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Por que os alertas sobre o estoque de munições dos EUA parecem cada vez mais decisivos

Apesar de afirmar que os arsenais estão abastecidos, o governo Trump admite dificuldades para repor armamentos de alta tecnologia

Internacional|Aaron Blake, da CNN Internacional

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LEIA AQUI O RESUMO DA NOTÍCIA

  • O general Dan Caine expressou preocupação com a redução dos estoques de munições dos EUA devido ao apoio militar à Ucrânia e Israel.
  • O governo Trump enfrenta dificuldades para reabastecer arsenais de alta tecnologia, apesar de afirmar que os estoques são amplos.
  • Há mensagens contraditórias sobre a real situação dos estoques, com acusações ao governo Biden pelo esgotamento dos arsenais.
  • A questão dos estoques de munições impacta a capacidade dos EUA de enfrentar futuros conflitos e pode influenciar a política externa do país.

Produzido pela Ri7a - a Inteligência Artificial do R7

Donald Trump
Governo Trump tem dado sinais confusos sobre a capacidade militar dos EUA Evan Vucci/Reuters - 27.07.2026

Apenas alguns dias antes do início da guerra contra o Irã, o principal oficial militar dos Estados Unidos, o chefe do Estado-Maior Conjunto, general Dan Caine, demonstrou preocupação.

Uma das maiores inquietações de Caine? Como um conflito com o Irã poderia reduzir ainda mais os estoques de munições dos EUA, que já haviam sido diminuídos devido ao apoio militar fornecido à Ucrânia e a Israel em seus conflitos nos últimos anos, segundo reportagens do Washington Post e da CNN.


Esse alerta parece agora cada vez mais pertinente e decisivo, à medida que o governo Trump enfrenta dificuldades para encerrar uma guerra que já dura muito mais do que havia previsto.

Mas a administração está tendo dificuldades para conciliar exatamente qual é a situação em torno da questão crucial dos estoques de munição.


Por um lado, afirma que os EUA têm munições mais do que suficientes — chegando a dizer que Trump aumentou amplamente os estoques e que a quantidade é “ilimitada”. Por outro, culpa o governo Biden por ter esgotado os arsenais e pede grandes quantias de dinheiro para reabastecê-los, ao mesmo tempo em que alerta para possíveis déficits caso o Congresso não aprove os recursos.

“Estamos em ótima situação”, disse Trump na segunda-feira (27). “Mas, quando falamos de alguns equipamentos mais sofisticados, certamente gostaríamos de ter mais. O (ex-presidente Joe) Biden distribuiu muito disso.”


O presidente afirmou que seu antecessor entregou quantidades “como ninguém jamais viu antes”.

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A entrevista do embaixador dos EUA na ONU, Michael Waltz, ao programa Meet the Press, da NBC News, no domingo (26), também ilustrou bem a mensagem confusa do governo.


Questionado sobre reportagens da CNN e de outros veículos de que Caine voltou a demonstrar preocupação com os estoques nos últimos dias — pouco antes de os EUA suspenderem seus ataques ao Irã na sexta-feira (24) — Waltz, assim como Trump, responsabilizou o governo Biden.

“O secretário de Defesa, Pete Hegseth, herdou uma situação enfraquecida não apenas por causa da Ucrânia, mas também pela luta contínua contra os houthis durante o governo Biden e por um Exército enfraquecido sob Biden”, afirmou.

Mas, pressionado pela jornalista Kristen Welker sobre se estava admitindo que os estoques realmente estavam reduzidos, Waltz negou.

“Não. Quero deixar absolutamente claro: as Forças Armadas dos EUA — e eu verifiquei isso de todas as formas possíveis — têm tudo o que precisam para conduzir esta campanha de maneira tão eficaz quanto necessário”, respondeu.

A declaração de Waltz caminha numa linha tênue.

Como a CNN informou, o risco relacionado aos estoques de munição não é exatamente que os EUA não tenham recursos suficientes para concluir a guerra contra o Irã, mas sim até que ponto esse conflito pode comprometer a capacidade do país de enfrentar futuras guerras nas quais se sinta obrigado a se envolver.

Isso inclui cenários como uma eventual invasão chinesa de Taiwan. Um estoque reduzido dos EUA poderia até encorajar a China a tomar medidas que talvez não considerasse em outras circunstâncias.

