Cresce o número de vítimas civis em outro ano negro no Afeganistão
Internacional|Do R7
Fawad Waziri. Cabul, 24 dez (EFE).- O número de vítimas civis aumentou em 2013 no Afeganistão, onde prosseguiu a retirada das tropas da Otan e a substituição da segurança pelas forças afegãs, sem que o processo tenha diminuído a espiral de violência no país. Segundo a Missão de Assistência da ONU no Afeganistão (Unama), na primeira metade de 2013 - último período do qual se tem dados -, um total de 1.319 civis morreram por ações armadas, o que representa um aumento de 23% em relação ao mesmo prazo do ano anterior. Observadores em Cabul consideram que esse crescimento mostra a tendência do conflito de se transformar em uma guerra civil quando em 2014 terminar a retirada do contingente da Aliança Atlântica e só ficar uma limitada missão militar dos Estados Unidos em solo afegão. Dois anos após iniciar em 2011 a retirada dos soldados internacionais, 80% dos mais de 31 milhões de afegãos vivem em áreas que já se encontram sob o controle das forças de segurança locais, o que não reduziu sua exposição ao conflito. Os ataques suicidas, as bombas em estradas, os atentados contra representações estrangeiras e as incursões em centros urbanos continuaram ocorrendo quase que diariamente e mantiveram a população em um permanente clima de insegurança. A esse panorama se somou a falta de avanços nas tentativas de entendimento entre as forças políticas e os insurgentes. A abertura em junho, com o apoio dos EUA, de uma embaixada talibã no Catar - como base para que os insurgentes iniciassem conversas com o Governo do presidente Hamid Karzai -, trouxe a esperança de uma saída pacífica para o confronto armado. Algo que foi embaçado pouco depois de o Governo de Karzai ter acusado os EUA de tentarem dirigir a aproximação com os insurgentes e de tentarem obrigar a se empreender um processo de diálogo em condições favoráveis ao movimento talibã. Para tal fato também não ajudou a reticência da direção insurgente de reconhecer as autoridades afegãs como interlocutoras - as quais tacha de marionetes dos EUA -, e sua exigência de estabelecer contato direto com o Governo de Washington. O bloqueio na tentativa de encontrar uma saída negociada para o conflito correu em paralelo à negociação entre Karzai e EUA para prolongar a presença militar americana, uma vez que em 2015 não haverá mais soldados da Otan no Afeganistão. Após meses de negociação, ambas as partes acertaram a dimensão da nova missão militar dos EUA, de entre 10 mil e 15 mil soldados, a duração de sua permanência, dez anos, e sua capacidade operacional, limitada a suas bases, salvo quando o Governo de Cabul autorizar algo excepcional. A divergência surgiu em novembro, quando durante a abertura de uma sessão da assembleia tradicional de notáveis, Karzai anunciou que o pacto só seria assinado depois das eleições presidenciais previstas para abril de 2014 no país. Washington não demorou a deixar claro que o tratado devia ser assinado neste mesmo ano, algo que recebeu o apoio da própria Loya Jirga (Assembleia), mas no início de dezembro Karzai se recusou, o que constituiu outro fator de incerteza sobre o futuro afegão. EFE fpw-amg/ff/ma












