China relembra vítimas de terremoto de Sichuan em meio a onda de críticas
Internacional|Do R7
Pequim, 12 mai (EFE).- A China relembra neste domingo o terremoto ocorrido há 5 anos em Sichuan e que deixou 90 mil mortos, entre elogios pela recuperação da cidade e críticas sobre a forma como foram construídos os colégios públicos cujos desabamentos mataram milhares de crianças. Na tarde de 12 de maio de 2008, um tremor de magnitude 8, com epicentro na comarca de Wenchuan, sacudiu Sichaun, em um terremoto que é considerado o pior em mais de 30 anos no país e que deixou cerca de 4,5 milhões de feridos. Muitas das vítimas foram crianças, que se encontravam em horário escolar e foram surpreendidos pelo desabamento de suas escolas. Cerca de 7 mil colégios ficaram destruídos. Muitas foram as vozes que denunciaram que estes centros escolares tinham sido construídos com materiais de pouca qualidade. A população também denunciou que o dinheiro que deveria ter sido empregado na construção das escolas, acabou no bolso dos construtores e das autoridades locais. O artista e dissidente chinês Ai Weiwei, que em 2009 recebeu uma surra por tentar testemunhar no julgamento de um ativista que denunciava os casos de corrupção no desabamento das escolas, postou neste domingo, em sua conta no Twitter, um link da obra "Lembrança", composta com gravações com os nomes das crianças mortas no terremoto. O dissidente, que calcula que cerca de 5 mil estudantes faleceram naquela catástrofe -não existe um número oficial-, fomenta uma campanha, sob o título "aiflowers", para desenhar ou fotografar flores em homenagem às mães que perderam filhos na catástrofe. A iniciativa tem uma importante carga simbólica, já que o aniversário coincide com a celebração do Dia da Mãe na China e outros países. O escritor Li Mingsheng, em seu blog, enumera em pelo menos 3.820 as crianças mortas nas escolas -só 1.300 na escola de ensino médio de Beichuan, a cidade mais afetada pelo terremoto-, e se pergunta "no terremoto de Wenchuan, por que morreram tantos estudantes? As razões que levaram a uma tragédia tão terrível, no final quais são?" Na rede de microblogs Weibo, similar ao Twitter, um usuário que se identifica como "Dancemos juntos na praça" afirma que "no quinto aniversário, lembramos as vítimas inocentes do trabalho incompetente. Os culpados serão castigados pela História". A imprensa oficial chinesa ignora o fato e prefere se concentrar no êxito das tarefas de reconstrução. O jornal "China Daily" publica um especial em lembrança do terremoto, e assegura que as lições aprendidas permitiram uma resposta mais eficaz ao terremoto de Lushan, em uma área próxima a Weichuan, e que com sete graus de magnitude no mês passado deixou cerca de 200 mortos. "O terremoto de Wenchuan motivou projetos de reforço em todo o país para os edifícios escolares, e as novas escolas construídas em zonas sísmicas foram designadas para resistir a terremotos de maior magnitude", afirma o periódico. Por sua vez, o "Diário do Povo", o jornal do Partido Comunista da China, destaca a "resistência de Wenchuan" e aponta que após aquele terremoto, "o número de voluntários não deixou de crescer". "Os esforços dos voluntários se transformaram em uma parte integral dos trabalhos de assistência e reconstrução em casos de desastre", acrescenta. "Em menos de três anos, a zona do desastre de Wenchuan completou as tarefas de reconstrução a uma velocidade impressionante", destaca o jornal, antes de concluir que "a melhor maneira de comemorar o quinto aniversário é conseguir uma nova vitória na construção de uma sociedade próspera". EFE mv/ff













