Crise faz Cristina Kirchner flexibilizar economia argentina
Para especialista, abertura é derrota do governo kirchnerista
Internacional|Ansa
A batalha econômica de Cristina Kirchner na Argentina atingiu um novo patamar nos últimos dias quando ela anunciou uma abertura — ainda que controversa — do mercado ao dólar.
O governo argentino dispôs uma flexibilização parcial do mercado cambial. Poderão comprar dólares, operação proibida desde 2011, pessoas que tenham um ganho mensal de ao menos dois salários mínimos, pagando imposto de 20%, com limite de US$ 2 mil por mês.
Por que Venezuela e Argentina têm tantos problemas com o dólar?
Dólar informal na Argentina chega aos 13 pesos por dólar
O novo sistema pretende frear a queda de divisa e por fim ao mercado paralelo (conhecido como azul) onde a cotação do dólar chegou a ser 62% mais cara que a oficial.
Para o professor de Relações Internacionais da UNILA (Universidade da Integração Latino-americana), o argentino Felix Pablo Friggeri, esta representa uma "derrota parcial do governo" de Cristina, que teve de ceder a "pressões" de diversos setores, como de agricultores e líderes de multinacionais. "Acho que não foi vontade do governo, mas houve uma concessão realizada em um ambiente complicado".
Ainda de acordo com ele, a desvalorização do dólar tem seus prós e contras. "É difícil manter valor do salário real com o dólar muito alto, também tem uma suposto beneficio na competitividade das exportações".
Ele não considera a medida excludente, apesar de ser limitada a uma certa parcela da população. "O que passa é que a população mais pobre nem conhece o dólar, a exclusão já está dada. A mecânica do mercado de dólar, por si já é excludente, essa modificação não muda nada.", disse.
Na Argentina é muito comum que as classes mais ricas guardem suas poupanças em dólares. Além disso, muitas transações, como compras de imóveis, costumam ser realizadas na moeda estrangeira.
O chefe de Gabinete da Argentina, Jorge Capitanich, chegou a pedir a seus compatriotas nos últimos dias que "não sejam ingênuos" diante de "ataques especulativos" que, de acordo com ele, tem como objetivo "deteriorar a credibilidade e a confiança dos governos".
O ministro da Economia, Axel Kicillof, por sua vez, assegurou no último domingo que o preço do dólar "não deve influenciar nos preços e salários".
Diante de tantas idas e vindas na economia argentina nos últimos ano, agora é esperar para ver.













