25 anos do 11 de setembro: socorristas que atuaram no Pentágono recebem homenagens
Ataque ao centro da defesa dos EUA deixou 184 mortos
Encurtando Distâncias|Mathias Brotero, de Washington, D.C.

Vinte e cinco anos depois dos ataques de 11 de setembro de 2001, os Estados Unidos prestaram nesta sexta-feira (11) novas homenagens às quase 3 mil pessoas mortas no maior ataque terrorista da história do país e aos socorristas que trabalharam durante horas em meio ao fogo e aos escombros.
Em Arlington, na Virgínia, bombeiros que participaram da operação de resgate no Pentágono foram homenageados no mesmo quartel de onde partiram muitas das equipes para atender à emergência naquela manhã. Era o posto do Corpo de Bombeiros mais próximo do Pentágono.
Ataque ao Pentágono
Eram 9h37 quando o voo 77 da American Airlines atingiu o lado oeste do Pentágono, sede do Departamento de Defesa dos Estados Unidos e um dos maiores símbolos do poder militar americano. A aeronave voava a mais de 850 quilômetros por hora no momento do impacto.
Menos de uma hora antes, outros dois aviões sequestrados haviam atingido as Torres Gêmeas do World Trade Center, em Nova York.
O ataque ao Pentágono deixou 184 mortos. Desse total, 125 estavam dentro do prédio e 59 eram passageiros e tripulantes do avião.
O impacto abriu uma área de destruição de mais de 30 metros no edifício e provocou um incêndio de grandes proporções. Naquele momento, muitos dos funcionários que estavam dentro do Pentágono já acompanhavam, com apreensão, as notícias que chegavam de Nova York.
Bombeiros enfrentaram fogo e ameaça de novos ataques
Ao chegarem, os bombeiros encontraram um cenário de caos. Uma cratera de mais de 30 metros havia sido aberta na ala oeste do prédio. O fogo provocava temperaturas de quase 1.100 graus Celsius, enquanto partes da estrutura desabavam e derretiam. O incêndio avançou pela noite e a primeira fase da operação de resgate durou mais de 36 horas.

Eric Wesley tinha acabado de se formar como bombeiro quando recebeu o chamado para ir ao Pentágono. Além das temperaturas extremas e do risco de desabamentos, ele contou ao blog que as equipes trabalhavam sem saber se os Estados Unidos ainda estavam sob ataque.
“Falavam: ‘Ainda há aviões no céu’. Tocavam a sirene de novo. Você tinha que se esconder, às vezes até no caminhão dos bombeiros. Era inacreditável pensar que aquilo ainda podia estar acontecendo”, relembrou.
Emocionado, Wesley diz que nunca vai se esquecer de como foi chegar ao local do ataque.
“As pessoas estavam por toda parte, e nós nos perguntávamos: ‘Quem devemos ajudar primeiro?’”
O bombeiro também se lembra da dificuldade para prestar assistência em meio ao caos.
“Você quer salvar as pessoas, fazer a diferença, mas, infelizmente, já estávamos em desvantagem, correndo atrás do prejuízo.”
A esposa de Eric, Tiffanye, também participou das operações de resposta ao ataque. Na época, ela ainda estava em treinamento e, por isso, não fazia parte de uma equipe específica.
“Fiz de tudo. Um dos meus trabalhos foi voltar à Unidade Número Cinco dos Bombeiros e buscar rádios de comunicação”, conta.
Tiffanye chegou ao local cerca de 20 minutos depois do ataque. Uma das lembranças mais fortes, segundo ela, é da quantidade de pessoas dispostas a fazer o que fosse necessário.
“O que mais me lembro é que as pessoas queriam ajudar. Fossem elas da comunidade, civis ou militares”, diz.
Nenhum bombeiro que participou da resposta ao Pentágono morreu naquele dia. Com o passar dos anos, porém, as consequências da exposição à fumaça, aos destroços e a materiais tóxicos contribuíram para a morte de socorristas.
Nomes das vítimas são lembrados
Nesta sexta-feira (11), os nomes das 184 vítimas foram lembrados durante uma cerimônia no Pentágono.
O presidente Donald Trump participou da homenagem e afirmou que os Estados Unidos não esquecerão os mortos nos ataques. O republicano também vinculou o atentado à guerra no Irã.
“Nunca esqueceremos. […] É por isso que lutamos. Não temos alternativa”, disse Trump.
As homenagens desta sexta-feira também lembraram as quase 3 mil pessoas mortas nas Torres Gêmeas, no Pentágono e no voo 93. Segundo autoridades americanas, a aeronave tinha como destino o Capitólio, em Washington, mas caiu na Pensilvânia depois que passageiros reagiram aos sequestradores.
EUA depois do ataque
Hoje, as marcas físicas do ataque ao Pentágono quase desapareceram. O prédio foi reconstruído, mas as medidas adotadas depois do 11 de setembro transformaram o aparato de defesa e segurança dos Estados Unidos.
Os ataques levaram a operações militares americanas no exterior e a uma ampla reformulação das estruturas de inteligência, segurança e combate ao terrorismo, marcando o início do período que ficou conhecido como “Guerra ao Terror”.
Depois de um quarto de século, para alguns dos socorristas que estiveram no Pentágono, a principal mensagem daquele dia está na união demonstrada nas horas que se seguiram aos ataques.
Para Tiffanye, as homenagens devem servir de exemplo para além do aniversário da tragédia.
“Todo mundo se junta no dia 11 de setembro. Mas gostaria que fizéssemos isso todos os dias, tratando uns aos outros como seres humanos, com respeito e valores”, conclui.
✅Fique por dentro das principais notícias do dia no Brasil e no mundo. Siga o canal do R7, o portal de notícias da Record, no WhatsApp












