Denúncias mostram que 600 marroquinas foram barriga de aluguel em Luxemburgo
Internacional|Do R7
Rabat, 26 fev (EFE).- Pelo menos 600 mulheres marroquinas se ofereceram como barriga de aluguel nos últimos anos em operações realizadas em Luxemburgo por um valor que oscila entre 13 e 17 mil euros, segundo dados divulgados pelo Centro Marroquino de Direitos Humanos (CNDH). Segundo explicou nesta terça-feira à Agência Efe o presidente desta ONG, Khalid Cherkaui, as operações de fecundação e parto ocorreram em Luxemburgo. O caso das 600 marroquinas foi revelado hoje pelo jornal "Al Ajbar", que citou uma pessoa do CNDH chamada Rachida Uriagli, ex-parlamentar em Luxemburgo e que fez um estudo sobre o caso em várias cidades do norte do Marrocos. A inseminação artificial é proibida no Islã, mas a tradução legislativa varia de um país a outro. Cherkaui acrescentou que todo o trabalho de fecundação das barrigas de aluguel acontece em segredo e que estão envolvidas várias pessoas, além dos pais biológicos e da mãe que oferece seu útero. Concretamente, citou os médicos marroquinos - sem dar nomes nem números - que "elaboram um dossiê médico" para que a "mãe portadora" possa sair do país, e também acrescentou os "intermediários" que tiram proveito da operação. O presidente da ONG disse que o CNDH estabeleceu a formação de um comitê especial para investigar este fenômeno. Cherkaui reprovou o uso de barrigas de aluguel por considerá-lo "uma violação flagrante dos direitos da mulher e da criança", pois, segundo ele, representa o uso da mulher como uma "máquina de produção". As marroquinas que se ofereceram como barriga de aluguel são, na maioria, empregadas do lar, moças de rua e de famílias pobres, que receberam entre 150 e 200 mil dirhams (entre R$ 34.920 e R$ 46.560) pelas operações. Quanto aos beneficiados, Cherkaui afirmou que são, em sua maioria, ocidentais com dificuldades para gerar filhos biológicos. EFE fzb/rpr













