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Denúncia sobre espionagem marca viagem de Obama a Berlim

Internacional|Do R7

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Por Noah Barkin

BERLIM, 11 Jun (Reuters) - A indignação dos alemães com o programa secreto de espionagem telefônica e digital dos EUA promete marcar a visita de Barack Obama e Berlim na semana que vem, e membros do governo alemão disseram que o presidente norte-americano deveria se explicar assim que chegar à Alemanha.


Um porta-voz da chanceler (primeira-ministra) alemã, Angela Merkel, disse que ela abordará o assunto com Obama na próxima quarta-feira. Isso lança uma sombra sobre a visita, que serve para celebrar as relações germano-americanas no 50o aniversário do famoso discurso em que o presidente John F. Kennedy declarou: "Ich bin ein Berliner" ("sou um berlinense").

A espionagem governamental sobre os cidadãos é um assunto extremamente delicado na Alemanha, onde muitos cidadãos ainda se lembram da atuação da Stasi, a polícia secreta do regime comunista na extinta Alemanha Oriental.


Em artigo publicado na terça-feira no site da revista Spiegel, a ministra da Justiça, Sabine Leutheusser-Schnarrenberger, disse que a vigilância norte-americana é "profundamente desconcertante" e potencialmente "perigosa".

"Quanto mais uma sociedade monitora, controla e observa seus cidadãos, menos livre ela é", afirmou. "A suspeita de vigilância excessiva da comunicação é tão alarmante que não pode ser ignorada. Por essa razão, a abertura e esclarecimentos por parte do próprio governo dos EUA são cruciais a esta altura. Todos os fatos devem ser colocados sobre a mesa."


Os partidos da oposição também aproveitaram a questão, na esperança de esvaziar a expectativa em torno do encontro Merkel-Obama, impedindo a chanceler de se beneficiar eleitoralmente com isso -- ela disputa um terceiro mandato em setembro.

"Parece-me que esse pode se tornar um dos maiores escândalos de (invasão de) privacidade de dados na história", disse Renate Kuenast, líder do Partido Verde, à Reuters.


Obama chega a Berlim na terça-feira, e na quarta-feira se reúne com Merkel e concede entrevista coletiva antes de discursar diante de milhares de pessoas no Portão de Brandemburgo.

É a primeira visita dele à capital alemã desde sua passagem em 2008, ainda durante a campanha que o levou à Presidência. Na ocasião, seu discurso no parque Tiergarten atraiu 200 mil admiradores.

Cinco anos depois, os alemães continuam apaixonados por Obama. Uma pesquisa na semana passada mostrou que 82 por cento dos entrevistados o viam favoravelmente.

Mas o fato de ele não ter conseguido fechar a prisão militar de Guantánamo, o continuado uso dos drones (aviões teleguiados) para mantar militantes da Al Qaeda e as novas revelações sobre a espionagem governamental abalaram esse entusiasmo.

Obama diz que o governo precisa realizar uma "modesta intrusão" na vida dos cidadãos para protegê-los do terrorismo, e garantiu que nenhuma conversa telefônica foi indevidamente escutada.

Mas as leis dos EUA não impõem restrição praticamente nenhuma à espionagem contra estrangeiros, o que significa que teoricamente Washington pode estar bisbilhotando as comunicações dos alemães e outros europeus pela Internet.

Peter Schaar, funcionário alemão responsável por questões de privacidade de dados, disse que isso é motivo para "enormes preocupações" no continente.

"O problema é que nós, europeus, não estamos protegidos do que parece ser um programa de vigilância muito abrangente", afirmou ele ao jornal Handelsblatt. "Nem as regras europeias nem as alemãs se aplicam aqui, e as leis norte-americanas só protegem os norte-americanos."

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