Colômbia evita entusiasmo sobre acordo com Farc para intensificar negociação
Internacional|Do R7
Cynthia de Benito. Bogotá, 13 jul (EFE).- Os negociadores do governo colombiano lembraram nesta segunda-feira que o processo de paz "ainda não é irreversível" e por isso é preciso acelerá-lo, como resposta ao entusiasmo gerado no país pelo acordo com as Farc para conter o conflito armado e planejar um cessar-fogo bilateral e definitivo. O chefe negociador do governo, Humberto de la Calle, e o alto comissário de Paz, Sergio Jaramillo, explicaram que a redução da intensidade do conflito e a aceleração das negociações para chegar ao cessar-fogo bilateral devem ser feitas com cautela, embora o fim do confronto pareça estar perto. "O povo pode sentir que a paz está se aproximando com o final do conflito, mas isso não é um cessar-fogo bilateral", declarou Jaramillo. Ele e De la Calle detalharam as medidas estipuladas com as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc) em prol da redução do conflito após o pedido de emergência feito pelos os países fiadores do processo de paz, Cuba e Noruega. O pedido, de caráter urgente, correspondia ao aumento da violência no país sul-americano desde 22 de maio, quando as Farc suspenderam seu cessar-fogo unilateral e indefinido pela morte de 27 guerrilheiros em um bombardeio militar. Desde então, as Farc iniciaram uma ofensiva duramente criticada que, em menos de um mês, deixou cerca de 80 mortos entre militares, policiais e guerrilheiros, e vários danos à infraestrutura energética e petrolífera do país. Para conter a onda de violência e avançar nas negociações de paz após 32 meses de conversas, foram tomadas duas medidas resumidas hoje por Jaramillo em "dois verbos: acelerar (o processo de paz) e 'desescalar' (reduzir a intensidade do conflito)". De La Calle esclareceu nesta segunda-feira que ambos são conceitos diferentes "que não devem ser confundidos", e que, embora despertem os ânimos sobre uma finalização imediata dos 50 anos de guerra interna no país, o processo "ainda não é irreversível". A partir de 20 de julho, os diálogos passarão por uma delicada etapa de quatro meses. Ao término do prazo, o presidente colombiano, Juan Manuel Santos, decidirá se haverá ou não continuidade. "Queremos saber em quatro meses se o que falta para concordar é viável ou não. Se essas coisas funcionam ou não. Não é que o processo ainda seja irreversível", enfatizou De la Calle. Para que as negociações não fracassem, a guerrilha deve cumprir "sem violações" seu cessar-fogo unilateral de um mês, que começará em 20 de julho, e chegar a acordos sobre os pontos da agenda que faltam para assinar a paz, disse o chefe negociador. Ou seja, o grupo precisa concordar que a justiça será aplicada em um eventual pós-conflito, com o desarmamento dos guerrilheiros e reconhecer e reparar as quase sete milhões de vítimas do conflito. Enquanto isso é definido, falta analisar como será reduzida a intensidade do conflito, pois embora tenha sido cogitada uma nova cessação dos bombardeios da Força Aérea, como em março, hoje De La Calle afirmou que as medidas de caráter "progressivo" ainda serão estudadas. Quanto à aceleração das conversas, as partes concordaram com uma mudança da metodologia usada até agora, de ciclos de reuniões, por "um trabalho técnico, contínuo e simultâneo sobre os pontos centrais da agenda". Isso inclui um eventual cessar-fogo bilateral e definitivo, prioridade do governo de Santos na qual uma subcomissão técnica começará a trabalhar para definir como será realizada. Participarão desta subcomissão delegados da ONU e a presidência da União de Nações Sul-Americanas (Unasul), atualmente ostentada pelo Uruguai. Ambos os emissários são vistos com receio pelos militares em retirados da Colômbia, que acusam as Nações Unidas de terem "uma posição sossegada" que poderia se estabelecer na Unasul. O coordenador da ONU na Colômbia, Fabrizio Hochschild, defendeu nesta segunda-feira o trabalho "neutro e imparcial" das Nações Unidas e esclareceu que, por enquanto, o papel do enviado da organização será apenas brindar "um apoio técnico" para "iniciar a discussão sobre o sistema de monitoração e verificação" da cessação bilateral. EFE cdb/vnm/id (foto)(vídeo)













