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Distúrbios e confrontos marcam celebração do Dia do Trabalho em Istambul

Internacional|Do R7

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Istambul, 1 mai (EFE).- Os confrontos entre policiais e manifestantes registrados nesta quarta-feira durante as celebrações do Dia do Trabalho (1º de maio) em Istambul deixaram dezenas de feridos, entre eles sete agentes de segurança e dois jornalistas, informou a emissora "CNN Türk", que ressaltou que 20 pessoas também foram detidas. A decisão das autoridades de proibir a tradicional celebração na Praça Taksim, que está passando por algumas obras, e a insistência dos sindicatos de comparecer a este emblemático lugar deram início aos intensos confrontos na capital turca, um fato que supôs o 1º de Maio mais violento dos últimos anos. Para evitar os confrontos citados, as autoridades desdobraram 20 mil policiais ao redor da praça e também suspenderam o transporte público para impedir que os manifestantes chegassem ao local. Os confrontos entre manifestantes e agentes de segurança começaram no início da manhã em pontos estratégicos situados a mais de um quilômetro da praça, onde os cordões policiais, munidos de máscaras de gás, impediam o avanço dos manifestantes que seguiam em direção a Taksim. Após serem dispersos com uso de bombas de efeito moral, os manifestantes passaram a lançar pedras contra os agentes, que, em resposta, intensificaram a repressão com uso de gás lacrimogêneo e jatos de água, fato que originou uma batalha campal que se prolongou durante horas. Finalmente, por volta da 1h local, os grupos sindicalistas desistiram de furar o cordão policial e encerraram seus protestos com uma concentração na Praça de Besiktas, onde menores incidentes também foram registrados. O que hoje ocorreu em Istambul "é terrorismo do Estado", declarou à Agência Efe Ismail Hakki Tombul, secretário-geral da Confederação de Trabalhadores Públicos (KESK). Antes dos confrontos, diversos sindicatos chegaram a negociar uma possível permissão de para se concentrar na Praça Taksim, que desde 1977, quando 36 pessoas foram mortas no local, se tornou um símbolo da luta operária. O governo, por sua parte, se negou a dar as citadas autorizações ao alegar que parte da praça está passando por reformas, o que poderia trazer uma série de riscos para a segurança dos manifestantes. "Aparentemente, o gás lacrimogêneo, os cassetetes e os jatos de água não supõem tal risco", ironizou Tombul. De acordo com a "CNN Türk", as principais avenidas de Istambul também foram bloqueadas desde o começo da manhã por cercas e cordões policiais, um desdobramento que contou com 40 mil agentes, 3 mil deles vindos de outras províncias do país. "Já enfrentei o gás lacrimogêneo muitas vezes, mas nunca vi as autoridades usá-lo tanto como hoje", assinalou à Agência Efe Suleyman Celebi, deputado do opositor Partido Republicano do Povo (CHP). O movimento operário turco outorga um enorme simbolismo à celebração do 1º de Maio na Praça de Taksim, tendo em vista que a ditadura militar de 1980 proibiu tais concentrações no local. Somente depois de anos - em 2009, mais especificamente - o governo voltou a autorizar manifestações na emblemática praça. Desde então, milhares de pessoas se concentram nesse lugar a cada ano para celebrar o Dia do Trabalho em um ambiente festivo e sem o registro de distúrbios. EFE tc-iut/fk (foto)

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