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Conservadores portugueses negociam saída para crise ministerial

Internacional|Do R7

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Lisboa, 3 jul (EFE).- A aliança conservadora que governa Portugal abriu nesta quarta-feira a discussão para a saída da crise ministerial que atingiu sua maioria parlamentar, imprescindível para evitar as duras medidas de austeridade do resgate financeiro. Os democrata-cristãos, cujo presidente criou polêmica nesta terça-feira ao renunciar a seu cargo no ministério das Relações Exteriores, fizeram hoje uma conciliadora declaração na qual anunciaram que vão manter seus outros ministros no Executivo e negociar uma "solução" para o governo do país. Mas o temor às consequências financeiras da crise aberta com a renúncia de seu presidente, Paulo Portas, já tinha afundado hoje a bolsa e a dívida soberana lusa e deixado os demais mercados europeus no vermelho. O Centro Democrático Social Partido Popular (CDS-PP) que, com apenas 24 dos 230 deputados dá maioria absoluta aos 108 do Partido Social Democrata (PSD, centro-direita) de Passos Coelho, pediu hoje ao próprio Portas que iniciasse as negociações com o primeiro-ministro para salvar a aliança. Em Berlim, onde participou de uma cúpula europeia, Passos Coelho se mostrou confiante de que haverá um entendimento que permita a continuidade do Executivo e o cumprimento dos compromissos do resgate financeiro. Na noite anterior, o primeiro-ministro havia se pronunciado para garantir que não renunciaria e que não aceitava a renúncia do companheiro da coalizão, apesar dela ter sido apresentada com caráter "irrevogável". Enquanto isso, os partidos de esquerda voltaram a reivindicar no Parlamento, em entrevista à imprensa e em uma manifestação em Lisboa, a realização de eleições antecipadas. O líder da oposição lusa, o socialista Antonio José Seguro, propôs que as eleições aconteçam no dia 29 de setembro, data que coincide com as eleições municipais. Sua nova proposta, mais concreta que nunca, foi anunciada após a realização da primeira das reuniões previstas entre os partidos lusos e o presidente, o conservador Aníbal Cavaco Silva. Seguro declarou aos jornalistas que Portugal precisa de "um governo forte", que equilibre as contas do país e lhe dê credibilidade externa e confiança perante empresários e investidores. O secretário-geral dos socialistas pediu várias vezes que sejam renegociadas as obrigações do resgate e reivindicou que Passos Coelho ponha fim às políticas de austeridade. Porém, hoje, evitou fazer comentários sobre essa questão e ressaltou a importância de que Portugal permaneça na zona do euro e cumpra seus compromissos internacionais. Cavaco recebeu Seguro por um pedido urgente do próprio líder socialista, mas diante da situação criada pela renúncia de Portas, convocou também reuniões a partir de amanhã com o primeiro-ministro, Pedro Passos Coelho, e com os demais partidos. A crise lusa começou na segunda-feira com a renúncia do ministro das Finanças, Vitor Gaspar, artífice das políticas de ajuste aplicadas em função do resgate que a União Europeia e o Fundo Monetário Internacional (FMI) outorgaram a Portugal em maio de 2011. Passos Coelho substituiu Gaspar ontem pela secretária do Tesouro, Maria Luis Albuquerque, e sua nomeação desencadeou a renúncia de Portas, contrário a algumas das medidas de austeridade e descontente porque essa substituição não favorece o novo "ciclo" que espera no Executivo. A crise aberta com a renúncia do ministro das Relações Exteriores não teve precedentes até que Passos Coelho tirou os socialistas do poder nas eleições antecipadas que se seguiram ao resgate. No entanto, o apoio ao governo conservador não parou de cair nas pesquisas de opinião, onde agora lideram novamente os socialistas, e o país sofreu quatro greves gerais e várias manifestações e protestos por suas duras medidas de austeridade. EFE ecs/ld/rsd (foto)

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