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Crise política recrudesce em Bangladesh após eleições gerais

Internacional|Do R7

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Nova Délhi, 6 jan (EFE).- Bangladesh está cada vez mais afundada em uma crise política com a vitória da Liga Awami (situação) nas eleições gerais realizadas ontem em meio a distúrbios e ao boicote da oposição, e questionadas pela comunidade internacional. A violência que dominou as eleições continuou nesta segunda-feira com novos enfrentamentos entre as forças da ordem e opositores que deixaram quatro mortos em Daca, o que eleva o número de vítimas mortas para 22 nas últimas 24 horas. Os mortos se somam às 150 pessoas que morreram desde o anúncio eleitoral em novembro e durante o fim de semana cerca de 200 zonas eleitorais foram queimadas. O jornal "The Daily Star" definiu as eleições como as "mais sangrentas da história do país". A violência pode se prolongar pelos próximos dias com a convocação de uma greve até quarta-feira por parte da oposição, que pede a anulação das eleições, que considera uma "farsa". A Comissão Eleitoral anunciou nesta manhã de forma provisória a reeleição da atual primeira-ministra, Sheikh Hasina, resultado esperado, já que na metade dos 300 distritos do país não houve candidatos de oposição. A Liga Awami venceu em 105 das 139 localidades onde se votou, que se somam às 127 que conquistou nas regiões onde a oposição não se apresentou, o que lhe garantiu mais de dois terços das cadeiras. Os partidos independentes ficaram com as 34 restantes. As eleições serão repetidas em oito distritos, nos quais a violência evitou que os eleitores depositassem seus votos. Apenas 48 dos 92 milhões de possíveis eleitores conseguiram exercer o direito ao voto devido ao boicote e os distúrbios. Enquanto a Liga Awami afirmou que as eleições são "uma vitória da democracia", a principal formação da oposição, o Partido Nacionalista de Bangladesh (BNP), as qualificou de "ridículas", ao governo de "ilegal" e descartou qualquer possibilidade de diálogo. Uma opinião que compartilham analistas, veículos de imprensa de comunicação e observadores internacionais. "The Daily Star", uns dos periódicos mais vendidos do país, afirmou hoje em um editorial que a vitória da Liga Awami representa "uma vitória vazia, que não lhe proporciona nem um mandato nem uma posição ética para governar". O líder do BNP, Jaleda Zia, denunciou que está em prisão domiciliar há mais de uma semana, assim como outros líderes opositores, situação criticada pela HRW, que não considera as eleições livres. Os Estados Unidos expressaram sua preocupação pelas detenções de opositores e a União Europeia lamentou a incapacidade do governo de "criar as condições necessárias para a realização de eleições transparentes". Zia lidera uma coalizão de 18 partidos políticos que pedem a anulação das eleições por discordar da criação de um governo interino liderado pela Liga Awami. A lei estabelecia a criação de um governo interino formado por todos os partidos para supervisionar as as eleições, mas Sheikh modificou a legislação em 2011 e agora controla o processo eleitoral. Sheikh e Zia, ambos de dinastias políticas, se alternaram no poder nas últimas duas décadas e são inimigas ferrenhas. Bangladesh atravessa um de seus momentos mais violentos desde sua independência sangrenta. Neste mandato, o governo criou um tribunal especial para julgar os crimes contra a humanidade cometidos durante a guerra de 1971, na qual Bangladesh se tornou independente do Paquistão, onde até então era o lado oriental. Desde o início de 2013, dez pessoas - na maioria líderes islamitas octogenários, mas também dois líderes do BNP - foram condenados à morte e à prisão, o que gerou violentos protestos e causou centenas de mortes. Além disso, um tribunal tornou clandestino o partido islamita, Jamaat-e-Islami (JI), aliado tradicional de Zia, por considerar que se trata de um partido religioso que não reconhece o povo como a fonte do poder e que incita a divisão entre comunidades. Os distúrbios e a violência mancharam as conquistas do país asiático em desenvolvimento humano, especialmente em alfabetização e na redução da mortalidade infantil nos últimos anos. Além disso, afetaram a indústria têxtil, que gera trabalho para 4 milhões de bengaleses e significou umas vendas ao exterior de US$ 21,52 bilhões, 79% de suas exportações, em 2013. Os frequentes episódios de violência e a incapacidade dos partidos de contê-la levaram em 2007 a instaurar durante quase dois anos um regime tutelado pelo exército bengalês. EFE jlr/tr (foto)

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