Logo R7.com
RecordPlus

Divisão interna, incertezas: por que Trump decidiu estender cessar-fogo com o Irã?

Prorrogação do cessar-fogo aconteceu pouco antes de seu vencimento; novo acordo não tem data final definida

Internacional|Kaitlan Collins, Kevin Liptak, Kristen Holmes e Alayna Treene, da CNN Internacional

  • Google News

LEIA AQUI O RESUMO DA NOTÍCIA

  • Donald Trump decidiu estender o cessar-fogo com o Irã antes do vencimento, devido à falta de respostas nas negociações.
  • A ausência de consenso entre os líderes iranianos está dificultando o avanço nas conversas sobre enriquecimento de urânio e sanções.
  • A avaliação dos EUA é que a prolongação do cessar-fogo pode dar tempo ao Irã para alinhar sua posição, embora não haja garantias.
  • Trump reitera a busca por uma solução diplomática ao conflito, mas enfrenta críticas sobre a possibilidade de o Irã ganhar tempo durante as negociações.

Produzido pela Ri7a - a Inteligência Artificial do R7

Anúncio de Trump ocorreu após um dia marcado por incertezas Julia Demaree Nikhinson/AP via CNN Internacional - 18.04.2026

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, reuniu-se com sua equipe de segurança nacional na tarde de terça-feira (21) na Casa Branca diante de uma decisão importante: o que fazer a seguir em relação ao Irã.

O prazo do cessar-fogo estava perto do fim, e o Air Force Two aguardava na pista da Base Conjunta Andrews antes da partida programada do vice-presidente JD Vance para o Paquistão, onde ocorreria a próxima rodada de negociações. Mas o governo enfrentava um impasse: silêncio quase total por parte dos iranianos.


Nos dias anteriores, os EUA haviam enviado ao Irã uma lista de pontos gerais de um possível acordo que queriam que fossem aceitos antes da nova rodada de conversas. No entanto, dias se passaram sem resposta, levantando dúvidas sobre o quanto Vance e outros poderiam avançar ao viajar ao Paquistão para negociações presenciais, segundo três autoridades familiarizadas com o tema.

Leia mais

Enquanto Trump se reunia com Vance, o secretário de Estado, Marco Rubio, o secretário de Defesa, Pete Hegseth, o chefe do Estado-Maior Conjunto, Dan Caine, e o diretor da CIA, John Ratcliffe, na Casa Branca, o governo ainda não havia recebido qualquer retorno do Irã. Autoridades pressionaram o principal mediador do Paquistão, o marechal de campo Asim Munir, a obter algum tipo de resposta antes da decolagem.


Ainda assim, horas depois, não houve retorno.

Divisão interna

Na Casa Branca, assessores de Trump acreditam que uma das principais razões para a falta de resposta é a divisão interna na atual liderança iraniana, com base em parte em relatos dos intermediários paquistaneses.


A avaliação do governo americano é de que não há consenso no Irã sobre sua posição nem sobre o quanto dar autonomia aos negociadores em temas como o enriquecimento de urânio e o estoque atual — um dos principais entraves das negociações.

Parte dessa dificuldade, segundo os EUA, está relacionada a dúvidas sobre se o novo líder supremo, Mojtaba Khamenei, está dando orientações claras a seus subordinados ou se eles estão agindo sem instruções específicas.


Autoridades americanas acreditam que o fato de ele permanecer oculto tem prejudicado as discussões internas do governo iraniano.

Apesar desses obstáculos, uma autoridade disse que ainda há chance de negociadores dos EUA e do Irã se reunirem em breve, embora o momento dessa reunião seja incerto.

Em vez de retomar ataques militares, Trump optou por estender o cessar-fogo com o Irã pouco antes de seu vencimento. Desta vez, não estabeleceu uma nova data final.

Em uma publicação na rede Truth Social, ele descreveu o governo iraniano como “seriamente fragmentado” e reiterou o interesse em uma solução diplomática, evitando reativar um conflito impopular que, segundo ele, os EUA já venceram.

