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Ela foi primeira-dama aos 19 anos; agora, está a um passo de vencer a presidência do Peru

Keiko enfrenta críticas e acusações de corrupção, mas promete restaurar a ordem e a segurança no país

Internacional|Claudia Rebaza, da CNN Internacional

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LEIA AQUI O RESUMO DA NOTÍCIA

  • Keiko Fujimori, filha do ex-presidente Alberto Fujimori, está a um passo de vencer a presidência do Peru após obter 50,13% dos votos no segundo turno das eleições.
  • Apesar de críticas e acusações de corrupção, Fujimori promete restaurar a ordem e segurança no país, que enfrenta uma crise política e institucional.
  • Keiko, que já enfrentou três derrotas presidenciais, busca se distanciar da imagem autoritária de seu pai e adotar uma postura mais moderada.
  • O resultado final das eleições ainda aguarda a decisão formal do Jurado Nacional de Eleições, enquanto seu oponente, Roberto Sánchez, planeja contestar o resultado.

Produzido pela Ri7a - a Inteligência Artificial do R7

Oponente de Keiko, Roberto Sánchez, planeja contestar os resultados legalmente Ernesto Benavides/AFP/Getty Images via CNN Newsource

Keiko Fujimori tinha 19 anos quando fez sua estreia internacional em um evento de 1994 como primeira-dama do Peru.

Vestida de preto, a jovem parecia tímida e nervosa diante das câmeras, de braços dados com seu pai, o então presidente Alberto Fujimori, na primeira Cúpula das Américas organizada pelo presidente dos Estados Unidos, Bill Clinton.


Keiko Fujimori assumiu o papel depois que sua mãe, a falecida Susana Higuchi, se separou de seu pai após sua denúncia pública de corrupção em seu governo a respeito da gestão de doações internacionais. Isso marcou o início da vida política de Fujimori.

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Aos 51 anos, a filha mais velha do falecido ex-presidente do Peru está fazendo sua quarta tentativa de vencer a presidência, apesar de três derrotas consecutivas em 2011, 2016 e 2021.


Na segunda-feira (22), ela ficou um passo mais perto desse objetivo após o segundo turno das eleições de 7 de junho, cuja apuração levou mais de duas semanas para ser concluída.

Com 100% dos votos apurados, de acordo com o Escritório Nacional de Processos Eleitorais do Peru, ela garantiu 50,13% dos votos, enquanto seu rival, o candidato de esquerda Roberto Sánchez, obteve 49,86%.


“Estamos cada vez mais perto de embarcar em um caminho de ordem e esperança para todos os peruanos”, disse Fujimori no X.

Mas ela visivelmente evitou declarar vitória formalmente.


Isso porque a eleição do Peru não será decidida formalmente até que o JNE (Jurado Nacional de Eleições) anuncie oficialmente um vencedor, o que ainda não aconteceu.

Fujimori disse que vai “aguardar o anúncio do júri eleitoral nacional com muita humildade, prudência e responsabilidade”.

Sánchez disse anteriormente que entrará com um recurso legal nos próximos dias para impedir a proclamação oficial. Um porta-voz de sua equipe disse que não tinha comentários a fazer sobre os resultados mais recentes.

Uma nação dividida

Fujimori insiste que oferece a melhor alternativa para restaurar a segurança dos peruanos e resgatar o país, que tem sido assolado por um estado constante de crise política e institucional que resultou em oito presidentes nos últimos dez anos, e agravado por escândalos de corrupção e pelo aumento do crime e da insegurança.

“Precisamos de ordem — ordem para viver, ordem para investir, ordem para trabalhar”, reiterou a candidata conservadora durante o debate presidencial contra Sánchez, que é do partido Juntos por el Perú (Juntos pelo Peru).

“Sei que esta eleição não é sobre mim, mas sobre o tipo de governo e o rumo que queremos para os próximos cinco anos. Ou queremos o caos e a desordem, ou restauramos a ordem e trabalhamos pelo futuro do nosso país”, acrescentou Fujimori.

A herdeira do fujimorismo tornou-se congressista em 2000, fundou o partido Fuerza Popular (Força Popular) e passou 13 meses na prisão enquanto era investigada por corrupção e por supostamente receber dinheiro da construtora Odebrecht para financiar suas campanhas presidenciais — uma acusação que ela negou repetidamente.

Em janeiro de 2025, um tribunal declarou o processo contra ela nulo e sem efeito. Fujimori afirma ter suportado dez anos de perseguição política.

Uma campanha com um tom diferente

Após o dramático segundo turno contra o ex-presidente Pedro Castillo em 2021 — que foi marcado por alegações de irregularidades na votação —, Fujimori teve que reconhecer erros em sua carreira política enquanto busca conquistar os eleitores.

“Sei que, ao longo da minha vida política, cometi erros. Aprendi com eles, mas também voltei mais forte”, disse ela, dirigindo-se aos peruanos no final do debate presidencial final.

Durante esta campanha, a candidata de direita tentou projetar uma imagem mais reservada e calma, com posições menos extremas. “É verdade que fomos confrontativos, e corrigimos isso”, disse ela em uma entrevista.

Julio Carrión, professor de ciência política e relações internacionais na Universidade de Delaware, disse à CNN Internacional que Fujimori está fazendo “um esforço mais calculado para se livrar daquela imagem de alguém que estava apenas tentando lutar contra o comunismo e tudo mais”.