As mensagens contraditórias do governo sobre munições remontam aos primeiros dias do conflito com o Irã.

Após várias reportagens destacando essas preocupações no início da guerra, a administração minimizou completamente o problema.

“Temos enormes quantidades de munição”, disse Trump em 4 de março.

No dia seguinte, Hegseth afirmou que “não há escassez de munições” e que “nossos estoques estão completamente abastecidos”.

“Temos quantidades tremendas de munição”, reforçou Trump em 26 de março, acrescentando que os Estados Unidos estavam “lotados”.

Mas, mesmo em suas declarações de 4 de março, o presidente pareceu sugerir — assim como fez novamente na segunda-feira — que determinados tipos de armamentos poderiam ser motivo de preocupação.

Embora tenha afirmado que os EUA possuíam munição de nível médio e superior “ilimitada”, tratou as munições de alta tecnologia de forma diferente. Sobre elas, disse: “Doamos muitas das mais avançadas, mas ainda temos bastante.”

Em 21 de abril, a CNN informou que dados sigilosos do Pentágono coincidiam com uma análise do Centro de Estudos Estratégicos e Internacionais (CSIS), indicando quedas acentuadas em alguns desses armamentos de alta tecnologia.

Segundo o estudo, o governo já havia utilizado:

  • Pelo menos 45% dos seus mísseis Precision Strike;
  • Pelo menos metade dos mísseis THAAD;
  • Quase 50% dos interceptadores Patriot;
  • Cerca de 30% dos mísseis Tomahawk.

Em 30 de abril, durante audiência na Comissão de Serviços Armados do Senado, Hegseth aparentemente confirmou que seriam necessários “meses e anos” para recompor certos tipos de munição — embora depois tenha tentado enfatizar os “meses” mais do que os “anos”.

Em uma audiência na Câmara dos Representantes em 12 de maio, Hegseth afirmou que a questão havia sido “tolamente e desnecessariamente exagerada” pela imprensa, insistindo que “temos tudo o que precisamos”.

Já Caine foi mais cauteloso na mesma audiência. Limitou-se a afirmar que os militares tinham “munição suficiente para o que somos encarregados de fazer neste momento” — e as palavras “neste momento” podem ter grande relevância.

Em junho, Hegseth declarou ao programa Face the Nation, da CBS, que “nossos estoques estão excelentes e só ficam mais fortes”, apesar de ter dito menos de dois meses antes que levaria meses ou anos para reabastecê-los.

No entanto, na semana passada, ao pedir mais recursos ao Congresso durante uma audiência no Senado, Hegseth alertou que, sem esse financiamento, “enfrentaremos déficits críticos que ameaçam nossa capacidade de repor rapidamente equipamentos e munições”.

Na mesma sessão, a presidente da Comissão de Apropriações, senadora Susan Collins, citou duas vezes as “deficiências” nos estoques de munição e afirmou que elas são conhecidas pelo comitê “há bastante tempo”. Hegseth não contestou a observação.

A questão das munições é, sem dúvida, complexa.

Por um lado, é potencialmente preocupante se o governo estiver consumindo em ritmo acelerado armamentos sofisticados, especialmente em uma guerra impopular que não parece próxima do fim.

É um pouco como insistir em investir recursos em uma causa que já pode estar perdida. E, como o próprio Hegseth reconheceu, substituir essas munições não depende apenas de dinheiro, mas também do tempo necessário para produzi-las.

Isso levanta a possibilidade de que a guerra contra o Irã não apenas tenha sido uma causa perdida, mas que também possa ter prejudicado a segurança nacional dos EUA e sua capacidade de dissuadir atores estrangeiros hostis no futuro próximo.

Por outro lado, se os estoques realmente estiverem sendo reduzidos significativamente, não é exatamente útil para os Estados Unidos que seus adversários saibam disso.

Seja qual for a real situação dos arsenais americanos, a questão das munições representa um problema latente e de enorme importância para o governo Trump.

Trata-se de um tema que influencia não apenas por quanto tempo a administração conseguirá sustentar a guerra contra o Irã, mas que pode continuar pesando sobre a política externa dos Estados Unidos muito depois do fim do conflito.

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