Deputados espanhóis pedem que Brasil facilite acordo entre Mercosul e UE
Internacional|Do R7
Brasília, 5 jun (EFE).- O presidente da Comissão de Relações Exteriores do Congresso dos Deputados da Espanha, Josep Antoni Duran i Lleida, pediu nesta quarta-feira que o Brasil assuma sua "liderança" no Mercosul e ajude a "destravar" a negociação comercial do bloco com a União Europeia (UE). "Deixamos claro para o Brasil que gostaríamos muito que o país liderasse o Mercosul e pudesse reduzir as dificuldades para a realização de um acordo com a UE", afirmou o deputado espanhol em entrevista à Agência Efe em Brasília. Duran i Lleida ressaltou que a "Espanha tem um grande interesse nesse acordo". Lembrou que há pouco mais de dois anos - apesar da oposição da França - seu país ajudou na "recuperação do diálogo" entre os dois blocos, que, no entanto, não apresentou progressos. Em sua opinião, o "Brasil tem que liderar o Mercosul e, em caso dificuldades impostas pelos outros países do bloco, deve tomar atitudes para superá-las". O político espanhol insistiu que o "Brasil tem que se abrir para o mundo porque é um país muito importante, que em poucos anos se tornará uma das principais economias do mundo". Duran i Lleida disse que a UE está disposta a dialogar, mas que "é o Mercosul que cria dificuldades" e, principalmente, um país específico do bloco sul-americano, que preferiu não identificar. Segundo ele, o "Brasil não pode se deixar levar pelas dificuldades" e deve assumir sua liderança no bloco, sobretudo em um momento em que grandes acordos comerciais internacionais - que não incluem o Mercosul - estão sendo negociados. As inquietações expressadas pelo espanhol são compartilhadas por alguns setores empresariais brasileiros. Na última terça-feira, a Confederação Nacional da Indústria (CNI) do Brasil publicou um relatório no qual sustenta que o país e os membros do Mercosul ficarão "isolados" se não procurarem alternativas para assinar novos acordos comerciais, como outras nações da América Latina fizeram. O relatório publicado ontem cita os acordos comerciais internacionais assinados recentemente e outros que estão em discussão, e conclui que o Brasil, Argentina, Uruguai, Venezuela e Paraguai estão "à margem" dessas grandes negociações. No documento, a CNI destaca a Aliança do Pacífico, bloco que reúne México, Colômbia, Peru e Chile, "países que, juntos, são responsáveis por 35% do Produto Interno Bruto (PIB) latino-americano e por 3% do comércio mundial". Além disso, o relatório mostra que todos os países citados têm acordos de livre-comércio com os Estados Unidos e a União Europeia (UE), com exceção do Brasil, que tem apenas "22 acordos preferenciais, e, em sua maioria, de pouca relevância". O Brasil "corre o risco de perder espaço em seus mercados exportadores se não entrar totalmente no jogo mundial de buscar novas sociedades no comércio internacional", afirmou a CNI. EFE ed/apc/rsd













