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Desespero se espalha entre vítimas pelo tufão nas Filipinas

Internacional|Do R7

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Helen Cook. Taclobán (Filipinas), 12 nov (EFE).- Mães com bebês nos braços e crianças abatidas são parte das dezenas de milhares de afetados pelo tufão "Haiyan" que nesta terça-feira suplicam por alimentos e água nas regiões devastadas na região central das Filipinas. Embora a União Europeia e vários outros países tenham enviado ajuda e equipamentos médicos à ilha de Leyte e outras regiões afetadas, a assistência está chegando de forma paulatina e insuficiente, dada a magnitude da catástrofe provocada pelo tufão na sexta-feira passada. Quando dois aviões das Forças Armadas das Filipinas chegaram nesta madrugada ao aeroporto da cidade devastada de Taclobán, a mais afetada em Leyte, os soldados e policiais trabalharam para evitar uma "avalanche" de desabrigados que pediam para subir nos aviões. As mães levantavam seus bebês no meio da chuva para conseguir entrar primeiro, mas poucos conseguiram embarcar nos aviões C-130s. "Implorei aos soldados. Fiquei de joelhos e insisti porque tenho diabetes", disse Helen Cordial, uma das sobreviventes do tufão, ao canal de TV local "GMA". "Querem que eu morra neste aeroporto? Vocês têm corações de pedra", dizia a filipina. Taclobán, onde só restou cerca de 30% dos edifícios, é um cenáro desolador em que, de acordo com fotografias aéreas, só restaram os destroços das casas e uma vegetação arrasada. A maioria dos moradores precisa dormir na chuva e fazer longas filas entre as inundações para conseguir o arroz distribuído pelos soldados. Enquanto isso, os saques são constantes devido ao desespero da população e a falta de alimentos. O primeiro-ministro, Benigno Aquino, declarou ontem à noite que o país está em estado de calamidade e enviou soldados para garantir a segurança, embora as prioridades são levar comida e medicamentos às vítimas. Os órgãos oficiais falam em mais de 1.700 mortos e quase 10 milhões de desabrigados, enquanto os números extraoficiais e das Nações Unidas estimam que os falecidos passam de 10 mil pessoas. "É arrasador. Precisamos de mais remédios. As vacinas contra tétano acabaram", disse à imprensa local Antonio Tamayo, capitão das Forças Aéreas filipinas. Ferimentos, contusões, gripe, cólera e traumas psicológicos são alguns dos desafios enfrentados pelos serviços de emergência, que começam a receber ajuda da ONU e agências internacionais de cooperação. A comunidade internacional já doou US$ 54 milhões em ajuda. Vários navios militares dos Estados Unidos e do Reino Unido devem chegar hoje à costa filipina com mantimentos. A organização Médicos Sem Fronteiras (MSF) indicou ontem que, apesar das dramáticas imagens das zonas afetadas, o pior pode estar por vir, já que há centenas de pessoas isoladas na ilha de Leyte. "Atualmente estamos trabalhando em um vácuo de informação. O pouco que vemos já indica que a situação é terrível, mas o que não vemos é o mais preocupante", disse em comunicado a doutora Natasha Reyes, coordenadora do MSF nas Filipinas. "A informação que recebemos de Taclobán é de que a cidade inteira, de 400 mil habitantes, foi devastada. Além disso, há centenas de pessoas espalhadas ao longo de milhares de quilômetros onde o tufão passou e a comunicação foi interrompida", acrescentou Natasha. "Honestamente, ninguém sabe qual é a situação nessas regiões mais remotas e rurais, e levará um tempo até que tenhamos uma visão geral. Este tipo de desastre não tem precedentes nas Filipinas. As consequências são parecidas com um grande terremoto seguido de enormes inundações", comparou a coordenadora do MSF. EFE rml/jcf/tr (foto)

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