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Com sangue nas mãos, agressor de Londres declara seu credo em vídeo

Internacional|Do R7

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Por Peter Griffiths e Estelle Shirbon

LONDRES, 23 Mai (Reuters) - Um jovem de mãos ensanguentadas segura uma faca e um cutelo cheios de sangue e encara a câmera para dizer que acabara de matar um soldado numa rua de Londres para vingar os muçulmanos mortos por militares britânicos em terras distantes.

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Enquanto o homem fala, uma mulher de saia azul puxa um carrinho de compras pela calçada na direção dele, olha rapidamente para o cadáver estendido na rua, e passa caminhando pelo homem, aparentemente alheia às ensanguentadas armas na sua mão.

"A única razão para termos matado esse homem hoje é porque muçulmanos estão morrendo diariamente nas mãos de soldados britânicos. E esse soldado britânico é um olho por olho, dente por dente", diz o homem para a câmera, com sotaque londrino.

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A impressionante gravação mostra os momentos seguintes à morte do soldado, na tarde de quarta-feira, no bairro londrino de Woolwich, um incidente que o governo está tratando como atentado terrorista.

O vídeo foi gravado por um transeunte e obtido minutos depois pelo canal britânico ITV. Agora está amplamente disponível na internet.

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"Quando ele me viu filmando, veio na minha direção e disse: ‘Não, não, não, tá legal. Só quero conversar com você'", disse à ITV o homem que fez a gravação e pediu para não ser identificado.

O vídeo incomum parece ter motivado questões diferentes na cabeça dos editores de jornais, que lidaram com ele de formas variadas.

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No site da ITV havia uma versão em que tudo era visível, exceto a cabeça do homem morto. O site do jornal Sun divulgou uma versão em que os rostos dos transeuntes apareciam borrados. Outras versões borravam o rosto do homem com sangue nas mãos, mas mostravam claramente outros rostos.

O homem que fala no vídeo é um jovem negro com gorro preto, jeans e jaqueta escura de lã. Suas mãos estão vermelhas por causa do sangue, e ele fala agitando as armas brancas que estão na sua mão.

"Por Alá, juramos pelo todo-poderoso Alá que nunca iremos parar de lutar contra vocês até que vocês nos deixem em paz", diz ele, falando de forma rápida e nervosa. "Quando vocês jogam uma bomba, vocês acham que ela atinge uma pessoa, ou que sua bomba varre toda uma família? Essa é a realidade."

"Por Alá, se eu visse sua mãe hoje, com um carrinho de bebê, eu a ajudaria a subir as escadas, essa é a minha natureza", afirma o homem em outro trecho.

Ivor Gaber, professor de jornalismo político da City University, em Londres, disse que a gravação suscita questões éticas complicadas.

"O agressor pegou o homem para fazer sua espécie de ‘vídeo suicida'. Se isso viesse da Al Qaeda, de jeito nenhum as emissoras iriam exibir", disse ele à Reuters.

"Há um forte argumento jornalístico de que (exibir) é a coisa certa a fazer. Precisamos vê-lo a fim de entender por que essa gente está fazendo o que faz. Por outro lado, isso é exatamente o que eles querem. Esses caras claramente queriam publicidade máxima."

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