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Das 130 premiações do Nobel da Paz, apenas 17 foram para mulheres

A maioria delas ainda dividiu o prêmio com outros homens ou organizações

Internacional|Agência Brasil

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A paquistanesa Malala Yousafzai dividiu o prêmio Nobel em 2014 com o ativista indiano Kailash Satyarthi
A paquistanesa Malala Yousafzai dividiu o prêmio Nobel em 2014 com o ativista indiano Kailash Satyarthi DARREN STAPLES/REUTERS

A última personalidade a receber o Nobel da Paz foi o atual presidente da Colômbia, Juan Manuel Santos, em 2016, por seus esforços para acabar com a guerra civil instaurada no país há mais de 50 anos. Foram 130 laureados com a premiação em 97 anos — entre 1901 e 2016. Entre todos os que puderam receber o reconhecimento por seu trabalho pela paz mundial, 17 são mulheres. Elas ficaram atrás dos 88 homens e das 26 organizações que já levaram o prêmio para casa. Além disso, a maioria delas dividiu o prêmio com outros homens ou organizações.

A historiadora e pesquisadora em história das mulheres e estudos de gênero pela Universidade de Brasília (UnB), Ana Vitória Sampaio, explica que o prêmio visa ao reconhecimento e à publicidade internacional de indivíduos que marcaram sua época. Sobre o número muito inferior de mulheres laureadas, Ana Vitória afirma não encontrar outra razão que não seja a permanência e a naturalização do sexismo. “A história das mulheres já nos mostrou que elas não estiveram ausentes do mundo da ciência, das artes, da tecnologia, da política e até mesmo das guerras. No caso do humanitarismo, a presença de mulheres foi maior ainda, já que elas se lançaram, sem o menor temor, como voluntárias em guerras, zonas de conflito e países arrasados pela miséria, pela fome e pela doença”, explica a pesquisadora.

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Ana Vitória lembra que Madre Teresa de Calcutá tornou-se símbolo da luta contra a pobreza na Índia. Algumas são mais desconhecidas, mesmo tendo sido laureadas com o Prêmio Nobel, como Rigoberta Menchú Tum, ativista indígena da Guatemala, e Betty Williams e Maired Corrigan, ativistas da paz e dos direitos humanos da Irlanda do Norte. “Mas, muitas outras ficaram esquecidas. Como disse Virginia Woolf: 'por muito tempo na história, 'anônimo' era uma mulher'”, destaca.

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Quando se trata de mulheres esquecidas pela organização do Nobel, Ana Vitória destaca o trabalho de Zilda Arns. “Como brasileira, defendo que ela merecia o prêmio. Seu trabalho com a Pastoral da Criança é reconhecido no mundo inteiro e, como médica sanitarista, ela parecia não poupar esforços para se deslocar a outra parte do mundo e colocar a própria vida em risco. Sua morte no terremoto do Haiti foi uma perda mundial”, afirma.

Wided Bouchamaoui, primeira mulher presidente da confederação tunisiana, recebeu o Nobel da Paz em 2015
Wided Bouchamaoui, primeira mulher presidente da confederação tunisiana, recebeu o Nobel da Paz em 2015

De acordo com a historiadora, outra mulher que não recebeu o Nobel da Paz, mas teve uma atuação relevante para a paz mundial, foi a queniana especialista em tecnologia, Juliana Rotich. “Ela desenvolveu um conjunto de plataformas com a finalidade de conectar diversos países africanos, difundindo informações sobre guerras e conflitos armados. No século 21, a comunicação é uma arma poderosa, tanto para a segurança das pessoas, quanto para a construção de medidas capazes de prevenir e erradicar a violência”, acrescenta Ana Vitória.

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O Prêmio Nobel da Paz foi criado pelo inventor sueco, Alfred Nobel, no fim do século 19, sendo que a primeira premiação foi feita no ano de 1901, no início do século 20. As categorias originais eram física, química, fisiologia/medicina, literatura e paz. Desde então, o Nobel da Paz já foi concedido 97 vezes a indivíduos e organizações.

Os primeiros ganhadores do prêmio, em 1901, foram o suíço Jean Henry Dunant e o francês Frédéric Passy. Dunant foi o fundador do Comitê Internacional da Cruz Vermelha. Passy fundou a Sociedade Francesa de Arbitragem entre as Nações. De acordo com a historiadora, no caso de Henri Dunant, a Cruz Vermelha é, até os dias atuais, uma organização internacional atuante em zonas de conflitos, tendo participado das duas grandes guerras mundiais e outras guerras que marcaram a história.

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