Internacional Confrontos entre Israel e palestinos deixam quase 60 mortos

Confrontos entre Israel e palestinos deixam quase 60 mortos

Risco de "guerra em larga escala" aumenta após 53 óbitos na Faixa de Gaza, incluindo 14 menores de idade, e seis perdas israelenses

AFP
Número de mortes no conflito se aproxima de cem na Faixa de Gaza

Número de mortes no conflito se aproxima de cem na Faixa de Gaza

Haitham Imad/EFE – 12.05.2021

Os confrontos entre os grupos armados palestinos, que lançaram mais de mil foguetes contra o território do Estado hebreu, e Israel, que bombardeia intensamente a Faixa de Gaza, deixaram 59 mortos e provocam o temor de uma "guerra em larga escala".

Israel registrou nesta quarta-feira (12) danos consideráveis que não eram observados desde a guerra de Gaza de 2014, com casas e carros destruídos.

Até o momento, os confrontos deixaram pelo menos 59 mortos dos dois lados, 53 em Gaza — incluindo 14 menores de idade -, e seis em Israel. Também foram registradas três mortes na Cisjordânia em incidentes separados com o exército.

A violência começou após os distúrbios do fim de semana na Esplanada das Mesquitas, o terceiro local mais sagrado do Islã, em Jerusalém Oriental, anexado por Israel em 1967.

A preocupação aumenta na comunidade internacional e o Conselho de Segurança da ONU se prepara para outra reunião de emergência nesta quarta-feira. 

O presidente russo, Vladimir Putin, e seu colega turco, Recep Tayyip Erdogan, pediram nesta quarta-feira uma "desescalada", assim como o presidente do Conselho Europeu, Charles Michel, enquanto o enviado da ONU para o Oriente Médio, Tor Wennesland, advertiu para o risco de uma "guerra em larga escala".

O TPI (Tribunal Penal Internacional) advertiu que "possíveis crimes" de guerra podem ter sido cometidos.

Estado de emergência em Lod

Em Israel, o primeiro-ministro Benjamin Netanyahu declarou estado de emergência na cidade de população judaica e árabe de Lod, onde a polícia informou sobre distúrbios por parte dos residentes árabes. 

Uma violência que o presidente israelense Reuven Rivlin chamou de "pogrom" por parte de "uma multidão sedenta por sangue".

Alguns observadores temem que os distúrbios civis se tornem mais intensos. Em várias cidades de população mista, manifestantes com bandeiras palestinas queimaram carros e propriedades, atacaram motorista e enfrentaram a polícia.

De acordo com o exército, os ataques aéreos israelenses, os mais intensos desde 2014, são uma resposta aos lançamentos de mais de mil foguetes por vários grupos armados a partir da Faixa de Gaza contra Israel desde segunda-feira. 

Quase 850 foguetes caíram em Israel ou foram interceptados pelo sistema de defesa Cúpula de Ferro, informou o porta-voz do exército israelense, Jonathan Conricus.

Outros 200 foguetes caíram dentro da Faixa de Gaza, segundo o militar.

"Calma duradoura" antes da trégua

Nesta quarta-feira, o ministro da Defesa de Israel, Benny Gantz, afirmou durante uma visita à cidade israelense da Ashkelon que "o exército continuará atacando para garantir uma calma total e duradoura".

"Apenas quando alcançarmos este objetivo poderemos falar de trégua", disse.

Israel organizou centenas de ataques aéreos contra o território palestino de Gaza, controlado pelo Hamas, dirigidos contra o que exército descreve como áreas militares palestinas. 

Além do crescente número de mortos, mais de 320 palestinos ficaram feridos e muitos foram retirados dos escombros de edifícios. Do lado israelense, mais de 100 pessoas ficaram feridas.

O Hamas lançou na segunda-feira à noite uma salva de foguetes como gesto de "solidariedade" com os mais de 900 palestinos feridos nos confrontos com a polícia israelense em Jerusalém Oriental. 

No norte de Gaza, cinco integrantes da mesma família morreram na terça-feira em um ataque israelense, incluindo dois irmãos, Ibrahim e Marwan, que estavam enchendo sacos de palha. 

"Estávamos rindo e nos divertindo, quando de repente começaram a bombardear. Tudo ao nosso redor pegou fogo", disse à AFP um primo, também chamado Ibrahim.

Na terça-feira à noite a aviação israelense atacou um prédio de 12 andares no qual líderes do Hamas tinham seus escritórios e, em seguida, outro prédio de nove andares, que abrigava um canal de televisão local, casas e lojas.

O exército afirmou que o alvo era o "chefe de inteligência militar" do Hamas, Hassan Kaogi, e o "diretor de contrainteligência" do movimento islamista armado, Wael Isa.

O movimento palestino anunciou nesta quarta-feira as mortes de vários comandantes, incluindo Bassem Issa, chefe de sua unidade militar na cidade de Gaza.

O exército israelense informou a morte de um soldado em um ataque com míssil antitanque lançado pelo Hamas a partir da Faixa de Gaza. 

Após os ataques noturnos, o Hamas lançou mais foguetes, novamente contra a cidade de Tel Aviv.

"Se (Israel) quer uma escalada, estamos preparados", declarou o líder do Hamas, Ismail Haniyeh, que pediu a retirada das forças de segurança da Esplanada das Mesquitas de Jerusalém Oriental, cenário nos últimos dias de confrontos entre a polícia israelense e manifestantes palestinos. 

Fontes diplomáticas afirmaram à AFP que a ONU, com a ajuda do Catar e do Egito, iniciou uma mediação com as partes "afetadas" para conquistar uma distensão.

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