Confrontos pós-eleição deixam ao menos 7 mortos na Venezuela
Internacional|Do R7
Por Pablo Garibian e Eyanir Chinea
CARACAS, 16 Abr (Reuters) - Sete pessoas morreram na Venezuela em confrontos entre apoiadores do partido governista e da oposição, em um surto de violência que ameaçava se espalhar nesta terça-feira, enquanto alguns saem às ruas para defender a eleição apertada que deu vitória a Nicolás Maduro e outros para exigir uma recontagem.
Maduro, herdeiro político do falecido Hugo Chávez, foi declarado presidente eleito na segunda-feira, mas a diferença de menos de 2 pontos percentuais para o adversário Henrique Capriles e várias alegações de irregularidades durante as eleições deixaram os ânimos exaltados no país polarizado.
Os confrontos em cidades de todo o país causaram sete mortes e 61 pessoas ficaram feridas, disse a procuradora-geral Luisa Ortega. As autoridades prenderam 135 pessoas.
"Isto é responsabilidade daqueles que têm incitado a violência, daqueles que desrespeitam a Constituição e as instituições", disse Maduro em um ato público transmitido pela televisão.
"O plano deles é um golpe de Estado", acrescentou. Ele disse em seguida, de maneira enérgica, que não permitirá outro protesto da oposição previsto para quarta-feira em Caracas.
Milhares de seguidores de Capriles marchavam até as sedes eleitorais em diferentes Estados da Venezuela, enquanto espera-se que os simpatizantes do governo também acatem o pedido de Maduro para se mobilizarem.
Capriles exige uma auditoria total dos votos, porque garante que sua equipe tem contagens internas que o apontam como vencedor das eleições mais apertadas em quase meio século.
Seu pedido foi apoiado pela Organização dos Estados Americanos (OEA), a União Europeia e os Estados Unidos, a quem a autoridade eleitoral venezuelana criticou por interferir em assuntos soberanos.
Apoiadores de Capriles no Peru e Panamá preparavam marchas em apoio ao oposicionista. Mas várias nações aliadas, como Argentina, Brasil, Bolívia e Rússia, reconheceram a vitória de Maduro, que promete estender a quase duas décadas a cruzada socialista de Chávez, adorado por milhões de pobres por seus planos sociais e lembrado com amargura pelas classes média e rica, que sofrem as distorções de seu intervencionismo estatal.
"Temos o direito de contar todos os votos. Não estamos pedindo mais nada", disse Capriles na noite de segunda-feira em entrevista coletiva.
Seus militantes marcharam para pedir a recontagem total, enquanto Maduro se prepara para assumir, na sexta-feira, o comando do país com as maiores reservas de petróleo do mundo.
Até agora, a autoridade eleitoral não se manifestou sobre os pedidos de Capriles, num momento em que os sentimentos pela morte de Chávez estão à flor da pele.
(Reportagem adicional de Mariana Párraga, Diego Oré e Mario Naranjo)












