Egito espera a decisão sobre 75 possíveis sentenças de morte
Tribunal egípcio irá transferir os casos de mais de 70 acusados de terem participados dos protestos em 2013 à principal autoridade religiosa do país
Internacional|Carolina Vilela*, do R7 com Reuters

Um tribunal egípcio informou que irá transferir os casos de 75 pessoas acusadas de crimes relacionados à segurança, incluindo altos membros da Irmandade Muçulmana, à principal autoridade religiosa do Egito para decidir se eles deveriam ser condenados à morte, neste sábado (28).
Eles estão entre os mais de 700 outros acusados de protesto e assassinato ilegais durante uma manifestação em 2013, que terminou com a morte de centenas de partidários da Irmandade Muçulmana e dezenas de policiais quando as forças de segurança a romperam violentamente.
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Os acusados enfrentam uma série de sentenças, incluindo execução e prisão perpétua.
Mufti Shawki Allam
A lei egípcia exige que qualquer sentença capital seja encaminhada ao Grande Mufti Shawki Allam, o mais alto funcionário legal islâmico do Egito, para uma opinião antes que qualquer execução possa ocorrer.
A decisão do Mufti não é juridicamente vinculativa, mas raramente é ignorada pelos tribunais.
Em 2014, o Mufti rejeitou uma sentença de morte proposta para o líder da irmandade ilegal, Mohamed Badie, que faz parte do mesmo caso. Badie foi condenado à prisão perpétua.
Os 75 casos transferidos para o Mufti por seu veredicto incluem os dos líderes da Irmandade, Issam al-Aryan, Mohamed Baltagi e os proeminentes pregadores islâmicos Safwat Higazi e Wagdi Ghoneim, disseram fontes judiciais.
Grupos de direitos humanos criticaram o julgamento de mais de 700 pessoas no mesmo caso e disseram que entre os acusados estão jornalistas e manifestantes pacíficos. A Anistia Internacional disse no sábado que o julgamento foi injusto e que os acusados não tiveram o direito de apresentar uma defesa adequada.
"As autoridades egípcias nunca questionaram ou processaram qualquer membro da força de segurança que participou do massacre", disse o comunicado.
Manifestações de 2013
A manifestação de 2013 na praça Rabaa Adawiya, no Cairo, ocorreu depois que os militares, liderados pelo atual presidente Abdel Fattah al-Sisi, derrubaram o presidente islâmico Mohamed Mursi em um golpe apoiado popularmente.
A Anistia Internacional diz que a dispersão do protesto em agosto daquele ano matou mais de 800 manifestantes. O governo do Egito disse que muitos manifestantes estavam armados e que 43 policiais foram mortos.
A sentença final do caso é esperada para 8 de setembro depois que o Mufti der sua decisão, disseram fontes judiciais.
*Estagiária do R7 sob supervisão de Raphael Hakime












