Crédito, salários e distribuição de riqueza: a receita de Lula contra a crise
Internacional|Do R7
Jesús Sanchis. Santo Domingo, 1 fev (EFE).- Manter o fluxo do crédito, aumentar os salários dos pobres e conseguir uma melhor distribuição da riqueza são alguns segredos da "receita" do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva contra a crise, que também contém outros "ingredientes", segundo explicou nesta sexta-feira em Santo Domingo, capital da República Dominicana. O ex-governante, convidado a dar uma conferência sobre "Emprego e Desenvolvimento como saída para a crise", falou alguns dos segredos de seu sucesso político, incluindo a confissão que passou de ser um crítico da sociedade de consumo a fazer apologia da mesmo quando a crise mundial ficou mais forte. E contou que chegou a ir para a televisão durante oito minutos para encorajar as pessoas a comprar, isso se, com responsabilidade e sem endividar-se em excesso. Por isso seu Governo incentivou os créditos para pequenos negócios e para a compra de automóveis, porque uma das coisas que qualquer brasileiro mais gosta é de ter seu próprio carro: "Se depois não há dinheiro para a gasolina, não importa; o dono é capaz de ir pra trás do veículo com sua família para empurrá-lo", brincou. "Mas o certo é que hoje o Brasil quebra todos os recordes em vendas de automóveis", ressaltou. Lula, que definiu a si próprio como o primeiro operário que chegou à Presidência do Brasil, deu algumas razões do sucesso da economia brasileira, que, com uma taxa de desemprego de 4,5%, é a sexta do mundo, disse. E tudo isso com políticas anticíclicas que fomentaram os investimentos, se afastando "da receita da Alemanha", disse. A grande prioridade de Lula era "erradicar a fome" e isso era tão importante para ele que chegou a negar apoio ao presidente americano George Bush, "obcecado em sua guerra contra o Iraque". Bush lhe disse: "Minha guerra não é contra o Iraque, minha guerra é contra a pobreza do meu país". Outras vertentes de sua gestão econômica foram a criação de um Conselho Econômico e Social, um sistema bancário fortemente regulado, que combina os bancos público e privado e, no exterior, a decisão de deixar de olhar só para os EUA e para a Europa e buscar aliados em países próximos. "Decidimos dar novo vigor ao Mercosul... Mudamos a lógica" existente, sentenciou. E assim, o fluxo comercial do Brasil passou entre 2003 e 2012 de US$ 107 bilhões para US$ 482 bilhões e o do Mercosul, bloco formado por Brasil, Argentina, Uruguai e Venezuela como observador (Paraguai está atualmente suspenso) cresceu desde 1991 de US$ 4 bilhões para US$ 50 bilhões. África e Oriente Médio se transformaram em novos polos das relações comerciais do Brasil. "Visitei 33 países africanos: mais que todos os presidentes brasileiros nos últimos 500 anos", disse Lula. Lula trabalhou para estender pelo continente esta nova visão das relações exteriores e por incentivar a economia dos países vizinhos, porque isso é benéfico também para a brasileira, disse. Por isso revelou que reiterou aos líderes mexicanos (Vicente Fox, Felipe Calderón e Enrique Peña Nieto) que a integração da América Latina só se conseguirá quando seu país "deixar de olhar tanto para o norte e olhe um pouco para o sul" e se una ao Brasil, de modo que essas duas economias, as principais da região, "possam contribuir juntas para o desenvolvimento do continente". EFE jsm/ma (foto)













