranianas reafirmou o apoio de seu país à Síria, da qual é o principal aliado regional.
"Daremos todo o nosso apoio para que a Síria se mantenha firme e capaz de enfrentar todos os complôs arrogantes", declarou Said Jalili, secretário do Conselho Supremo de Segurança Nacional, citado pela rede de televisão estatal. O termo "arrogantes" é geralmente utilizado por Teerã para designar as potências ocidentais.
No terreno, pelo menos 20 soldados sírios morreram neste sábado em dois atentados suicidas com carros-bomba contra um clube de oficiais em Deraa, no sul, indicou uma ONG.
No total, a violência deixou neste sábado 49 mortos, sendo 29 soldados, 13 civis e sete rebeldes, segundo um registro provisório do Observatório Sírio dos Direitos Humanos (OSDH) que se baseia em uma rede de militantes e de médicos de hospitais civis e militares.
Os rebeldes avançaram mais ao tomar Sheikh Said, um bairro do sul de Aleppo (norte), segundo moradores e o OSDH.
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