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Diálogos de paz com as Farc redefinem vida política colombiana

Internacional|Do R7

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Jaime Ortega Carrascal. Bogotá, 19 dez (EFE).- As negociações de paz entre o governo e as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc) redefiniram este ano a agenda política da Colômbia, incluindo a possibilidade de reeleição do presidente Juan Manuel Santos, que buscará um segundo mandato nas eleições de 2014. Durante todo o ano os colombianos acompanharam com atenção os altos e baixos das negociações em Havana entre o Governo e as Farc, e em função desse processo as diferentes forças políticas prepararam sua estratégia para as eleições legislativas do dia 9 de março e as presidenciais de 25 de maio. No longo ano de negociações na capital cubana o Governo e as Farc fecharam dois acordos parciais em uma agenda de seis pontos, e embora o diálogo não avance no ritmo que Santos e o país esperavam, o conseguido até agora dá solidez ao processo. O primeiro acordo, sobre terras e desenvolvimento rural, foi fechado em 26 de maio, e o segundo, sobre participação política, foi anunciado quase seis meses depois, em 6 de novembro, após o qual o Governo e as Farc passaram a discutir outro tema espinhoso, o das drogas ilícitas, um fenômeno que há décadas se transformou em "combustível" do conflito colombiano. "Imaginam os senhores uma Colômbia sem conflito e sem coca? Essa Colômbia, essa Colômbia maravilhosa é possível, e rumo a essa meta estamos indo", disse o presidente em mensagem ao país no início de novembro, uma ideia que repete como um mantra com frequência em seus discursos. O Governo também manifestou este ano sua disposição de fazer uma negociação similar com o Exército de Libertação Nacional (ELN), a segunda maior guerrilha local, que nos últimos meses libertou vários sequestrados que tinha em seu poder para abrir caminho para o diálogo. Santos, que também insiste em afirmar que ninguém acertou tantos golpes, militarmente falando, nas Farc como ele, primeiro como ministro da Defesa do Governo anterior e depois como presidente, se transformou ao mesmo tempo no principal patrocinador dos diálogos de paz com a convicção de que a Colômbia não pode perpetuar um conflito armado que já dura meio século. Nesse sonho de paz o líder apostou todo seu capital político, e à assinatura de um acordo de fim do conflito com as Farc ancorou sua aspiração a conseguir nas urnas um segundo mandato para governar até 7 de agosto de 2018. Essa ideia ele amadureceu ao longo do ano e finalmente a confirmou no dia 20 de novembro, justamente um dia depois de completar o primeiro aniversário do início das conversas com as Farc em Cuba. "Faço isso porque estou convencido de que avançamos o suficiente e que finalmente é possível chegar a esse futuro de prosperidade e de paz que todos os colombianos merecem", disse o presidente ao oficializar seu desejo de concorrer à reeleição porque, acrescentou, é necessário "terminar a tarefa". As primeiras pesquisas favorecem Santos com intenções de voto que oscilam em torno dos 25%, insuficiente para evitar um segundo turno que seria realizado em 15 de junho de 2014. Apesar do desejo de paz dos colombianos, um grande setor do eleitorado não apoia Santos, com um discurso contrário à forma de realizar os diálogos de paz em Cuba porque considera que o Governo está fazendo muitas concessões às Farc, entre elas a "impunidade" por seus crimes. Esse bloco se reúne ao redor do ex-presidente Álvaro Uribe (2002-2010) - inspirador de um movimento de recente criação, o Uribe Centro Democrático (UCD) - que já escolheu como candidato seu ex-ministro Oscar Ivan Zuluaga, que deve ser o contraponto do Governo com a promessa de suspender o processo de paz para submetê-lo à revisão se vencer as eleições. O próprio Uribe, que lidera a lista do UCD para o Senado, apontou sua artilharia para Santos e contra as negociações com as Farc, e, dependendo do apoio eleitoral que seu movimento obtiver nas eleições de março, pode se transformar na pedra no sapato do presidente e do processo de paz. EFE joc/ma

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