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Cientistas fazem pão com fermento encontrado no intestino de múmia de 5.300 anos

Pesquisa revela microrganismos ainda ativos no corpo congelado e abre caminho para estudos sobre alimentação pré-histórica

Internacional|Do R7

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LEIA AQUI O RESUMO DA NOTÍCIA

  • Cientistas italianos produziram pão usando leveduras do intestino da múmia Ötzi, de 5.300 anos.
  • Leveduras adaptadas ao frio foram encontradas no corpo congelado, ainda metabolicamente ativas.
  • Estudos indicam possíveis usos ambientais, como descontaminação de ambientes poluídos.
  • A pesquisa também revelou detalhes sobre a dieta pré-histórica e o microbioma intestinal de Ötzi.

Produzido pela Ri7a - a Inteligência Artificial do R7

Ötzi, o "homem de gelo", está sendo mantido pelo Museu de Arqueologia do Tirol do Sul, na Itália Museu de Arqueologia do Tirol do Sul

Uma equipe de cientistas da Itália conseguiu produzir um pão de fermentação natural usando leveduras encontradas no intestino de Ötzi, uma famosa múmia congelada conhecida como “Homem de Gelo”, que viveu há cerca de 5.300 anos nos Alpes, entre as atuais Áustria e Itália. O estudo foi publicado na revista científica Microbiome.

Ötzi morreu muito antes da construção das pirâmides do Egito. Segundo pesquisas anteriores, ele foi atingido por uma flecha nas costas enquanto atravessava os Alpes. O corpo permaneceu congelado até ser descoberto por dois turistas alemães em 1991, na região italiana do Tirol do Sul.


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Desde então, os restos mortais são mantidos a -6°C, a mesma temperatura do ambiente onde a múmia ficou preservada por milênios. O estado de conservação permitiu que cientistas analisassem detalhes raros da vida humana pré-histórica.

Na pesquisa mais recente, os cientistas descobriram que microrganismos antigos e modernos continuam ativos no corpo congelado. A principal surpresa foi a presença de quatro tipos diferentes de leveduras adaptadas ao frio extremo, encontradas no intestino, na pele e até na água escura gerada pelo descongelamento parcial da múmia durante exames.


O pesquisador Mohamed Sarhan, do instituto Eurac Research, em Bolzano, afirmou que os cientistas não esperavam encontrar leveduras vivas. Segundo ele, os organismos continuam metabolicamente ativos e respondendo ao ambiente ao redor do corpo.

As leveduras identificadas normalmente vivem em regiões extremamente frias, como a Antártida. Os pesquisadores acreditam que elas entraram no corpo logo após a morte de Ötzi. Análises genéticas apontaram níveis de degradação do DNA semelhantes aos encontrados nos microrganismos originais da múmia.


Depois da descoberta, a equipe decidiu reproduzir as leveduras em laboratório, usando um refrigerador. O objetivo inicial era testar se os organismos poderiam ser utilizados para produzir pão. Sarhan contou que os primeiros testes fracassaram, mas, após três meses de trabalho, os cientistas conseguiram criar um pão de fermentação natural que ele descreveu como “muito, muito bom”.

Os pesquisadores afirmaram que também estudam a possibilidade de usar as leveduras na produção de cerveja. Segundo Sarhan, a ideia “está na lista” de futuros experimentos.


Além da curiosidade gastronômica, o estudo aponta possíveis aplicações ambientais. Quando a múmia foi descoberta, em 1991, ela recebeu fenol para impedir o crescimento de fungos. Os cientistas descobriram que as leveduras conseguem degradar essa substância química, levantando a possibilidade de uso futuro na descontaminação de ambientes poluídos.

A pesquisa também revelou detalhes sobre o microbioma intestinal de Ötzi. Os cientistas encontraram uma bactéria intestinal praticamente inexistente em pessoas de países industrializados atualmente, mas ainda presente em algumas tribos da África e da América do Sul.

A mesma bactéria já havia sido encontrada em fezes humanas preservadas há cerca de 3.000 anos em uma mina de sal na Áustria. Segundo os pesquisadores, tanto Ötzi quanto esses antigos trabalhadores consumiam dietas ricas em fibras e grãos integrais, bem diferentes da alimentação moderna.

O estudo conclui que a múmia não deve ser vista apenas como uma cápsula do tempo congelada, mas como um ecossistema complexo e dinâmico, onde microrganismos antigos convivem com organismos que chegaram ao corpo nas últimas décadas.

Apesar das descobertas, especialistas alertam que ainda é cedo para afirmar se as leveduras representam algum risco para a preservação da múmia. O pesquisador Nikolay Oskolkov, do Instituto Letão de Síntese Orgânica, observou que as amostras analisadas foram coletadas apenas em 2010 e 2019, o que, segundo ele, oferece poucas evidências de que os organismos tenham permanecido ativos continuamente ao longo de milhares de anos.

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