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Colômbia e Farc voltam a negociar depois de discussão sobre referendo

Internacional|Do R7

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Havana, 26 ago (EFE).- O governo da Colômbia e as Farc retomaram nesta segunda-feira o diálogo em Havana, após a "pausa" solicitada pela guerrilha para analisar a proposta do presidente Juan Manuel Santos de realizar um referendo sobre o acordo de paz, que o grupo rejeita por considerar "unilateral" e "tecnicamente" complicado. As Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc) e o governo retornaram à mesa exatamente um ano após assinar o "acordo geral" para pôr fim ao conflito que há 50 anos afeta a Colômbia e que permitiu o início dos diálogos em novembro, sob o aconselhamento de Cuba e Noruega, e acompanhado por Venezuela e Chile. A possibilidade de um referendo sobre a paz junto com as eleições de março ou maio de 2014 na Colômbia aparentemente se tornou um empecilho para os diálogos, e hoje foi duramente criticado pela guerrilha porque essa é uma decisão que deve ser negociada em conjunto. "Não acompanhamos (a proposta de referendo), nem sujeitamos os diálogos e seus resultados a essa decisão unilateral", disseram as Farc em comunicado divulgado hoje em Cuba, no qual também advertem que a chancela dos acordos de paz não poderá ser resolvida unicamente pelo governo. A presidência colombiana apresentou na quinta-feira ao Congresso um projeto de lei com caráter de urgência para que um referendo sobre os termos de um eventual acordo de paz coincida com as eleições legislativas que acontecerão em 9 de março de 2014 ou com as presidenciais, em 25 de maio. Depois desse anúncio, as Farc anunciaram na sexta-feira uma "pausa" para analisar o tema, e informaram que retornariam à mesa hoje. O presidente ordenou que sua equipe baseada em Havana voltasse para a Colômbia para consultas após a decisão de "pausa" unilateral da guerrilha, mas no sábado autorizou o retorno de seus negociadores à capital cubana. O líder da delegação colombiana, o ex-vice-presidente Humberto de la Calle, apareceu hoje na sede das conversas no Palácio de Convenções de Havana, mas não deu declarações à imprensa. Já as Farc continuaram a criticar o governo e consideraram que os diálogos vivem um momento delicado por causa das variáveis políticas da conjuntura eleitoral colombiana. As Farc consideraram que "recorrer ao referendo para validar a questão não é tecnicamente aconselhável já que é preciso votar uma 'agenda articulada'", e insistiram na proposta de uma Assembleia Nacional Constituinte com esse propósito. O grupo guerrilheiro acredita que a Constituinte é o "melhor caminho" porque garantirá a "longa duração" da paz, com uma convocação que inclua os acordos alcançados na mesa de Havana, e a proposta de debate para os pontos em que não houver consenso. Mas eles voltaram a atacar hoje o chamado Marco Jurídico para a Paz, uma emenda constitucional que contém ferramentas para controlar o fluxo de reconciliação na Colômbia, caso seja alcançado o fim do conflito interno. "Não queremos cadeiras no Parlamento de presente se o preço para alguns dos nossos irem ao Congresso for outros companheiros atrás das grades ou extraditados. Que outros caprichos ocultos haverá nessa manobra?", questionou "Iván Márquez", codinome de Luciano Marín Arango, um dos líderes da Farc que negociam a paz em Havana. Nesse sentido, os dirigentes guerrilheiros sustentaram que "não haverá submissão" a nenhum marco jurídico unilateral, nem permitirão "mudar" a verdade histórica "por um capricho de conjuntura de uma das partes do conflito, vinculada a um interesse eleitoral disfarçado de empenho". Hoje se completa um ano do acordo que deu início aos diálogos para tentar estabelecer a paz na Colômbia. "(Esse acordo) nos permitiu explorar possibilidades de encontrar uma solução política a um conflito que tem mais de meio século. Isso é esperado não só pelos colombianos, mas pelo continente inteiro", afirmou o líder da guerrilha. Márquez também manifestou o apoio das Farc aos camponeses que participam da greve do setor agrário colombiano, que já está na segunda semana. Na próxima quarta-feira termina a 13ª rodada de diálogos, centrado atualmente no tema da participação política, segundo ponto da agenda entre governo colombiano e Farc. EFE arj/cd (foto)

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