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Cristina Kirchner enfrenta protestos maciços em ano eleitoral

Internacional|Do R7

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Buenos Aires, 18 abr (EFE).- O Governo da presidente argentina, Cristina Kirchner, voltou nesta quinta-feira a ser alvo de protestos maciços em Buenos Aires e várias cidades do interior do país, convocados através das redes sociais e com o apoio explícito de setores da oposição, em um ano eleitoral chave. Como no grande protesto do dia 8 de novembro do ano passado, novamente as razões defendidas pelos milhares de manifestantes que foram às ruas foram múltiplos, desde a rejeição às restrições cambiais e à reforma judicial aprovada nesta quinta-feira no Senado, até exigências por causa da inflação e contra a corrupção. Também como em novembro, as redes sociais voltaram a ter um forte protagonismo na hora de convocar o protesto e de refletir o clima de indignação que domina muitos argentinos. Nas ruas, o mal-estar contra o Governo de Cristina se expressou com cartazes e bandeiras argentinas, algumas delas gigantes, e também com o bater de panelas. "Vamos julgá-los", "Respeito à Imprensa Livre", "julgamento político a CFK", "Sem justiça não há futuro", "Defendamos a democracia", foram algumas das palavras de ordem que se viram nas ruas. "É meu dever como cidadão defender a república e todas as liberdades. Este Governo não respeita os cidadãos e é preciso se manifestar até que entendam que é preciso respeitar a pluralidade", disse à Agência Efe Julio, de 50 anos, morador do bairro portenho de Recoleta, para quem o protesto fez "despertar uma oposição que estava adormecida". Lidia, de 37 anos, da cidade na província de Buenos Aires de Avellaneda, disse que protestava contra "a insegurança e a inflação" porque entende que o Governo "não está fazendo nada" e que os cidadãos "não podem ficar com os braços cruzados". "Quero fazer o que puder para contribuir para que as coisas mudem. Estamos muito mal. Não temos justiça. Estamos cada vez pior. E o Governo sabe que não tem razão", disse Graciela, de 75 anos, vizinha do bairro de Floresta. Em Buenos Aires, o protesto começou nos bairros e, dali, muitos dos manifestantes marcharam rumo ao emblemático Obelisco, no centro da capital, e também rumo à Praça de Maio, em frente à sede do Governo. Na metade da mobilização, quando o Senado aprovou a reforma da Justiça, milhares de manifestantes decidiram levar o protesto também para as portas do Parlamento. Também houve fortes protestos em diferentes cidades do interior, como Rosario, Córdoba, Mendoza, Bariloche, Santa Fé, Tucumán, La Plata e na cidade da província de Buenos Aires de Olivos, perto da residência presidencial. A novidade do protesto contra o Governo de Cristina Kirchner foi desta vez o apoio ativo que diversos dirigentes da oposição deram às mobilizações. Nas ruas de Buenos Aires viam-se manifestantes identificados com as cores e as palavras de ordem da Proposta Republicana (Pro), uma das principais forças opositoras, lideradas pelo prefeito de Buenos Aires, Mauricio Macri, que convocou a manifestação através do Twitter, mas que não participou da mobilização, segundo confirmaram à Efe fontes oficiais. Outros dirigentes de oposição, como a deputada Patricia Bullrich, o dirigente sindical Gerónimo Venegas, o líder de Afirmación para una República Igualitaria Elisa Carrió e o deputado do Pro Federico Pinedo, se mostraram entre o povo, protestando ativamente. "Há uma reivindicação da população, que podemos viver melhor e isto se alcança com honestidade e participação da cidadania. Há muitíssimas expressões do que pensa o povo e para nós é muito importante ler o que está dizendo o povo", disse o líder do Frente Amplio Progresista, o socialista Hermes Binner. Por sua vez, o deputado radical Ricardo Alfonsín, também presente na mobilização, disse que a presença da oposição no protesto é "produto da grande preocupação pela degradação de valores fundamentais da democracia e da república". Cristina Kirchner, que na tarde desta quinta partiu rumo a Lima para participar da cúpula extraordinária da União de Nações Sul-Americanas, iniciou sua gestão em 2007 e foi reeleita para um segundo mandato em 2011 com 54% dos votos, mas sua imagem positiva entrou desde então em declínio, segundo diversas empresas de pesquisa privadas. "Para quem gosta de protestar, me parece bem, mas seria bom que além disso todos possamos ajudar", disse a governante em um ato na sede do Executivo, onde não se referiu diretamente à convocação do "18A". A Argentina realizará eleições em outubro próximo, quando o Governo porá em jogo sua maioria no Parlamento, pleito-chave para as presidenciais de 2015. EFE nk-mar/ma (foto) (vídeo)

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