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Dilma hesitou ao não criticar abusos cometidos na Venezuela, afirma especialista

Desde meados de fevereiro, manifestações têm terminado em violência no país

Internacional|Marta Santos, do R7

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Até o momento, 31 pessoas morreram e 400 ficaram feridas durante as manifestações na Venezuela
Até o momento, 31 pessoas morreram e 400 ficaram feridas durante as manifestações na Venezuela

A Venezuela vem sendo palco de manifestações contra e favor do governo de Nicolás Maduro desde meados de fevereiro. Em meio à crise econômica que assola o país vizinho e a violência que se estabeleceu em alguns desses protestos, o Brasil, nação que visa atuar em conflitos internacionais fora da América Latina, permanece omisso.

Segundo o professor de relações internacionais da FGV em São Paulo, Oliver Stuenkel, entrevistado pelo R7, ambas as partes envolvidas nas manifestações, governo e oposição, cometeram abusos nas últimas semanas, por isso, as autoridades brasileiras falharam ao direcionar suas críticas apenas a um dos lados.


“A princípio, é claro que o Brasil deveria apoiar a permanência de Maduro, porque o governo ganhou a eleição. Mas é preciso reconhecer que o governo reduziu a qualidade da democracia venezuelana e violou princípios básicos como a liberdade de expressão e o direito à manifestação”, disse o professor.

— Certamente, o Brasil deveria ter assumido um papel mais importante, mais visível na discussão interna venezuelana, porque poderíamos ter assumido um papel de mediador aceitável para os dois lados.


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Esse foi o caso em 2003, quando o então presidente Lula criou um grupo chamado Grupo de Amigos da Venezuela, que tinha a participação de seis nações e possibilitou negociações diretas entre governo e oposição venezuelanos para tentar superar um impasse político na época.

“Lula pressionou o governo [da Venezuela] e também a oposição a sentar e conversar. Ele também insistiu em ter os Estados Unidos e a Espanha presentes porque eles eram apoios importantíssimos para oposição”, explica Stuenkel.


— Agora, o Brasil já não é mais um ator confiável porque se posicionou claramente a favor do governo venezuelano e não tem espaço de manobra para influenciar a situação. Nesse sentido, a estratégia brasileira em relação à Venezuela tem sido um fracasso, sobretudo em comparação a atuação de dez anos atrás.

Essa falta de influência sobre o país vizinho e a omissão perante uma situação de crise “afeta, aos olhos da comunidade internacional, a capacidade brasileira de se engajar em conflitos internacionais de grande complexidade e atuar fora da América Latina”, explica o professor.

— O governo atual é muito mais fraco do que os dois anteriores [Lula e Fernando Henrique Cardoso], é um governo inseguro de se envolver em conflitos complexos que podem afetar negativamente a aprovação da presidente.

Há pouco mais de um mês a Venezuela é palco de uma onda de manifestações contra a insegurança, a inflação de 56% anual, a escassez de produtos básicos, a repressão dos corpos policiais e a detenção de ativistas.

O governo acusa a oposição de usar os protestos para tentar um golpe de Estado; já a oposição defende o direito de se expressar pacificamente e acusa a polícia de abusos. Até o momento, 31 pessoas morreram, 400 ficaram feridas e 42 inquéritos foram abertos sobre violação de direitos humanos.

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