Com EUA e Rússia de lados opostos, Conselho de Segurança se reúne após chacina na Síria
Cerca de 650 pessoas morreram após provável ataque químico no subúrbio de Damasco
Internacional|Do R7

O Conselho de Segurança da ONU realizou uma reunião de emergência sobre a situação na Síria, após a denúncia da oposição sobre um ataque com armas químicas que teria causado pelo menos 650 mortes na madrugada desta quarta-feira (21) nos arredores de Damasco.
O encontro, realizado a portas fechadas na sede central das Nações Unidas em Nova York, foi convocado pela presidente do Conselho de Segurança, Cristina Kirchner, a pedido de França, Reino Unido, Luxemburgo, Coreia do Sul e Estados Unidos.
A reunião acontece depois de a Coalizão Nacional Síria (CNFROS) denunciar que pelo menos 1.300 pessoas morreram hoje supostamente por causa de um ataque com armas químicas feito pelas forças do governo nos arredores de Damasco. Outros grupos de oposição apontam 400 e 650 mortes. O regime comandado por Bashar al Assad negou o ataque imediatamente.
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A reunião no Conselho de Segurança deve ser acalorada, já que Rússia e EUA se mantêm em lados opostos no conflito sírio, o que vem dificultando nos últimos meses um discurso unificado das principais potências militares.
A Rússia, tradicional aliado do regime sírio, afirmou que o ataque partiu das posições ocupadas pelos rebeldes. A declaração foi feita pelo porta-voz do Ministério das Relações Exteriores russo, Aleksandr Lukashevich.
— No começo da manhã de 21 de agosto, um foguete de fabricação artesanal, similar ao usado pelos terroristas em 19 de março em Jan al Asal e com uma substância química venenosa não identificada, foi lançado desde posições ocupadas por guerrilheiros.
O alto diplomata, citado pelas agências russas, ressaltou que as informações sobre o uso de armas químicas por parte do regime sírio parecem um sabotagem planificada.
— Chama a atenção o fato de que os meios de comunicação regionais privados iniciaram em seguida, como se tivessem recebido uma ordem, um agressivo ataque informativo carregando toda a responsabilidade sobre a parte governamental.
Já o governo dos Estados Unidos, por outro lado, manifestou a sua preocupação com o ataque químico e exigiu que os especialistas da ONU tenham "acesso imediato" a testemunhas, vítimas e locais onde, supostamente, essas armas foram usadas.
"Pedimos formalmente às Nações Unidas que investigue de forma urgente", declarou o porta-voz da Casa Branca, Josh Earnest, em um comunicado.
— Estamos trabalhando com urgência para recolher informações adicionais. Para que os esforços da ONU tenham credibilidade, eles precisam ter acesso imediato a testemunhas e indivíduos afetados, e ter a permissão para examinar e coletar evidências físicas sem interferência alguma ou manipulação do governo da Síria. Se o governo da Síria não tem nada a esconder e está verdadeiramente comprometido com uma investigação imparcial e crível sobre o uso de armas químicas na Síria, vai facilitar o acesso imediato e irrestrito da equipe da ONU a esse local.
Vários países, assim como a Liga Árabe, pediram que os especialistas das Nações Unidas, que chegaram no domingo à Síria para investigar o eventual uso dessas armas no conflito, visitem imediatamente os locais do suposto massacre.
Contudo, o acordo entre Damasco e a ONU limita a missão de inspetores a Khan al Assal (perto de Aleppo), Ataybé, perto de Damasco, e em Homs, no centro da Síria.
Desde o início do conflito, em março de 2011, morreram mais de 100 mil pessoas, e quase 7 milhões precisam de ajuda humanitária de emergência, segundo os números mais recentes das Nações Unidas.
Ban comovido
O secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, disse estar "comovido" por esta nova denúncia e informou que a missão de especialistas que está na Síria para investigar outros supostos ataques negocia com as autoridades par analisar também este último incidente.
O regime de Damasco e Nações Unidas continuam discutindo "em paralelo" outras possíveis denúncias de uso de armas químicas, tal como foi acordado em julho, revelou um porta-voz da ONU, Eduardo de Buey, em entrevista coletiva.
O secretário-geral, acrescentou o porta-voz, reafirmou novamente sua determinação para que se chequem todas as denúncias e reiterou que, se o uso de armas químicas for confirmado, seria uma violação das leis internacionais.
Os rebeldes se queixaram hoje da passividade internacional, que, segundo disse em Istambul o porta-voz da CNFROS, George Sabra, interpretam como um respaldo ao regime de Bashar al Assad.
Já o regime sírio confirmou que lançou hoje uma grande ofensiva sobre os bairros da periferia de Damasco controlados pelos rebeldes, mas desmentiu que tenha utilizado armas químicas como denunciou a oposição.
Tanto o regime de Damasco como os insurgentes se acusaram reciprocamente de empregar este tipo de armas na Síria, um dos sete países que não assinou a Convenção sobre Armas Químicas de 1997.
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