Criança de 6 anos que nasceu menino é reconhecida legalmente como menina na Argentina
"Lulu", como é chamada, vai mudar sua carteira de identidade sem passar por processo judicial
Internacional|, com Reuters

Uma criança de seis anos recebeu autorização para mudar de gênero em seu documento nacional de identidade (DNI), sem precisar passar por um processo judicial, confirmaram nesta quinta-feira (26) fontes da Comunidade Homossexual da Argentina (CHA).
"Caso a mudança realmente aconteça, seria o primeiro caso no mundo em que se consegue alterar [os documentos] sem a intervenção da Justiça", disse o presidente de CHA, César Cigliutti.
A decisão do governo da Província de Buenos Aires foi tomada ontem à noite, depois de parecer positivo da Secretaria Nacional da Infância, Adolescência e Família (Senaf) à solicitação de que "Lulu" pudesse aparecer legalmente como uma menina em sua documentação.
Em reportagem publicada pela agência Reuters, a mãe da criança, identificada como Gabriela, diz que o atual documento gera confusões na cabeça da criança.
— Hoje não existe a "Lulu", existe apenas "Manuel" [seu nome na certidão de nascimento]. (..) Então minha filha me pergunta: "Mamãe, por que todos me chamam de Manuel, se eu sou Lulu?"
Segundo a mãe, sua filha tem consciência de que tem um corpo de menino, mas é muito mais feliz hoje do que no passado.
— Hoje, minha filha é uma garota feliz. Antes, eu tinha um menino de dois anos triste. Oferecendo a escolha entre um menino triste se escondendo embaixo da cama, eu prefiro a garota feliz.
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Após a autorização dos governos federal e estadual, começaram hoje os trâmites para a mudança definitiva da certidão de nascimento.
"Este é um trabalho em que a CHA se envolveu há dois anos. Acompanhamos a mãe de Lulu, falamos com a Secretaria Nacional da Infância e apresentamos nossos próprios relatórios, entre outras ações", explicou Cigliutti, da Comunidade Homossexual da Argentina.
No processo constava também uma intervenção da presidente argentina, Cristina Kirchner, a quem a mãe de Lulu escreveu uma carta, como também ao governador de Buenos Aires, Daniel Scioli.
Cigliutti assegurou que a criança, que passou por várias avaliações psicológicas, mostrou como "é incrível que tenha tanta clareza ainda tão pequena, mas há milhares e milhares de Lulus no mundo que, já maiores, lembram que se viam como mulher desde que tomaram consciência de si mesmas, mas não contavam com o apoio necessário".
Segundo o presidente do CHA, este caso define um marco, "um antes e um depois na Argentina", pelo debate que gerou e "pela repercussão que está tendo em nível internacional".
— Nossa principal estratégia, a mais contundente, é o testemunho, e o que Lulu é. Estamos contentes, mas estaremos mais quando finalmente tenha o novo DNI (documento de identidade).











