Diálogo de paz colombiano completa 6 meses sem solução para questão agrária
Internacional|Do R7
Havana, 19 mai (EFE).- Os diálogos de paz que o Governo da Colômbia e as Farc sustentam em Cuba completaram seis meses neste domingo sem superar o primeiro ponto da agenda, a questão agrária, enquanto prossegue o conflito no país. As duas partes admitem aproximações no tema agrário, mas o certo é que a mesa de diálogos em Havana ainda não alcançou resultados concretos que permitam avançar na agenda definida para tentar pôr fim aos conflitos. Ainda assim, as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc) fizeram hoje um balanço positivo dos seis meses de conversas, período em que se progrediu "em meio a dificuldades, tentando aproximar duas posições diametralmente opostas", segundo "Ivan Márquez", número dois da guerrilha e chefe de sua delegação de paz. Embora estejam pessimistas com a possibilidade de fechar em breve o primeiro ponto da agenda, as Farc voltaram neste domingo a pedir tempo para o processo em geral e discordaram de quem critica sua lentidão. "Não entendo por que dizem que o ritmo é lento. Precisamos tratar esses temas com serenidade, com profundidade, se realmente queremos criar bases sólidas para a construção de uma paz estável e duradoura", avaliou à imprensa "Ivan Márquez", cujo nome verdadeiro é Luciano Marín Arango. As diferenças entre a guerrilha e o Governo sobre a duração e o ritmo das conversas foram constantes nos seis meses de diálogos em Havana, onde os negociadores do presidente Juan Manuel Santos advertem que não se pode conversar "indefinidamente" e pedem agilidade às Farc para dar resultados ao povo colombiano. A guerrilha, por sua vez, não quer ser forçada a agir com mais pressa e rejeita trabalhar sob a pressão dos períodos legislativos e eleitorais que marcam o pleito presidencial de 2014. Nesse sentido, os guerrilheiros apontaram hoje que o anúncio do presidente Santos de tentar a reeleição é uma decisão que "liberta" o processo de paz de "pressões desnecessárias de tempo", segundo disse "Ivan Márquez". Como foi habitual nos últimos seis meses, durante a chegada das equipes negociadoras ao Palácio de Convenções de Havana não houve declarações à imprensa por parte dos delegados do Governo, liderados pelo ex-vice-presidente Humberto de la Calle, que só fala, e sem responder a perguntas feitas pelos jornalistas, ao final de cada rodada de negociação. Uma das características marcantes dos diálogos de Havana foi a discrição midiática dos delegados de Santos frente a uma guerrilha que aproveitou diariamente as câmeras e os microfones da imprensa para ler comunicados, dar declarações sobre diversos temas e divulgar suas propostas em matéria agrária. Desde que em 19 de novembro de 2012 foram instaladas em Cuba as conversas para a paz na Colômbia, houve nove rodadas de diálogo, as primeiras dedicadas a projetar mecanismos de participação cidadã, como uma série de foros para debater cada um dos pontos da agenda e levar propostas à mesa de negociações. Enquanto o diálogo na ilha caribenha segue estagnado no tema agrário, na Colômbia já foram realizados os foros sobre esse ponto e o seguinte: as garantias para a participação política das Farc assim que for alcançado o acordo definitivo para a paz. Nesta segunda-feira, representantes do Centro do Pensamento da Universidade de Bogotá e do escritório das Nações Unidas na Colômbia viajarão a Havana para entregar às equipes negociadoras as propostas que saíram desse evento. Nesses seis meses, Governo e guerrilha também dedicaram muitas horas (a metade do tempo de trabalho conjunto, segundo as Farc) a questões "relacionadas com a metodologia" das conversas, como, por exemplo, "unificar" o significado das palavras e termos sobre os diferentes temas. Foi necessário "elaborar uma espécie de glossário que nos permita ficar seguros, tanto do lado do Governo como da insurgência, para que quando nos refiramos a um tema estejamos entendendo a questão da mesma maneira. Isso é fundamental para compreender os problemas e poder avançar", explicou "Ivan Márquez". EFE sam/pa (foto)











