Como o vice-presidente dos EUA se destacou nas negociações com o Irã, encerradas sem acordo
J.D. Vance está no Paquistão para participar das tratativas com autoridades iranianas
Internacional|Do R7
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O vice-presidente dos Estados Unidos J.D. Vance, teve papel central nas negociações relacionadas à guerra com o Irã, encerradas sem acordo após mais de 20 horas de reuniões realizadas no Paquistão. Apesar do protagonismo do americano e das expectativas iniciais de avanço, as tratativas não resultaram em consenso entre as partes.
Sob orientação do presidente americano, Donald Trump, Vance liderou a delegação encarregada das conversas, que também incluiu os enviados Steve Witkoff e Jared Kushner.
Fontes ouvidas pela Reuters afirmam que integrantes remanescentes da liderança iraniana buscaram discretamente o vice-presidente americano para que ele assumisse um papel central na condução das negociações voltadas ao fim do conflito.
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Ainda de acordo com a agência de notícias, Teerã via Vance como uma das figuras mais contrárias ao confronto dentro do círculo próximo de Trump.
Essa reputação, descrita por uma autoridade regional e outras pessoas familiarizadas com as conversas, teria levado autoridades iranianas a considerá-lo o interlocutor mais propenso a buscar um consenso.
Ainda assim, uma autoridade da Casa Branca afirmou que a decisão de enviá-lo ao Paquistão partiu exclusivamente de Trump, que também teria a palavra final sobre qualquer eventual acordo.
Negociações no Paquistão
Vance chegou no sábado (11) a Islamabad, capital do Paquistão, para participar das negociações com autoridades iranianas sobre a guerra com o Irã. O Ministério das Relações Exteriores paquistanês informou que o vice-presidente foi recebido pelo chanceler Ishaq Dar, pelo chefe do Exército, Asim Munir, e pelo ministro do Interior, Mohsin Naqvi.
Em nota, o ministério afirmou que Dar elogiou o compromisso dos Estados Unidos com a promoção de uma paz duradoura e da estabilidade na região, além de ter dito, à época, que esperava que as partes “se engajassem construtivamente” nas conversas.
A delegação iraniana, liderada pelo presidente do Parlamento, Mohammad Bagher Qalibaf, já havia chegado ao Paquistão na noite de sexta-feira (10) para as tratativas.
À emissora americana CNN, uma fonte paquistanesa de alto escalão elogiou o papel de Vance, afirmando que ele foi essencial para aproximar EUA e o país persa de uma solução diplomática. A mesma fonte indicou que as negociações poderiam se estender por vários dias até que se alcançasse um cessar-fogo definitivo.
As autoridades no Paquistão também esperavam que o vice-presidente permanecesse por mais tempo no país para ajudar a consolidar um possível acordo.
Baixas expectativas
Autoridades da Casa Branca disseram estar céticas quanto à possibilidade de as conversações reabrirem imediatamente o estreito de Ormuz, uma importante rota marítima utilizada para o escoamento do petróleo e que foi fechado pelo Irã após o início da guerra.
Ao mesmo tempo, os principais negociadores iranianos colocaram em dúvida o início das conversas, afirmando que elas não poderiam sequer começar sem compromissos prévios envolvendo o Líbano e a suspensão de sanções impostas ao país.
Apesar das incertezas, Vance afirmou na sexta-feira (10), antes de viajar ao Paquistão para as tratativas, que esperava um diálogo produtivo com o Irã, embora tenha feito um alerta a Teerã para não “brincar conosco”.
“Como disse o presidente dos Estados Unidos, se os iranianos estiverem dispostos a negociar de boa-fé, certamente estaremos dispostos a estender a mão aberta”, declarou. “Se eles tentarem nos enganar, descobrirão que a equipe de negociação não é tão receptiva.”
‘Tanto faz’, diz Trump sobre acordo entre Irã e EUA
Donald Trump, presidente dos Estados Unidos, comentou sobre as negociações para o fim do conflito entre EUA e Irã e disse ser indiferente em relação à conclusão dos diálogos. A declaração foi dada no sábado (11), em conversa com jornalistas em frente à Casa Branca.
“Estamos em negociações muito profundas com o Irã. Mas, independentemente do que aconteça, nós vencemos de qualquer jeito, nós os derrotamos militarmente. Chegar ou não a um acordo, tanto faz para mim. Do ponto de vista dos Estados Unidos, nós vencemos”, afirmou Trump.
O presidente norte-americano também falou sobre a abertura do Estreito de Ormuz. No sábado de manhã, navios de guerra da Marinha dos Estados Unidos cruzaram Ormuz para uma operação de remoção de minas do Irã.
“Vamos abrir o Estreito, mesmo que não o usemos, porque temos muitos outros países no mundo que o usam”, declarou.
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