Essa posição “foi um erro fundamental em 2021 porque ela estruturou sua campanha como a luta contra o comunismo ou a defesa da democracia” explicou o especialista em política peruana à CNN Internacional, referindo-se ao segundo turno de 2021 contra o esquerdista Castillo.

Após o primeiro turno das eleições de 2026, Fujimori não se juntou imediatamente às acusações de suposta fraude eleitoral promovidas pelo candidato do Renovação Popular, Rafael López Aliaga, como alguns esperavam.

O legado de seu pai e o sentimento anti-fujimorista

O complexo legado de Alberto Fujimori divide o Peru há décadas e galvanizou o voto anti-fujimorista durante suas campanhas anteriores, nas quais ela era vista como a continuidade de um regime autoritário que representava uma ameaça às instituições democráticas independentes.

Alberto Fujimori governou como presidente de 1990 a 2000. Seu governo tirou o país da beira do colapso econômico e derrotou os grupos terroristas Sendero Luminoso e MRTA (Movimento Revolucionário Túpac Amaru) em um conflito interno que deixou mais de 60 mil mortos, segundo uma comissão de verdade e reconciliação.

Mas seu regime foi atormentado por alegações de violações de direitos humanos e corrupção, pelas quais ele foi condenado décadas depois.

Ele enfrentou quatro processos judiciais, um dos quais resultou em uma pena de 25 anos de prisão em 2009 pelos crimes de homicídio qualificado e lesões corporais nos casos de Barrios Altos e La Cantuta.

O ex-presidente morreu em 2024 após várias batalhas jurídicas e controvérsia pública sobre a obtenção de um indulto devido ao seu estado de saúde.

Sob o slogan “Keiko no va” — que se traduz como “Keiko não vai conseguir” —, grupos de cidadãos, estudantes e organizações de direitos humanos marcharam no centro de Lima no último sábado (20) para rejeitar sua candidatura.

Mas o voto anti-fujimorista ainda não se provou tão significativo entre as gerações mais jovens, especialmente aquelas nascidas depois que o ex-presidente foi destituído do poder em 2000, observa Carrión.

Outro fator que pode beneficiar Keiko Fujimori desta vez é que seu oponente Sánchez tentou emular a imagem que o ex-presidente Castillo projetava — incluindo seu famoso chapéu —, mas parece ter falhado. “Falta a ele o apelo de uma identidade distinta; ele não tem a imagem de um candidato novo, do povo, que Castillo tinha em 2021”, explicou Carrión.

Um fardo pesado

Mas, para seus críticos, Fujimori compartilha a responsabilidade pela instabilidade política e corrupção que o país viveu nos últimos anos.

Como líder do Fuerza Popular, o partido majoritário no atual Congresso, Fujimori é acusada de governar o país por meio da bancada parlamentar de seu partido, minando a autonomia do poder executivo, interferindo em instituições independentes, promovendo leis que protegem certos interesses — como as chamadas leis pró-crime — e orquestrando o impeachment de presidentes anteriores ou blindando outros.

Um relatório da HRW (Human Rights Watch) descobriu que os parlamentares, “em vez de fortalecer as instituições públicas”, enfraqueceram o arcabouço jurídico e a independência de juízes e promotores, facilitando a expansão do crime organizado.

De acordo com a HRW, a maioria dos membros do Congresso tem sido movida por “interesses pessoais e pela busca do próprio interesse”.

Durante uma entrevista à CNN Internacional, Fujimori negou que ela e seu partido fossem responsáveis pelo caos e pela crise política no Peru. Ela ofereceu uma autocrítica sobre o papel que desempenhou em relação ao ex-presidente Pedro Pablo Kuczynski, que renunciou em 2018.

“Fomos muito confrontativos com o governo de Pedro Pablo Kuczynski, mas não obstrucionistas, porque lhes demos (aprovamos) os projetos de lei mais importantes e, acima de tudo, amplos poderes para fazer reformas... Infelizmente, eles não souberam tirar proveito deles”, disse ela à CNN Internacional na semana passada.

A disfunção e a suposta corrupção na política peruana, das quais outros candidatos durante este ciclo eleitoral também foram acusados, deixaram o eleitorado cauteloso.

Isso se refletiu nos resultados do primeiro turno, em que nenhum candidato, em uma longa lista de 35, recebeu mais de 20% dos votos.

Aqueles que decidiram apoiar Fujimori em sua quarta candidatura dizem que desta vez ela está mais bem preparada e posicionada para montar uma equipe de governo que restaurará a tão necessária confiança dos investidores.

“A Sra. Fujimori, sobre quem se pode ter dúvidas ou mesmo divergências, comprometeu-se a respeitar a Constituição, comprometeu-se a governar pelo período determinado por lei, propõe uma economia de mercado, atraindo investimentos privados, respeitando as liberdades, e comprometeu-se a abordar uma agenda — uma agenda social massiva e uma dívida social que está absolutamente pendente no Peru”, disse à CNN Internacional Rafael Belaúnde, que concorreu contra Fujimori no primeiro turno das votações pelo partido de centro-direita Liberdade Popular.

Belaúnde afirma que decidiu apoiar a líder do Fuerza Popular e se juntar à sua equipe técnica após observar uma Fujimori mais forte do que há cinco anos e diante do que chama de “o perigo que Sánchez representa para a economia”.

Mais de trinta anos após iniciar sua vida política, Fujimori tem agora a chance de ser a nona presidente do país em uma década.

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