Damasco questiona oferta de diálogo de líder da oposição
Internacional|Do R7
Um jornal próximo ao poder sírio questionou nesta terça-feira a oferta de diálogo feita pelo líder da oposição Ahmed Moaz al-Khatib, exigindo indiretamente que repudie a rebelião armada antes de qualquer negociação.
No momento em que a oposição de Ahmed Moaz al-Khatib recebeu o aval de Washington, mas também de dois aliados de Damasco, a Rússia e o Irã, o regime de Bashar al-Assad ainda não reagiu oficialmente sobre esta abertura.
Mas o jornal al-Watan considerou que, apesar de sua "importância política", a oferta chega com "dois anos de atraso" e não basta para que Khatib seja considerado "um negociador aceitável".
"As declarações de Khatib continuam insuficientes e não fazem dele um negociador aceitável a nível popular. Elas são uma manobra política com o objetivo de corrigir o erro de ter apoiado a Frente (jihadista) da al-Nosra e fornecido pretextos aos crimes cometidos contra a Síria", acrescenta em seu editorial.
O jornal deixa a entender que o líder da oposição deve incentivar a rebelião a abandonar as armas antes que Damasco aceite o diálogo.
Khatib deve "falar a todos os sírios para convencer que os leais (ao regime) e os opositores devem lutar juntos para combater o terrorismo".
A diplomacia americana apoiou o pedido de diálogo, mas excluiu qualquer imunidade para o presidente Bashar al-Assad.
"Se o regime (de Bashar al-Assad) tem algum interesse pela paz, deveria sentar e dialogar agora com a Coalizão Nacional Síria, e apoiaremos fortemente Khatib nesse apelo", disse a porta-voz do Departamento de Estado, Victoria Nuland.
Os principais países que apoiam a rebelião, Arábia Saudita e Qatar, não se pronunciaram, mas meios de comunicação próximos a Ryad relataram vozes dissonantes dentro da Coalizão presidida por Khatib. "As palavras de Khatib são incoerentes", afirmou um membro da Coalizão citado pelo jornal Asharq al-Awsat.
Já a Turquia considerou que um diálogo entre regime e oposição "não levaria a uma solução para o conflito", que já fez mais de 60.000 mortes em quase dois anos.
Contudo, outros opositores e militantes apoiaram a ideia de diálogo por causa do sofrimento da população.
"Tentar acabar com o derramamento de sangue com uma proposta tão humana poderá ter mais resultados do que participar de conferências", declarou o opositor curdo independente Massud Akko em seu Facebook.
"A proposta é inteligente, porque coloca o regime em uma posição difícil no que diz respeito a seus partidários", disse Nadim Abu, um ativista em Duma, perto de Damasco. Mas, "na política, boas intenções não são suficientes", acrescentou
Por sua parte, o Liwa al-Tawhid, importante grupo rebelde do norte da Síria, recusou-se a comentar. "Nós esperamos que as coisas fiquem mais claras sobre esta questão", disse um porta-voz via Skype.
Khatib propôs negociar com o vice-presidente Faruk al-Shareh, que já havia sido evocado pela Liga Árabe, ONU e Turquia para substituir Assad, em caso de transição negociada.
Em meados de dezembro, Shareh expressou abertamente suas divergências com Bashar al-Assad ao se pronunciar a favor de uma solução negociada, uma vez que o presidente sírio escolheu uma opção militar a fim de esmagar a rebelião armada, segundo ele.
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