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Cratera, civis mortos e impacto político: como foi o pior atentado na Colômbia em anos

Políticos debatem o impacto do atentado nas eleições presidenciais e criticam estratégias de segurança do governo de Petro

Internacional|Gonzalo Zegarra, da CNN Internacional

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LEIA AQUI O RESUMO DA NOTÍCIA

  • O atentado em Cajibío, Colômbia, resultou na morte de pelo menos 20 civis, sendo considerado o pior desde o acordo de paz com as FARC.
  • Um cilindro explosivo foi lançado sobre um ônibus, causando uma grande explosão que destruiu veículos e abriu uma cratera na rodovia Pan-americana.
  • O ataque foi atribuído à coluna Jaime Martínez, uma dissidência das FARC, enquanto o governo promete reforçar a segurança na região.
  • O atentado suscitou uma onda de acusações políticas entre os candidatos às eleições presidenciais, questionando a eficácia da estratégia de paz do governo atual.

Produzido pela Ri7a - a Inteligência Artificial do R7

O ataque foi atribuído a um grupo dissidente das FARC Jair Coll/Reuters - 26.04.2026

O atentado de sábado (25) na Colômbia, o pior ataque desde a assinatura de um acordo de paz com as FARC (Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia) há quase uma década, deixou pelo menos 20 mortos, todos civis, em uma zona muito atingida pela violência armada no país, quando falta pouco mais de um mês para as eleições presidenciais de 31 de maio.

O Instituto de Medicina Legal relatou no domingo (26) à noite que, entre as vítimas, há 15 mulheres e cinco homens, todos maiores de idade, e que continuam os trabalhos para identificar cinco corpos que faltam ser entregues às famílias.


O ataque no departamento de Cauca foi perpetrado em um ponto da rodovia Pan-americana chamado El Túnel, no município de Cajibío.

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Lá, um cilindro cheio de explosivos foi lançado e caiu sobre um ônibus, o que destruiu também outros 15 veículos, bem como um trecho da via.


A explosão abriu uma cratera enorme e um cenário que parecia saído de uma guerra, com um grande rastro de destruição e corpos estendidos na zona entre ferros retorcidos.

O saldo de vítimas, que inicialmente era de sete mortos, foi aumentando com o passar das horas.


O departamento de Cauca, situado entre a cordilheira dos Andes e o oceano Pacífico, tem uma posição estratégica e é cenário de uma guerra que dura décadas para controlar o transporte de cocaína das montanhas para o mar.

Nos últimos dias, ocorreu uma onda de ações violentas no sudeste da Colômbia com outros ataques explosivos de menor magnitude, todos atribuídos pelo Exército a diferentes grupos que compõem o EMC (Estado-Maior Central), a principal dissidência das FARC, liderada por Néstor Gregorio Vera, vulgo Iván Mordisco, o homem mais procurado da Colômbia.


Pontualmente, o ataque em Cajibío foi atribuído pelos militares à coluna Jaime Martínez. Até agora, nenhum grupo reivindicou o atentado.

O comandante das Forças Militares, o general Hugo Alejandro López, explicou que naquele trecho da Pan-americana havia “um bloqueio por parte destes terroristas da Jaime Martínez”, que mantinham um confronto com uma unidade do Exército a cerca de 2 quilômetros do local.

Enquanto isso, o presidente Gustavo Petro assegurou que “os que atentaram e mataram” os civis em Cajibío “são terroristas, fascistas e narcotraficantes”, e disse que seu chefe está “plenamente identificado pela inteligência policial e militar”.

O mandatário referiu-se a Iván Jacob Idrobo Arrendondo, vulgo Marlon, apontado como suposto líder da coluna Jaime Martínez.

O Ministério da Defesa assegurou, neste domingo, que reforçará as operações em Cauca e anunciou medidas para proteger a população.

As autoridades anunciaram o envio de mais de 13 pelotões de cavalaria blindados, 12 de infantaria e capacidades policiais.

“Despregaremos todas as nossas capacidades para capturar os responsáveis pelos ataques terroristas, proteger a população civil e antecipar novos fatos de violência”, afirmou o titular da Defesa, Pedro Sánchez.

O governo de Petro também anunciou aumentos das recompensas oferecidas pelos líderes das dissidências. Por informações que levem à captura de vulgo Marlon, as autoridades prometem até 5 bilhões de pesos colombianos (cerca de R$ 7 milhões, na cotação atual).

Também oferecem até 500 milhões de pesos (cerca de R$ 700 mil, na cotação atual) por vulgo “Max Max” e 200 milhões (cerca de R$ 278 mil, na cotação atual) por vulgo “Yogui”, identificados pelas autoridades como supostos integrantes do mesmo grupo armado.

Além disso, as autoridades estabeleceram uma recompensa de até 200 milhões de pesos (cerca de R$ 278 mil, na cotação atual) para cidadãos que entreguem informações que permitam evitar novos atentados.

O sangrento ataque foi condenado por todo o arco político, mas também houve espaço para acusações entre os candidatos que aspiram suceder Petro.

O aspirante governista, Iván Cepeda, sugeriu que há uma “inquietação legítima” sobre se estes fatos buscam gerar um clima de medo que favoreça setores de extrema-direita em meio ao processo eleitoral.

Além disso, disse que é “preocupante” que as ações terroristas ocorram em uma região “onde existe um amplo apoio cidadão” ao projeto político do Pacto Histórico.

A candidata opositora Paloma Valencia, do direitista Centro Democrático, rejeitou essa visão e respondeu com críticas à proposta de “paz total” do presidente Petro, que incluiu diálogos frustrados com a guerrilha do ELN (Exército de Libertação Nacional) e negociações com as dissidências.

“Chegou o momento de assumir, com todas as letras, que a paz total fracassou”, respondeu Valencia a Cepeda no X.

Enquanto isso, o ultradireitista Abelardo de la Espriella, do movimento Firmes por la Patria, que disputa com Valencia a vaga em um eventual segundo turno, disse que a violência é consequência direta dessa estratégia de Petro e propôs uma “guerra frontal, sem trégua nem negociação” contra os grupos armados ilegais.

Além disso, afirmou que a violência é “parte de um plano de desestabilização do desgoverno de Petro e de seus cúmplices”, sem apresentar provas.

Petro, que rejeitou várias vezes as insinuações de De la Espriella, assegurou no X que quer “a máxima perseguição mundial contra este grupo narcoterrorista”, em referência às colunas dissidentes.

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