Ainda assim, o colapso temporário das negociações evidencia as dificuldades enfrentadas por Trump para alcançar um acordo que atenda às suas diversas exigências.

O Irã insiste publicamente que Trump suspenda o bloqueio a navios que entram ou saem de portos iranianos no estreito de Ormuz antes de retomar as negociações. Trump rejeitou a exigência. “Não vamos reabrir o estreito até termos um acordo final”, afirmou à CNBC na manhã de terça-feira (21).

Em uma reunião à tarde, Trump e seus assessores decidiram estender o cessar-fogo, que mediadores paquistaneses indicavam que expiraria em poucas horas — embora Trump tenha sugerido que duraria até a noite de quarta-feira, em Washington.

A medida poderia, em teoria, dar mais tempo ao Irã para unificar sua posição com aval de Khamenei, embora não haja garantias.

Autoridades disseram que uma viagem pode ser organizada rapidamente caso haja sinais de que o Irã está disposto a retomar as negociações.

Tanto os EUA quanto Teerã sofrem impactos econômicos enquanto o estreito permanece praticamente fechado, o que leva alguns analistas a acreditar que ambos têm incentivo para chegar a um acordo.

Autoridades paquistanesas, que tentaram convencer o Irã a participar das negociações, também pressionaram Trump a estender o cessar-fogo. Com o prazo se aproximando, Trump decidiu prorrogá-lo “até que uma proposta seja apresentada e as discussões sejam concluídas, de uma forma ou de outra”.

Autoridades iranianas, no entanto, não demonstraram mudança de postura.

“O prolongamento do cessar-fogo por Trump não significa nada”, disse Mahdi Mohammadi, assessor do presidente do Parlamento iraniano, Mohammad Ghalibaf, que lidera a delegação negociadora. “O lado derrotado não pode impor termos. A continuidade do bloqueio não é diferente de um bombardeio e deve ser respondida militarmente.”

Incertezas

O anúncio de Trump ocorreu após um dia marcado por incertezas, que começou com a declaração de que ele “esperava voltar a bombardear” o Irã em breve.

Sem um novo prazo definido, assessores alertaram em privado que a redução da pressão pode permitir que o Irã prolongue as negociações.

A expectativa era que, ao menos, fosse possível alcançar um entendimento preliminar nesta semana, abrindo caminho para discussões mais detalhadas nas semanas seguintes.

Essa estratégia, no entanto, tem críticos, que alertam que o Irã pode estar ganhando tempo enquanto reorganiza sistemas de mísseis ocultos durante o conflito.

Diversos pontos-chave seguem sem solução, incluindo a capacidade futura do Irã de enriquecer urânio, o destino de seu estoque altamente enriquecido e quais sanções seriam suspensas.

O grau de flexibilidade de cada lado será determinante para um acordo. Para Trump, é essencial não fechar um acordo semelhante ao Plano de Ação Conjunto Global da era Barack Obama, do qual ele retirou os EUA em 2018 e que costuma criticar como fraco.

Nos últimos dias, Trump demonstrou confiança na possibilidade de um acordo melhor, afirmando inclusive que teria “vencido a Guerra do Vietnã rapidamente” se fosse presidente na época.

“Acredito que vamos chegar a um grande acordo”, disse. “Eles não têm escolha. Destruímos a marinha, a força aérea e, francamente, eliminamos seus líderes, o que também complica as coisas.”

Horas depois, ao participar de um evento com atletas universitários, Trump evitou comentar o conflito, acenando para jornalistas que tentavam fazer perguntas antes de deixar o local.

Search Box

Fique por dentro das principais notícias do dia no Brasil e no mundo. Siga o canal do R7, o portal de notícias da RECORD, no WhatsApp

Últimas


Utilizamos cookies e tecnologia para aprimorar sua experiência de navegação de acordo com oAviso de Privacidade.