Logo R7.com
RecordPlus

Conflitos e comércio: Putin e Xi Jinping se reúnem para alinhar relações entre Rússia e China

Encontro ocorre dias após reunião entre Donald Trump e o líder chinês

Internacional|Simone McCarthy, da CNN Internacional

  • Google News

LEIA AQUI O RESUMO DA NOTÍCIA

  • Vladimir Putin chegou à China para uma visita de Estado, destacando o alinhamento entre Pequim e Moscou.
  • A visita ocorre após Donald Trump ser recebido por Xi Jinping, evidenciando a rivalidade nas relações internacionais.
  • Discussões entre os líderes devem incluir temas como energia, comércio e a situação no Oriente Médio e na Ucrânia.
  • China e Rússia buscam fortalecer suas parcerias e ocupar um espaço de liderança na diplomacia global diante da instabilidade causada pelos EUA.

Produzido pela Ri7a - a Inteligência Artificial do R7

Putin e Xi caminhando lado a lado
Líderes devem discutir o fornecimento de energia, a guerra na Ucrânia e o conflito no Oriente Médio Alexander Kazakov/Sputnik/Pool via Reuters - 02.09.2025

Menos de uma semana depois de Xi Jinping estender o tapete vermelho para o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, o líder chinês está recebendo outro convidado de honra — e desta vez é um aliado próximo.

O presidente russo, Vladimir Putin, chegou à capital chinesa nesta terça-feira (19) para uma visita de Estado claramente calculada para demonstrar o alinhamento entre Pequim e Moscou diante da turbulência geopolítica global.


A China e a Rússia estão navegando em relacionamentos instáveis com o governo Trump e avaliando se devem desempenhar algum papel para ajudar a encerrar o conflito entre EUA e Irã, que afetou o fornecimento global de petróleo e distanciou Washington da própria guerra da Rússia na Ucrânia, que já dura anos.

Veja Também

O fato de Xi estar recebendo, no espaço de uma semana, dois líderes mundiais que estão presos em conflitos aparentemente intratáveis criados por eles mesmos dificilmente passará despercebido pelo governo chinês, que usou a guerra de Trump com o Irã, em particular, para destacar a China como uma liderança global alternativa e responsável.


E tanto Pequim quanto Moscou também tentam aproveitar a desestruturação da política externa tradicional dos EUA provocada por Trump para avançar sua própria visão de um mundo que não seja dominado pelo poder americano ou por um sistema de alianças liderado pelos EUA.

A visita desta semana é a vigésima quinta de Putin à China em suas mais de duas décadas como líder da Rússia, um período no qual a China e a Rússia estreitaram a cooperação em comércio, segurança e diplomacia, impulsionadas por uma desconfiança mútua em relação a Washington e por uma aparente afinidade pessoal entre Putin e Xi, que costumam se referir um ao outro como “queridos” ou “velhos” amigos.


Os dois já se reuniram mais de 40 vezes.

É uma visita a nível de Estado, de modo que Putin foi recebido em uma cerimônia repleta de pompa e circunstância — desde um tapete vermelho até uma banda militar — semelhante à que Xi ofereceu a Trump na semana passada.


Em uma mensagem que tradicionalmente envia antes de suas viagens à China, Putin elogiou as relações entre Rússia e China por terem atingido um “nível verdadeiramente sem precedentes”.

Os dois lados apoiam-se mutuamente em assuntos que afetam os interesses essenciais de ambos os países, incluindo a proteção da soberania e da unidade do Estado, disse ele em uma mensagem publicada nesta terça-feira.

O líder russo foi saudado no final desta terça-feira (de acordo com o fuso-horário local) por uma multidão de jovens no aeroporto que cantavam: “Bem-vindo, bem-vindo, entusiasticamente bem-vindo!”

Antes da visita, a mídia estatal chinesa também publicou artigos elogiando os laços “inabaláveis” dos dois países em uma “situação internacional turbulenta”.

Um artigo no Global Times, apoiado pelo Estado, também contextualizou as visitas quase consecutivas dos líderes americano e russo como um sinal de que a China estava “emergindo rapidamente como o ponto focal da diplomacia global”.

Na mesa: Trump, energia e a ordem mundial

A recente reunião de Xi com Trump, as guerras na Ucrânia e no Oriente Médio, bem como a cooperação em energia, comércio e segurança, devem fazer parte das discussões entre os dois líderes marcadas para quarta-feira (20).

Eles também devem exaltar sua visão de mundo alinhada em uma declaração sobre o “estabelecimento de um mundo multipolar” e um “novo tipo de relações internacionais”, disse o assessor do Kremlin, Yury Ushakov, no início desta semana.

Esta não é a primeira vez que Putin e Xi realizam conversas muito próximas a movimentos diplomáticos com os EUA.

Eles conversaram horas após a posse de Trump no ano passado, dias após Trump ter falado com Xi. Putin também informou Xi sobre negociações anteriores entre EUA e Rússia para acabar com a guerra na Ucrânia.

Para Putin, as perdas recentes de seu exército na guerra da Ucrânia, que já dura mais de quatro anos, podem colocar mais pressão sobre a reunião.

As compras de petróleo russo pela China e as exportações de bens de dupla utilização têm sido críticas para o esforço de guerra de Moscou.

Elas também tornaram a relação cada vez mais desequilibrada, na qual Moscou depende fortemente de seu vizinho mais rico e tecnologicamente avançado.

A Rússia já é a principal fonte de petróleo bruto da China. Os compradores chineses absorveram o petróleo com desconto desde a imposição de sanções ocidentais depois que Putin invadiu a Ucrânia.

O conflito no Oriente Médio e o risco de instabilidade futura podem agora levar Pequim a depender mais da Rússia para obter combustível.

Espera-se que Xi e Putin discutam esta semana o gasoduto “Poder da Sibéria 2″, um projeto planejado há muito tempo, que deu um passo à frente durante a última visita de Putin à China em setembro de 2025.

Mas não será apenas por causa da energia que o conflito no Irã provavelmente ganhará destaque nas conversas, especialmente após a visita de Trump.

O líder dos EUA buscou consenso com a China sobre aspectos do conflito, com um comunicado da Casa Branca dizendo que os dois líderes concordaram que o Irã não deve ter uma arma nuclear e sobre a reabertura do estreito de Ormuz.

Tanto a China quanto a Rússia são parceiras próximas de Teerã e desempenharam um papel fundamental em protegê-lo diante das sanções dos EUA nos últimos anos. A China também é a maior compradora de petróleo bruto iraniano sancionado pelos EUA.

A Rússia forneceu ao Irã informações de inteligência sobre a localização de tropas e recursos americanos, informou a CNN Internacional quando o conflito começou. No mês passado, fontes disseram à CNN Internacional que a China estava se preparando para entregar armas ao Irã, uma acusação que Pequim nega.

Agora, existem dúvidas se eles têm algum interesse em se envolver em um processo de paz, já que Teerã manifestou anteriormente interesse em que a China e a Rússia assumissem o papel de garantidoras de segurança.

Desempenhar um papel no fim do conflito poderia render a cada um deles boa vontade por parte dos Estados Unidos, mas isso seria conduzido com cautela por ambos os líderes, enquanto protegem suas próprias parcerias, interesses e ambições globais.

Search Box

Fique por dentro das principais notícias do dia no Brasil e no mundo. Siga o canal do R7, o portal de notícias da RECORD, no WhatsApp

Últimas


Utilizamos cookies e tecnologia para aprimorar sua experiência de navegação de acordo com oAviso de Privacidade.